Rumo à Customização – Parte 2 – Conhecendo os Seus Ouvidos

Segunda parte da série de artigos que tratam da customização de um sistema de som, para obtenção de um melhor resultado final.

O Audiófilo

O que é ser um audiófilo? O que é Audiofilia?

Segundo a enciclopédia virtual Wikipedia, “ Audiofilia é o acto de gostar do som, e audiófilo é um amante do som que faz constantes adaptações, regulações e trocas dos seus aparelhos de som de alta fidelidade ou no ambiente de reprodução da música. Faz-se todo o possível para melhorar a reprodução a fim se apreciar os instrumentos musicais e os cantores como se estivesse ouvindo ao vivo.”

Será que esta definição está realmente correta?
Bem, sob o ponto de vista da realidade atual, retrata com certeza o que acontece na audiofilia.
Mas, será que este objetivo está correto?

Acredito que não. No meu modo de ver a audiofilia, o verdadeiro audiófilo é aquele que busca a reprodução dos instrumentos e cantores da forma mais real e precisa possível, para poder apreciar a música em toda a sua plenitude e da forma como foi originalmente concebida.
E isso não significa buscar a reprodução eletrônica mais próxima do som ao vivo, mas do som real, pois muitas vezes o som ao vivo não traduz plenamente a música real, na sua concepção natural. Vejamos a seguir o porquê disso.

Som real e som ao vivo

Já tratei desse tema com mais profundidade em outro artigo publicado aqui mesmo no Hi-Fi Planet, mas faço agora uma síntese desta ideia.

Veremos no próximo tópico que nossos ouvidos não são perfeitos, ou seja, não são “planos”, apresentando desvios naturais na captação das frequências que compõem cada som da nossa faixa audível.
Estas imperfeições não estão restritas somente aos problemas de audição causados por exposição a sons de intensidades excessivas, idade, problemas de saúde e outros que interferem na audição ao longo dos anos de vida de uma pessoa, mas, também, as próprias características de nosso sistema auditivo. Inúmeros livros de medicina tratam sobre o assunto.
Cada pessoa possui a sua própria “identidade” auditiva, e percebe os sons de uma forma diferente.

Em um teste que realizei com alguns amigos em casa, há alguns anos, notamos que cada um tinha uma percepção diferente do que era reproduzido no meu sistema de som. Alguns achavam o som com poucos “agudos”, outros achavam o médio muito destacado, alguns percebiam um amplo palco sonoro, outros já sentiam este mesmo palco limitado. Em alguns testes usamos uma passagem musical de um disco onde um som mais agudo era tocado muito baixo durante a música. Curiosamente alguns notaram o som com facilidade, outros com muita dificuldade, e um dos presentes não conseguiu perceber esta passagem, e também alguns sons muito graves.
Esse foi para mim o marco inicial de um novo entendimento sobre a reprodução de música com qualidade.

Imaginemos agora que estes indivíduos estivessem numa apresentação ao vivo. Todas estas características auditivas individuais também estariam presentes, óbvio!
Ou seja, transportariam estas mesmas “limitações” para a audição ao vivo, novamente percebendo os sons de uma forma pouco real, afinal, se um instrumento está sendo tocado ali, ele deveria ser ouvido na sua intensidade real, e não aquela interpretada de forma individual.
Afastando alguns fatores como interferências da sala de audição, afinação dos instrumentos e outros que também podem interferir na reprodução do som ao vivo, não há dúvidas de que a reprodução natural da música ao vivo é a mais correta, mas as interferências causadas pelas características de nossos ouvidos interferem nessa realidade, traduzindo-a numa percepção única para cada indivíduo.

O som ao vivo também é alterado pelos nossos ouvidos.

