Teste do Controle de Tonalidade Lokius da Schiit

Apresentamos o teste do Lokius, e como ele se compara ao Loki Mini+.

Por: Eduardo Martins

 

Lokius Schiit

 

Tive a oportunidade de testar recentemente o Controle de Tonalidade Loki Mini+ da Schiit, uma alternativa para buscar o ajuste de um sistema de som para as interações com as características dos equipamentos, da sala e dos nossos próprios ouvidos.
Em minhas conclusões, eu disse que ele poderia ser de grande ajuda para o objetivo proposto, apesar de um pouco limitado em seus ajustes. Mas, logo que eu adquiri o Mini+ para teste, a Schiit lançou o Lokius, uma nova proposta com ajustes mais generosos.
Acabei por adquirir uma unidade para um novo teste, já que o Mini+ havia me impressionado muito positivamente.
Apresento aqui o teste do novo modelo para vocês.

Introdução

Como já estamos cansados de saber, o nosso sistema de som sofre diversas interações que incluem a acústica de nossas salas, as características sonoras (ou “assinaturas” como preferirem) dos nossos equipamentos, mas, principalmente, as alterações da realidade por conta da curva de sensibilidade de nossos ouvidos, que é um fato provado e afeta a todos nós, e que já foi amplamente discutido em artigos anteriores.
Negar isso é desacreditar toda a realidade científica que comprova esse fato, e com esse negacionismo, tirar a oportunidade de ouvir a música como ela é de fato, lembrando que mesmo a música ao vivo é fortemente afetada pelos nossos desvios auditivos.

Importante salientar aqui que a ciência vem comprovando que, de fato, as perdas e alterações auditivas, que nos fazem perceber os sons de forma distante da realidade, parece começar mais cedo do que se imaginava, mesmo em pessoas com pouco contato com sons mais altos (difícil isso hoje em dia). Estudos mostram que as perdas auditivas podem começar antes mesmo dos 30 anos.
Aliás, pesquisas apontam que a curva de qualidade auditiva começa a decair logo após a adolescência, num processo natural, uma situação até então pouco divulgada. Mas, trataremos isso em outra oportunidade em um novo artigo que estou desenvolvendo, compilando estas informações mais recentes.

Curiosamente, o número de interessados nesse assunto vem crescendo exponencialmente, e a cada dia recebemos mais consultas sobre o tema customização, mais experiências são feitas, e o mais importante, todas com relatos positivos.
A maior resistência (e bastante feroz) continua vindo da parte dos fabricantes de acessórios (muitas vezes inúteis) que prometem milagres, de vendedores, e de editores e avaliadores de publicações “especializadas” (nem tanto) que dependem de anunciantes e patrocinadores, e precisam enaltecer qualidades positivas (até inexistentes) dos produtos ofertados pelo mercado.
Nesse último exemplo a resistência é ainda maior. Avaliadores de equipamentos têm sido os mais críticos dessa proposta que foi inicialmente abordada aqui, no Hi-Fi Planet, e pelas razões que já apontamos, eles precisam vender ilusões, empurrar a ideia de que cabos e equipamentos devem ser substituídos com a maior frequência possível para poder manter o interesse de seus anunciantes em divulgar os seus produtos.

Cada vez mais que eu e muitos experimentadores avançamos na Customização de Sistemas de Som, mais descobrimos a grande farsa que existe nessa “empurroterapia” de cabos, fusíveis, isoladores, apoio de cabos, etc. Chegam ao cúmulo de vender bloquinhos de madeira por preços elevados com os velhos argumentos de que esses bloquinhos favorecem o palco sonoro, o detalhamento, amplia a resposta de frequências ou até mesmo provoca um “silêncio de fundo sepulcral” no sistema, pura balela.

Já comentei aqui o quanto ridículo é um avaliador de equipamentos passar décadas comentando que o seu sistema ganhou um “silêncio sepulcral”, com uma gigantesca queda de ruído de fundo a cada teste, a cada cabo analisado e a cada inútil acessório  avaliado. Como eu também já disse, o ruído de fundo do “sistema de referência” de um avaliador assim devia ter a intensidade das turbinas de um Boeing 747 em funcionamento, de tantas as vezes que já sofreu uma redução “gigantesca”.

No meu sistema, como também já comentei, o ruído de fundo é nulo há muitos anos, imensurável até com instrumentos. Esta é outra coisa que alguns também correm de pavor, o fato de podermos medir e provar o contrário do que eles afirmam escutar de “orelhada”.

Tenho buscado opções para encontrar ferramentas de ajustes que sejam mais acessíveis e intuitivas para esse ajuste customizado.
Em minha sala, a curva de reprodução é baseada num teste de audiometria completo (que tem avaliador que nem sabem do que se trata), realizado periodicamente (hoje a cada 2 anos), que, com o auxílio de um equipamento que levanta a curva do sistema, consigo identificar os ajustes a serem feitos, que envolveram desde detalhes construtivos das minhas caixas acústicas até o emprego de um dispositivo de correção, o DSPeaker Anti-Mode.
Um ajuste muito complexo e pouco intuitivo para um usuário comum, e é essa a razão sa minha constante busca por opções mais acessíveis como estes controles de tonalidades aqui avaliados, e nessa linha, o Lokius também se mostrou bastante apto para essa função, como veremos aqui.

Sobre o Lokius

A Schiit Audio é uma daquelas empresas que buscam desmistificar os absurdos que cercam o hobby do áudio de alta-fidelidade, conhecido também por “Áudio High-End”, ou simplesmente por “hi-end”.
A proposta da empresa é se concentrar naquilo que interessa, deixando de lado muitas bobagens sem sentido neste hobby e que só servem para engordar as contas bancárias dos mais “espertinhos”.

A empresa é bem humorada nessa abordagem, chegando mesmo a mostrar de forma bem curiosa as fantasias que cercam esse hobby.
Também fornecedora de cabos para aplicação em áudio, bem elogiados pelos consumidores para qualidade e o custo baixo, a Schiit apresenta assim os seus cabos:

“Por trás da tecnologia: SuperUltraHyperTechnology

Os cabos PYST são feitos somente a partir de pura liga de 6 noves de Unobtanium™, montada molecularmente em nosso campo de tesserato de distorção de realidade do nosso Universo Alternativo™, usando uma geometria secreta com engenharia reversa de OVNIs acidentados, meticulosamente contrabandeados para fora da Área 51 por agentes infiltrados. O desempenho é aprimorado ainda mais pelo uso de um par emaranhado de interfaces de transmissão QuantConnect™, mantido em zero grau absoluto por nossa exclusiva tecnologia Stasis Field™ . Os cabos são então envolvidos em NanoAeroCap™, um sistema de isolamento aerogel de anti-capacitância ativado por nanotecnologia, com a introdução do Fractal Interleaved Geometry™ para criar indutância negativa para máxima qualidade de transmissão de áudio.

Ou, bem. . . de novo, não. São cabos bonitos e de alta qualidade, com conectores robystos e confiáveis. É isso. Espero que goste deles!”

Essa apresentação dos seus cabos nos parece bem familiar, não? Claro que a Schiit fez uma abordagem irônica, brincando com a forma fantasiosa com que os fabricantes de cabos apresentam as vantagens e os diferenciais de seus produtos.

O que a Schiit Audio nos oferece com o Lokius é mais um controle de tonalidade capaz de ajustar o som do nosso sistema para uma condição mais real de reprodução. Não confunda “som real” com som “ao vivo”. Sempre destaco essa diferenciação pela importância de separarmos o som como ele deveria ser ouvido, isolando os nossos desvios auditivos (correção), com a referência relativa do som “ao vivo” (que nos chega com as mesmas distorções dos nossos ouvidos) e que é irrestritamente usado como referência absoluta para ajustar sistemas de alto nível, talvez um dos maiores erros que os audiófilos cometem. Atenção pessoas com problemas de interpretação de textos ou com dificuldades de raciocínio, eu não estou dizendo que o som “ao vivo” não deve ser usado como uma referência no ajuste de nosso sistema, e sim que ele pode estar contaminado com desvios provenientes de nossas perdas auditivas, e assim também vir a  prejudicar o resultado final de nosso sistema de som, e por isso a sua aplicabilidade é relativa (um dia vou desenhar isso).