É claro que estas alterações podem ocorrer de forma mais sutil ou mais intensa, dependendo de cada um.
Um grupo de pessoas pode mostrar unanimidade na percepção de uma nota de piano tocada numa apresentação musical, mas estariam todos ouvindo esta nota da mesma forma?
Considerando que os nossos ouvidos modificam a intensidade com que cada frequência que compõe o espectro de sons audíveis é captada, podemos concluir que cada um vai ouvir aquele som específico ao seu modo, dentro do conjunto de sons reproduzidos.
Por isso é muito perigoso basear-se exclusivamente em testes subjetivos de avaliadores de equipamentos para definir os componentes para o seu sistema. Estes testes apresentaram um resultado específico para aquele ouvinte, independente de qualquer critério ou metodologia adotada, e vai não necessariamente servir para você.
Quando se fala em equilíbrio tonal, corpo harmônico, musicalidade, extensão de frequências e outras características subjetivas, a situação se complica ainda mais, pois são elementos afetados diretamente por estas diferenças individuais.

O que podemos concluir de positivo aqui é que, felizmente, podemos ter em casa um sistema que corrige estas limitações auditivas, e nos leve a ouvir os sons mais próximos à reprodução real neste aspecto, lembrando sempre que existem limitações tecnológicas na perfeita reprodução eletrônica do som real.
Como podemos fazer isso? É o que veremos a partir de agora.

Conhecendo os nossos ouvidos

Você já parou para pensar como você ouve? Alguma vez se perguntou se os seus ouvidos realmente estão traduzindo corretamente os sons reproduzidos ao vivo ou gravados num disco tocado pelo seu sistema eletrônico de som?
A maioria dos audiófilos não se preocupa com isso. Apenas tenta obter o som que mais lhes agrade, que pareça mais natural possível, que se assemelhe ao som que ouve ao vivo, que apresente o melhor detalhamento possível (maior detalhamento também pode ser resultado de um problema e não de uma virtude), levando a reprodução audiófila ao seu puro gosto pessoal.
Existe algum problema em ajustar o som ao seu gosto pessoal? Claro que não. Buscar uma solução que mais nos agrade é algo bastante saudável.
Mas, acredito não ser esta a ideia de audiofilia, pelo menos como imagino e desejo para mim.

Acho muito estranho quando avaliadores de equipamentos colocam vários amplificadores, por exemplo, (poderia ser qualquer outro componente), no mesmo patamar de qualidade, mas afirmam que eles possuem desempenhos diferentes, um é mais “analítico”, o outro mais “musical”, um apresenta um som mais “neutro” o outro mostra mais “calor” na reprodução, etc. Acredito que os equipamentos, de um modo geral, devem convergir para um único ponto, afinal, um som tem características únicas de intensidade, de frequências, de harmônicos, componentes próprios, e assim deve ser reproduzido de uma única forma. Não pode parecer mais “agradável” num equipamento e mais “analítico” no outro.

Entendo, portanto, que o audiófilo, no sentido mais exato de sua definição, deveria se preocupar em reproduzir em sua casa o som que fosse mais próximo ao som real de cada instrumento musical ou voz, e para isso precisa conhecer o comportamento de seus ouvidos.
Quando digo “ouvidos”, obviamente me refiro a todo o processamento que ocorre no nosso sistema auditivo, convertendo o deslocamento de ar originado pelos alto-falantes ou pelos instrumentos musicais e vozes ao vivo em sons traduzidos pelo nosso cérebro.
E, para isso, é preciso saber como estes sons estão sendo processados.
Um bom exame audiométrico auxilia muito neste conhecimento.

Apesar de ainda bastante limitado, o exame audiométrico é um grande auxiliar na busca da reprodução dos sons mais próximos da realidade.
Ele vai lhe mostrar as atenuações e os reforços de frequências que compõem a faixa de sons audíveis dos seus ouvidos, e é uma ferramenta importante para ser usada como base desta avaliação, não limitada a esta somente.

Abaixo podemos ver um audiograma de um jovem de 22 anos, realizado através de um teste audiométrico.

Este exame foi considerado “normal”, mas note que as variações são bem significativas, capazes de provocar profundas alterações na percepção sonora. Ou seja, um sistema “flat”, ou plano, como se costuma dizer, feito para apresentar uma resposta de frequências “ideal” segundo muitos audiófilos, certamente provocaria fortes distorções da realidade neste ouvinte, mesmo numa audição ao vivo.