O Lokius apresenta controles para atenuar ou reforçar diversas faixas de frequências de áudio, desde os graves mais baixos até os mais extremos agudos.
Com isso o audiófilo também se vê livre da eterna busca por cabos para ajustar o seu sistema, o que é outro equívoco em áudio chegando a ser mesmo uma “fraude audiófila”.
Cabos não servem para ajustar sistemas, porque na realidade ele não ajusta absolutamente nada, se limitando apenas a provocar diferenças muito sutis e sem qualquer controle do espectro de frequências.
Mesmo que o audiófilo acredite nessa fantasia de ajuste de cabos, e adquira um cabo por ter oferecido um “som agudo” mais evidente em determinado teste, ele não terá qualquer domínio sobre as frequências exatas de correção, a intensidade deste reforço (ou atenuação quando se busca o contrário), e ainda não conhecerá nada sobre os efeitos colaterais nas demais faixas. Ainda, é impossível saber como o novo cabo vai reagir em seu sistema, em função das interações com as capacitância e indutâncias características de cada projeto.

Ajustar equipamentos com cabos é talvez uma das mentiras mais repetidas que o mercado tenta nos fazer acreditar há anos, mas isso também está sendo aos poucos desacreditado em razão de estudos e testes que pessoas honestas e imparciais vem trazendo a público.

E é aqui que entra o Lokius, ajustando as interações dos equipamentos, as interferências da acústica da sala e, principalmente, corrigindo indiretamente a nossa curva de audição para a reprodução musical, e com a vantagem de nunca mais precisarmos ficar reféns de trocas e mais trocas de cabos esotéricos, produzidos com fantasiosas tecnologias e oferecidos a preços insanos, e que não consegue realizar ajustes pontuais e precisos.

Características do Lokius

O Lokius é mais um daqueles grandes lançamentos do mercado que poucos ficam sabendo.

As principais características construtivas e funcionais do modelo Mini+, avaliado aqui por nós, estão presentes no Lokius, mas ampliadas para poder oferecer melhor controle e maior versatilidade de uso, inclusive com a introdução de entradas e saídas balanceadas, uma das minhas críticas ao primeiro modelo já que eu prefiro essas conexões em razão das características do meu sistema. Saídas e entradas RCA também estão disponíveis neste modelo.

O Lokius oferece duas bandas de controle a mais que o Mini+. Pode parecer pouco, mas na prática isso fornece um ajuste muito mais preciso e versátil da curva de frequências.

Suas frequências centrais de atuação são de 20Hz, 120Hz, 400Hz, 2kHz, 6kHz e 16kHz, com largura de banda pré-ajustada em cada faixa.

A atenuação e o reforço são diferenciados para as faixas, mostrando que não se trata aqui de um mero equalizador: +/-12dB em 20Hz e 16kHz, +/-9dB em 120Hz e 6kHz e +/-6dB a 400 e 2kHz.
Essa seleção proposital também permite maior coerência do sinal para evitar a sua saturação.
Quem pesquisar um pouco sobre os equipamentos oferecidos pela Schiit Audio, e também ler os testes e depoimentos de usuários (principalmente), vai notar uma grande genialidade em seus projetos, com uma criatividade que pouco noto em outros fabricantes.

A resposta em frequência, auditada pelo fabricante, também impressiona e faz muitos equipamentos de nível “high-end” passarem vergonha: 20Hz-20Khz, -0.1db, 2Hz-1MHz, -3dB.

O fabricante faz questão de apresentar essa resposta de 2Hz até um extremo superior também exagerado de 1MHz, com a óbvia intenção de mostrar a qualidade do seu projeto ao superar em muitas vezes as especificações necessárias neste quesito.

A relação sinal ruído maior do que 115db também vai ajudar alguns avaliadores, com sistemas eternamente ruidosos, a conseguirem um novo “silencio sepulcral” ainda maior (sim estou sendo sarcástico).

A distorção por intermodulação também se destaca por ser inferior a 0,001%. Sei que há quem diz que algumas distorções parecem agradáveis para os seus ouvidos. Sem problemas, eu ainda acho que distorção é uma aberração e que ela não deve estar presente em nenhum momento, sendo ela “engraçadinha” ou não.

Algumas características de projeto: topologia discreta com realimentação de corrente, totalmente bipolar e simétrica com partes casadas combinadas, com acoplamento em DC, com servo DC, além de superbuffer discreto de duplo estágio. Filtragem com tecnologia capacitor-gyrator para 20Hz e 120Hz, e capacitor-indutor (LC) para todas as outras bandas.
Podemos notar que não existe nenhuma tecnologia misteriosa, apenas o emprego de reconhecidas e eficientes técnicas.

Notem que o acoplamento entre estágios não é por intermédio de capacitores, afastando a popular preocupação de ter capacitores no “caminho do sinal” elétrico. Só por esse cuidado, muitos fabricantes já acrescentam 1.000 dólares no preço de seus produtos. A Schiit faz isso num produto que não chega aos 300 dólares.
Parabéns ao fabricante por mostrar que o audiófilo não precisa ser enganado ou fazer papel de otário por pagar muito mais do que um produto vale.

A alimentação é feita através de uma generosa “fonte de parede” AC, o que minimiza riscos de interferências em razão da sua baixa voltagem de saída, são 16 Volts contra os 120 ou 220V normalmente encontrados na rede elétrica dependendo da região.
Ainda quero testar o Lokius com baterias, uma experiência que venho fazendo com alguns itens do meu sistema e com resultados bem interessantes.

Além dos controles de ajustes de frequências frontais, o Lokius ainda oferece uma chave bypass real, que serve para desconectar todo o circuito interno enviando o sinal de entrada direto para a saída, excelente para fazer comparações de ajustes e confirmar a neutralidade dos circuitos, que não provocam efeitos indesejáveis à “pureza” do sinal. Aliás, dinâmica, extensão de faixa, ruído, detalhamento e demais características já existentes no sistema são preservadas, não sendo possível notar qualquer efeito colateral de sua utilização.

Deixei as entradas e saídas balanceadas para comentar por último.
Senti falta dessas conexões quando testei o Mini+, já que todo o meu sistema é balanceado e ter que ficar alterando cabos e formas de conexões é algo que prefiro evitar. Sei que para a grande maioria utiliza as conexões RCA, bem mais comuns no mercado, e pouca utilidade terão com essa adição das conexões balanceadas.
Com a opção destas conexões XLR, consegui obter uma melhor interação do Lokius em meu sistema.

É importante destacar que as saídas balanceadas oferecidas pelo Lokius não são “reais”, como se costuma dizer no mercado. O próprio fabricante explica essa decisão:

“Porque o produto teria o dobro do tamanho, o dobro do aquecimento e talvez até mais do que o dobro do custo. Decidimos investir em um superbuffer discreto e invariante de carga de dois estágios, conduzindo um estágio de ganho de realimentação de corrente discreto, bem como indutores customizados e capacitores de qualidade, ao invés de tentar buscar balanceado para balanceado. Se isso faz você se sentir melhor, use a entrada SE e encaminhe a saída SE em qualquer um dos nossos produtos Nexus™ para uma conversão SE-para-balanceada perfeita com um estágio totalmente discreto; mas, melhor ainda, ouça e decida se você gosta do que ele faz, ao invés de se preocupar com minúcias técnicas.”

Novamente exaltando a genialidade do fabricante, podemos perceber que ele busca algo que sempre comento em nosso hobby: “High-end deve ser o resultado, não o equipamento”.
Os resultados que eu obtive com a utilização das conexões balanceadas foram tão surpreendentes positivamente como aqueles obtidos com as conexões RCA. Novamente, a opção por conexões balanceadas é uma preferência minha em razão da minha instalação existente, mas os dois tipos de conexões vão oferecer ao usuário do Lokius uma experiência final de excelente nível.