Note, ainda, que existem diferenças entre os dois ouvidos, e isso será discutido oportunamente. Mas, saiba desde já que até isso podemos controlar pela Customização de nosso sistema.

Trata-se de um exame que considero bastante limitado para os objetivos aqui propostos, mas a maioria dos exames audiométricos realizados pelos laboratórios médicos é apresenta desta forma.
Se imaginarmos que se adota como faixa audível as frequências entre 20 e 20KHz como padronização, podemos notar que este tipo de exame apresenta um resultado ainda bastante aquém do que poderíamos desejar.
É preciso paciência para conseguir a colaboração de um laboratório que faça um exame mais completo e com a precisão desejada.
Recomendo que se faça o exame mais completo, e se possível, que o repita por mais duas vezes em laboratórios diferentes, e com um espaçamento de 2 meses entre cada exame.
Pois é, é um trabalho criterioso e demorado, e esta é só a primeira etapa como veremos mais adiante. Porém, os resultados são bastante interessantes, e podemos dizer que até necessários para quem quer realmente realizar um trabalho criterioso para montar um sistema de som de alta fidelidade que atenda as suas reais necessidades.
Com um audiograma bem feito em mãos, teremos um ponto de início para direcionarmos as próximas ações.

Saiba ainda que a nossa audição sofre variações até ao longo de um dia, por conta de diversos fatores físicos e até emocionais. Não sou um especialista no assunto, mas existe muita informação a respeito do funcionamento e da avaliação do nosso sistema auditivo disponível em livrarias, na internet e até colhidas junto a profissionais da área.

Lembre-se que a sua curva de audição terá que ser comparada a curva de resposta final de seu sistema, não só de seus equipamentos, e isto inclui as características acústicas de sua sala. Portanto, existe muito trabalho pela frente.

Um disco de testes composto de uma série de frequências também é de grande ajuda. Ao reproduzir cada uma delas, podemos encontrar algumas que nos dão dicas sobre nossos ouvidos, nosso sistema de som e nossa sala, apontando incômodos e outras interações com os nossos ouvidos, com a acústica da sala e objetos presentes.

Perceba que tudo aqui está direcionado para você e seu ambiente de audição. Nada disso servirá para outra pessoa ou para outro sistema ou sala. Este é o conceito da Customização, atingir o melhor resultado possível para cada caso específico.
É dentro deste conceito que venho trabalhando em meu sistema, e posso afirmar que estou conhecendo um mundo novo, com resultados que até então nunca havia experimentado apesar dos constantes upgrades feitos em meu sistema.
Com paciência e muita dedicação, saiba que você pode ter um resultado muito melhor com um sistema mais simples do que muitos acabam obtendo com sistemas muito sofisticados e caros.
E não se preocupe com a opinião dos outros. Jamais se esqueça do fato de que você está construindo algo personalizado, otimizado para você. Nestas condições, o perfeito para você pode estar distante do ideal para outra pessoa.

Continua…

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7 Comentários em Rumo à Customização – Parte 2 – Conhecendo os Seus Ouvidos

  1. Prezado Sr. Eduardo

    Fantástico. Esta foi um das melhores abordagens que li nos últimos anos sobre o áudio hiend.
    Sou músico (pianista) e compositor de jingles. Não me considero um audiófilo porque até hoje acho que essa denominação perdeu o sentido. Qualquer um que tenha um equipamento de entrada hiend se acha um audiófilo, e isso fez com que o verdadeiro sentido da audiofilia se perdesse no tempo.

    Tenho 63 anos e durante toda a minha vida me dediquei à música, e sempre possuindo equipamentos de som de alta-fidelidade de marcas que poucos jovens conhece hoje.
    Minha dedicação à música nunca foi somente como pianista para ganhar dinheiro, mas por amor e domínio de uma arte. Leio tudo sobre música e equipamentos, procurando me manter atualizado o mais possível.