De nada adianta equipamentos anunciarem recursos (que muitas vezes nem estão disponíveis de fato mas algumas publicações conseguem usá-los de forma mágica e misteriosa), e esses recursos de nada servirem em benefício da qualidade do som.
São muitas vezes recursos inúteis, e é isso que norteia a filosofia da Schiit: investir no que realmente produz resultados benéficos.

Não sei como alguma grife do mercado “high-end” ainda não teve a ideia de comprar os produtos da Schiit e colocá-los em gabinetes bem maiores, com requintes inúteis e exagerados, com nomes pomposos e denominações como “Special Edition” ou outra similar, e cobrar 10.000 dólares pela sua “joia”.

Recentemente fiquei sabendo de um fabricante de cabos que oferece um determinado modelo de cabo RCA em duas opções, uma com conector cromado e outroa com conectores banhados à ouro (normalmente uma camada tão fina que se desgasta parcialmente com poucos movimentos). O primeiro par de cabos é vendido por 600 dólares, e o segundo, o mesmo cabo com conectores dourados e capa de outra cor, por 1.200 dólares. Para mandar banhar os conectores com uma camada realmente de qualidade, o serviço não custa mais de R$ 60,00 (menos de 12 dólares) em um fornecedor que consultei na cidade de São Paulo.

Não vou mencionar a marca, pois estes cabos possuem representante nacional, e sei que muitos pagam esse preço não só por serem enganados quanto às perspectivas de desempenho, mas por uma questão apenas de status, exibicionismo ou por ego pessoal. Então, não irei me envolver nesta relação de consumo, apesar de ser difícil para eu aceitar que alguém (até mesmo um avaliador de equipamentos) diga que existem diferenças de desempenho entre os cabos, porque não existem. Repito: não existem, mesmo com o banho dourado.
Está na hora do consumidor acordar.

Você paga pelo Lokius o que ele custa e as margens envolvidas, nada de pagar por inutilidades fantasiosas ou grife. Aliás, o próprio fabricante brinca com a sua marca. Vale a penas ler as seções de FAQ de seu site carregadas de bom humor.

Para complementar, o Lokius mede 6 x 9 x 1,5 polegadas e pesa 900 gramas.

Sua construção, como todos os demais produtos da Schiit é muito bem feita, tanto externamente como internamente. Existe um capricho muito grande com os detalhes, mas com simplicidade.

Não, não é um equipamento para exibir para os amigos como símbolo de status de áudio “high-end”, mas ele oferece um resultado de alto nível até superior a equipamentos que oferecem menos a preços muito, mas muito mais caros.

Ele é maior que o Loki Mini+, e trouxemos algumas fotos aqui apenas para ilustrar esta comparação.

Schiit Lokius

O Lokius possui furações de ventilação na parte superior, com um efeito interessante que nos remete à sua utilidade. Como eu disse, simplicidade com criatividade e bom gosto. Ele usa componentes internos de excelente qualidade, com uma montagem de altíssimo nível, diferente de algumas gambiarras que já vi em equipamentos de “grife” que custam uma fortuna e que possuem até jumpers de fios espalhados para correção de projetos, além de componentes tortos e mal montados nas placas de circuito.

Desempenho

Instalado em meu sistema, na parte digital formada por um player Cambridge modificado e um DAC Musical Fidelity, também aperfeiçoado, ele teve ainda a companhia de um pré-amplificador e um amplificador de potência, ambos também da Cambridge. As caixas acústicas utilizadas foram as principais do meu sistema estéreo, montadas por mim e já apresentadas em alguns artigos publicados aqui.

Como o meu principal objetivo era fazer as correções da sala, do sistema e da minha curva auditiva, desliguei o DSPeaker, e fiz uma correção básica tomando como referência a minha referência de som real, já mais do que assimilada por mim no meu sistema.
O ideal seria utilizar um analisador de espectro de frequências para fazer um ajuste mais preciso, porém o objetivo aqui era avaliar a sua aplicabilidade nessa função, e suas características funcionais de desempenho e qualidade, sem a preocupação com a restauração exata da curva original do sistema.

Para quem quer ajustar de forma altamente precisa, tendo como referência também o seu teste audiométrico, eu recomendo o uso do Room Analyzer 2 Pro da sueca XTZ. Eu possuo o primeiro modelo e também o 2 Pro, mais atual. São instrumentos com qualidade e com preços justos, já que esse fabricante também não vende os seus produtos por preços irreais.

Mas, avaliando o Lokius com referência à aproximação da minha curva de audição, busquei entender as suas qualidades e fazer uma comparação com o Mini+ no uso para o fim proposto.
Nada impede, também, que alguém o utilize para ajustar o seu sistema para o seu gosto pessoal, ou corrigir incômodos gerados pela acústica da sala.
Já tive amigos que gostaram de um ajuste padrão que eu usei em alguns testes que fizemos. Eles preferiram o reforço nos agudos, e mais tarde ao fazer um exame audiométrico (alguns o mais simples inclusive) detectaram que realmente tinham perdas nessa faixa de frequências, o que justificava as suas preferências tendo em vista a maior quantidade de informações conseguidas com o ajuste. Por isso, mais uma vez, a referência ao vivo como único parâmetro para ajuste do sistema é um grande erro, pois nossos desvios auditivos também se manifestam nesse momento, e essa referência resta comprometida.
Tudo isso é bastante lógico e óbvio demais, mas ainda tem gente que não consegue admitir isso por mera ignorância, por medo de mudar ou por interesses pessoais e profissionais.

Mas, alterar a curva de frequências do sistema não é um pecado, é uma necessidade e uma obrigação para quem quer obter o máximo deste sistema, e o Lokius faz isso muito bem, mesmo que o seu gosto pessoal seja a única escolha para isso, e não há nada de errado nisso também. Gosto é gosto, e cada um tem o seu.

Ajustado por aproximação ao resultado que obtenho com o DSPeaker, fiquei muito feliz em ver que ele pode ser sim uma excelente opção para a customização do sistema dentro da proposta que defendemos aqui. Ele foi mais preciso que o Mini+, e ofereceu melhor ajuste sempre com a manutenção das qualidades do sistema.

Quem conhece o meu sistema de som sabe que ele foi aprimorado para máximo desempenho, principalmente na eficiência das caixas acústicas, estas sim construídas de fato sem objeção de custo, diferente da maioria (grande maioria) das caixas fornecidas pelo mercado, em qualquer faixa de preços. Os componentes eletrônicos (fontes, DACs, etc. também foram aperfeiçoados para que pudessem extrair o máximo da tecnologia digital mais atual, e isso reflete no silêncio absoluto de fundo, num amplo palco sonoro que raramente vejo outro sistema chegar perto, numa dinâmica realmente surpreendente para quem não está acostumado, com distorções desprezíveis e outras qualidades que foram totalmente preservadas com o Lokius.

Ou seja, em resumo, as mesmas qualidades de desempenho do Mini+, observadas em nosso recente teste, se repetem aqui, e até ligeiramente mais evidentes, por conta da maior flexibilidade e versatilidade do novo modelo.
Ele não vai causar nenhum prejuízo a um sistema de alto nível. Se houvesse alguma limitação, eu teria identificado aqui.

Seu desempenho é sólido e surpreendente para um dispositivo com um preço pouco chamativo (para alguns) e uma aparência menos exagerada que a maioria dos equipamentos de grife.
Não há nenhum risco a um sistema em utilizá-lo, a não ser que o seu sistema não tenha realmente as qualidades que você imaginava, como o sistema de referência citado aqui de um avaliador que a cada teste tem uma redução “abismal” de ruído de fundo. Aí não tem milagre, ela não vai consertar o que está quebrado.

Vou manter o Lokius em meu sistema por enquanto, integrado ao conjunto para outras experiências e ajustes. Não sei o que vou fazer com o Mini+.
Um amigo já me perguntou se vou vendê-lo. Não sei, mas provavelmente não.