    Sua abordagem nestes artigos sobre a customização de sistemas de som foi surpreendente, jamais esperaria que alguém viesse a ter essa clareza, esse discernimento para propor algo que me parece tão natural.
    Em inúmeras apresentações que já fiz, vivi alguns momentos que coincidem com o que você chama aqui de ouvir diferente. Isso é um fato, e deve ser tratado com muita atenção.
    Acompanho o seu Hi Fi Planet há bastante tempo, e percebo uma evolução, proposital ou não, que leva aquele que acompanha seus artigos numa direção bem clara, desmistificando conceitos e levando aos poucos o leitor para um caminho bastante interessante.

    Sempre que lia em algum outro lugar alguém perguntar como deveria montar seu sistema de som, a resposta era sempre parecida com – qual o tamanho de sua sala? – tem tratamento acústico? – que estilo de música você gosta? – quanto quer gastar?.
    Eu via isso e pensava comigo como alguém pode prestar uma orientação apenas limitando-se por estes elementos? Como julgar o que serve para cada um se você não sabe como ele ouve?
    Sempre acreditei que a resposta para uma pergunta destas era muito mais complexa, e passava por questões fisiológicas importantes.
    Como o senhor bem demonstrou aqui com os seus textos sempre bem didáticos, a questão é bem mais complexa. O que funciona bem para um não funcionará bem para o outro.
    Mas como o senhor disse, o mercado não está preocupado com isso. Há toda uma condição montada para que o comprador adquira seu primeiro sistema de som, não importando realmente se irá atendê-lo ou não, e depois passe o resto da vida gastando com upgrades.

    Até pela minha exposição contínua a sons, apresento uma perda nos sons mais agudos. Talvez o senhor não acredite, mas cheguei a colocar um equalizador no meu sistema. Mais tarde pedi para um técnico instalar controles de graves, médios e agudos no meu amplificador, o que foi um desastre pela falta de competência do profissional.
    Foi um amigo que me sugeriu modificar o divisor das minhas caixas para destacar mais os agudos, na verdade apenas retirando um componente que atenuava a alta sensibilidade do tweeter, pelo que entendi. Ganhei vida no meu sistema. Passei a ouvir coisas que antes pareciam veladas, e o prazer de escutar som em casa voltou. É exatamente o que o senhor citou, tenho muito mais realismo hoje em meu sistema em minha casa do que numa apresentação ao vivo.
    E acredite, quando autorizei a modificação, coloquei à disposição um par de caixas-acústicas de mais de 45 mil reais. Alguns acharam que eu estava louco em modificar uma caixa que pelo preço deveria ser perfeita. Tive coragem e fiz, e hoje muitos amigos pensam em fazer a mesma coisa.
    De uma certa forma foi uma repetição bem simplista do que o senhor sugere aqui, sem ter me aprofundado em exames que pudessem me dar um maior conhecimento sobre as minhas particularidades de audição. Tenho certeza que desta forma proposta pelo senhor teria acertado mais, mas já estou muito satisfeito com o que já consegui.
    Imagine o que senti quando li o seu artigo ontem. Ri sozinho, pois percebi que não estava só, e que o que eu fiz não foi nada tão insano assim.

    Vou acompanhar com muito interesse a sua abordagem sobre este tema, e já me sinto animado para novas experiências, agora com alguém do seu nível competente de conhecimento para me motivar.

    Sr. Eduardo, parabéns pelos seus artigos, úteis, honestos e muito didáticos. São fáceis de ler e sempre com novidades.

    Não costumo escrever na internet, e isso até me incomoda. Mas, não poderia evitar desta vez já que queria lhe expor esta experiência que vivi e lhe dar os parabéns pela sua brilhante abordagem.

    Fica o convite de quando vier ao Rio de Janeiro conhecer meu sistema de som, e quem sabe até me dar umas dicas ainda melhores para aprimorar ainda mais a qualidade do som.

    Um abraço, meu querido, e tenha muita paz, amor e saúde nesta vida, e que sobre um tempinho de vez em quando para continuar nos oferecendo seus excelentes artigos.