Há a possibilidade de, ao vender o Mini+, ele vir a cair nas mãos de alguns avaliadores que certamente vão depreciá-lo, dizer que ele “destruiu” a dinâmica, “detonou” o equilíbrio tonal, “massacrou” o palco sonoro colocando os músicos um no colo do outro no meio da sala, e que isso ou aquilo…
Mas, é possível que apareça algum importador, que também seja anunciante ou patrocinador.
Aí já imagino a conclusão: “Um aparelho honesto, pequeno, mas com um desempenho gigante”.
Bem, mais aí ele pode competir com os cabos “mágicos” oferecidos pelo mercado.  Então melhor seria limitar a sua aplicação: “Uma boa opção para ajustar um seu sistema, mas que requer bons cabos “high-end” para sua melhor performance”.
Hum…. talvez isso não seja o suficiente, pois pode mostrar que cabos caros em sistemas de alto nível possam se mostrar desnecessários… então que tal: “Recomendado para sistemas de entrada que já tenham cabos de ótimo nível”…
Bem, de qualquer forma, eu o comprei e o testei, e não quero que este aparelho caia nas mãos de quem vai desmerecê-lo injustamente. Se alguém quiser, que o compre, como eu fiz. Aliás, como prefiro fazer ao avaliar equipamentos que compro ou empresto de amigos, e assim não ficar dependente de ter que elogiar o componente por pressão do fornecedor.
Mas, sei que para alguns nem será problema avaliá-lo mesmo sem ter tido acesso à ele… mágica…

Como tenho um sistema analógico independente, posso usá-lo neste grupo de equipamentos.
Mas, me dirão os puristas… um “equalizador” num sistema analógico puro?
Na verdade um sistema analógico de vinil já possui duas “equalizações”, ou melhor, duas alterações da curva de resposta, a primeira quando o disco é gravado, e a segunda no pré de fono quando ele é reproduzido (tentando compensar a primeira), mas claro que alguns defensores fanáticos do vinil evitam falar sobre isso, pois seria mais um argumento em defesa do formato que restaria desmistificado: o de não haver nenhum processamento do sinal “de áudio”.

Uma dica final: quem aprecia o som de valvulados ou vinil também vai descobrir que é possível ajustar o Lokius para obter aquele som com médios “com mais calor”, e com uma vantagem: sem as distorções características típicas destes projetos.
Essa vantagem de ajustar o sistema ao gosto pessoal deve ser considerada como mais um grande benefício do ajuste do espectro de frequências.

Conclusão

O Lokius se mostrou mais próximo de atingir o objetivo para o qual o considerei: de ter controle sobre a curva de reprodução do sistema de som, podendo efetuar correções da sala, de diferenças de características dos nossos equipamentos, de ajuste de nossa curva de audição para a percepção do som real e de dosagem ao nosso gosto pessoal.
A curva tonal, que é uma das coisas mais complicadas de ajustar num sistema, em função destas interferências, fica totalmente nas mãos do usuário, que a domina segundo a sua necessidade ou gosto.
As duas bandas de ajuste a mais em relação ao seu irmão menor, o Mini+, lhe proporcionou maior versatilidade para um ajuste ainda mais preciso. O Mini+ não perde com isso o seu valor, e continua sendo uma excelente opção, apenas um pouco mais limitada, mas ainda capaz de atender muito bem muitas destas necessidades.

Eu substituiria o DSPeaker pelo Lokius? Em termos de resultado final o Lokius chega muito perto do Anti-Mode, mas não oferece o mesmo número de opções e ajustes. Por outro lado, o Lokius é mais simples e intuitivo de usar, e realmente percebo que a maioria dos nossos leitores, que quer ingressar na customização de seus sistemas, prefere mais simplicidade, não está disposta a fazer exames muito detalhados de audição, nem medições complexas na sala, mas quer alguma aproximação com o maior realismo musical.