    Atenciosamente,

    Tadeu H. Prado

  2. Muito interessante. Vou experimentar isso.
    Já cansei de gastar e nunca ficar satisfeito. Talvez o caminho seja mesmo por aí.
    Obrigado

  3. Muito interessante.
    Lembro de ter lido na seção de cartas de uma revista inglesa uma pergunta justamente neste sentido, mas quem respondeu se enrolou todo e não disse nada. Aqui ficou bem claro.
    Sou apaixonado por áudio desde os 12 anos, já que venho de uma família de músicos, e hoje com 37 anos acho que cheguei num sistema que considero muito bom para as minhas possibilidades, e saiba que seus artigos foram de grande ajuda para montá-los.
    Estou curioso para ler o restante deste artigo.
    Abraços
    Edevan

  4. Olá Eduardo,
    já lhe escrevi em outra ocasiao que sou favorável a costumizacao. Depois de muito ouvir, muito testar, estou convencido de que, ao invés de gastar uma fortuna daquele equipamento repleto de reviews positivos, melhor investir somente o necessário pra atingir nossa necessidade específica.
    Comentei aqui também, há uns 2 anos, que alguns fabricantes de caixas acústicas alemaes (Nubert e Phonar – pra dar nomes aos bois) fabricam caixas que incluem a opcao de pequenos ajustes no som. No caso da Nubert, por uma chavinha de 3 pontos e, no caso da Phonar, através de um condutor (uma barrinha de cobre) que se ajusta atrás da caixa. Após pesquisar um pouco, acredito que esses fabricantes decidiram emplementar essas opcoes, tanto pra tentar adequar o equip.ao “gosto auditivo” dos clientes, quanto como alternative para os diferentes ambientes. Já tive a oportunidade de fazer alguns testes em casa e dá pra perceber com certa clareza que 1 ajuste atende melhor a um ambiente (com carpete e pequena metragem quadrada, por exemplo) e outro ajuste se encaixa melhor em outro ambiente (asoalho de madeira com maior metragem quadrada).
    Nesse complexa matriz de fatores que definiriam a costumizacao, colocaria 3 items como os mais importantes:
    1o) A audicao
    2o) O ambiente
    3o) A configuracao de marcas e modelos (amplificador, transportes, caixas acústicas)

    Coloquei a audicao em 1o lugar, pois acho que esse é o ponto de partida. Já o ambiente e a configuracao de equipamentos, colocaria no mesmo patamar de importancia.

    Sao notáveis as diferencas que se obtem em se conectando diferentes amplificadores, CD players, TDs, etc. Diferencas mais sutis vao ser notadas com cabos de conexao e tb com o de forca, estabilizadores de tensao e… por aí afora.

    Pra mim, está claro que a resposta é a costumizacao. Senao através de equipamentos construídos “a lá DIY”, pelo menos com um bom estudo do sistema auditivo da pessoa em conjunto com alguns testes com diferentes equipamentos antes da compra.

    Algúns amigos, sabendo que estou com certa frequência ouvindo e testando equipamentos de áudio, me pedem recomendacoes. Sempre digo que nao há uma direcao única pra todos. Tento descobrir ou entender o gosto da pessoa através de perguntas muitos simples como, se a pessoa gosta mais de graves ou de agudos por exemplo. Esse tipo de recomendacao é uma tarefa bastante difícil mas, nao dá pra deixar os amigos sem nenhum tipo de direcionamento. Quando estou nesta situacao, penso o quato deve ter sido complexo pra voce ter escrito o artigo aqui sobre as marcas “mais e menos” recomendadas. Acredito também, que antes de se partir para os detalhes, é possível recomendar marcas ou equipamentos que trazem uma razoável relacao custo benefício no momento. Separar os que estao cobrando por grife e quem está fazendo um trabalho de desenvimento sério, com o objetivo de atingir melhor qualidade de som.

    Sim, antes de chegar a um bom resultado, tem que se passar por várias peneiras. Essa complexa equacao, que levaria a um resulado adequado a cada pessoa (cada ouvido), é provavelmente o que dá tanta margem aos “Super Hiper Mega Golden Premium” no mercado.

    Queria mesmo era ganhar muito dinheiro na loteria e levar essas tantas marcas e modelos interessantes para o Brasil a preco justo. Montar várias salas de audicao com características diferentes. Tentar, ao máximo possível, conhecer o “gosto auditivo do cliente” e levá-lo a uma direcao que o atenda. Incluiria até a possibilidade de exames audiométricos no cardápio de servicos da loja. Recomendaria equipamentos menos caros, mesmo que o cliente mencionasse um orcamento superior. Simplesmente indicando o que pudesse ser a melhor relacao custo-benefício. Mas, acho que nao daria certo. Afinal, faria tudo isso pelo prazer de ver os apaixonados por áudio e vído (como eu) encontrando algo que os atenda. E essa talvez nao seja a direcao mais ´esperta´ de se levar um negócio. Talvez encontrasse logo a falência, tendo que enfrentrar a concorrência dos “Mega Super Golden Power”.

    Mas, é isso, também acho que a costumizacao é a resposta. Como as pessoas poderiam obter os recursos e passar pelos passos necessários à costumizacao, nao sei ao certo.

    Abracos
    André Dias

  5. Garanto que meus velhos e queridos amigos não me chamarão mais de “professor pardal”.maluco, etc. construir, reinventar, pesquisar,alterar. adoro isso, buscar sempre o que é melhor para nossos ouvidos. abordagem bastante interessante. já não me sinto mais só.
    Abraços e Parabéns
    Felix

  6. Olá Eduardo,

    Quando veremos a continuação deste artigo?
    Tenho conversado com vários amigos músicos, e agora não sou somente eu que estou cobrando e todo mundo que saber mais sobre o assunto. Realmente você tocou no ponto mais importante da reprodução musical com este artigo, e que poucos abrangem. A maioria dos artigos que leio são voltados só a equipamentos, o que é um grande erro.
    Quero agradecê-lo pela dica dos cabos Connex Audio e Pangea. Adquiri os dois confiando em suas avaliações, direto pela internet, e para a minha surpresa (e que surpresa) eles são verdadeiramente incríveis.
    O cabo de força da Pangea deu o mesmo resultado que meu caro Furutech, e o Connex apresentou um detalhamento e um desempenho geral bem superior aos também caros Nordost e Purist, que apesar de usados ainda me custaram caros assim mesmo.
    Aquela teoria de que cabos devem custar 10 ou 15% do preço do equipamento, como inventa o mercado, comprovei que não é nada disso. Tenho hoje aproximadamente 2.200 reais em cabos num sistema de aproximadamente 60 mil, incluindo caixas. Isso é aproximadamente 3,7%. Antes eu usava mais de 8 mil em cabos sem ter a mesma qualidade.

    Por isso te agradeço pelas verdades que você publica aqui e que não lemos em lugar nenhum.

    Abraços
    Edevan

  7. Caro Edevan,

    O mercado é bem voltado aos seus próprios interesses, e por isso sempre vamos ler estas bobagens do tipo que se deve gastar X% em cabos. Isso não existe. Em nenhum outro hobby existem regras e conceitos tão absurdos como no áudio hi-end, onde se ganha fácil sem ter que provar muito.
    Você é mais um entre tantos que me escrevem contando feitos semelhantes com cabos, muitas vezes em sistemas muito mais caros, e que descobriram que “grife” não significa qualidade.
    Se outros consumidores soubessem que não é necessário um cabo tão “especial” para conduzir os sinais de áudio, que não possuem nada de tão especial assim, não gastariam a fortuna que gastam nestes cabos e depois tentam se convencer que fizeram um ótimo negócio, na verdade pagando verdadeiras fortunas em fios de cobre encapados com aparência de um colar de jóias (algumas marcas tentam mesmo transmitir esta idéia em seus anúncios ou nas sofisticadas caixas de seus cabos).
    Há muito o que mudar neste mercado, mas é preciso que o consumidor entenda que o áudio hi-end não é esse universo misterioso que tentam demonstrar.

    Logo vou retomar meus artigos, assim que concluir algumas atividades profissionais que estão me tomando muito tempo.

    Obrigado pelo depoimento.

    Um grande abraço,

    Eduardo

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