Outra vantagem de ter o Lokius no sistema é nunca mais ficar escravo de cabos.
Veja bem, não estou dizendo para usar cabos de má qualidade, daqueles bem ruins com malha precária, cobre pobre ou conectores de zamak cromado (como já vi até em cabos high-end). Mas, esqueça os cabos de milhares de reais, e pode instalar um cabo de 200 reais deixando todo o resto para o Lokius. Ele vai fazer todos os ajustes necessários em seu sistema, de forma mais precisa, mais equilibrada, e mais abrangente do que qualquer cabo faria, e com a vantagem que sempre poderá ser ajustado novamente numa eventual troca de equipamentos ou diante de outros fatores que exijam um novo arranjo tonal do sistema. Ele vai acompanhar as mudanças da sua sala e das suas características auditivas.

Você vai entender de uma vez por todas porque digo que ajustar um sistema com cabos é uma das maiores bobagens que ainda sobrevivem em nosso hobby. Cabos não servem para ajustar sistemas, eles apenas enganam um pouco. Todos eles? Sim, todos eles. Não existe um cabo capaz de ajustar com precisão um sistema. Para isso você tem que ter o controle da situação, e não um paliativo que disfarce um pouco o problema.

Além disso, nenhum cabo vai lhe oferecer atenuação ou reforço de 3 ou mais decibéis em alguma frequência específica. Isso não é real. Se algum cabo fizer isso um dia, acredite, você terá um problema muito maior do que uma real solução.
Já cansei de ver avaliadores inconsequentes dizer que um determinado cabo aumentou a extensão dos agudos do seu sistema, e ao tentar medir isso, eu descobri que o tal cabo apresentava resposta plana até muito além da faixa audível.
É claro que esse cabo foi elogiado ao extremo, se tornou uma melhor compra com direito a escolha do editor, mas alguns meses seguintes surgiu outro cabo feito com restos de peças de OVNIs acidentados (como diz ironicamente a Schiit) que logo ganhou o prêmio suprassumo diamante especial lapidado do editor. E assim ocorre sucessivamente, enquanto houver lançamentos de novos cabos.

Alguma limitação do Lokius? Além do que eu já comentei, que sequer é uma limitação para 80% dos usuários, é difícil achar algum ponto negativo. A ausência de conexões balanceadas no Mini+, que foi algo que senti falta, e foi corrigida aqui.
Quando eu testei o Mini+ também preferi que houvesse um maior espaçamento entre os controles rotativos de ajustes de frequências, mas acabei me acostumando muito rápido com isso, o que não me representa mais nenhum incômodo.

Esforçando-me muito para encontrar algo de que não gostei para comentar, eu poderia preferir que os interruptores de seleção de entradas (RCA ou Balanceadas) e de bypass, ambos no painel frontal, fossem mais macios no uso, mas isso pode ser efeito da robustez do componente.
Eu também gostaria de ter o interruptor liga desliga no painel frontal. Até entendo as razões dele ter sido colocado no painel traseiro, mas isso é uma preferência de ordem pessoal, e não técnica.

Recomendo o uso do Lokius sem contra-indicações. Coloque um em seu sistema e seja feliz.
Não tenha medo de experimentar. Esqueça o que dizem algumas publicações que se contradizem a todo o momento, que dependem de anunciantes, que escondem produtos que dizem não ter qualidade, que falam bem de equipamentos que sequer estiveram de fato em suas mãos, ou que, ainda, manipulam fotos para simular situações irreais.

Faça você a sua história. Descubra o melhor caminho para ter o verdadeiro controle de seu sistema, e não ficar comprando acessórios e mais acessórios na tentativa de alcançar o seu objetivo.
Quem ouve o sistema é você, e não o faz com ouvidos emprestados de ninguém.
E também todos nós ouvimos de forma diferente, cada um tem uma necessidade diferente, então esqueça o que o outro acha e domine o seu sistema como melhor lhe atender.

Os mais pilantras vão tentar lhe convencer de como, se ouvimos diferente, somos capaz de reconhecer um piano ou uma guitarra?
Em primeiro lugar existe a associação. Se desde pequeno você ouvisse um ruído de motor de carro soando como um violino, iria afirmar que esse é o som dele. Segundo, reconhecer o instrumento, lamento ressaltar a estupidez de quem afirma esta bobagem, não significa que ouvimos iguais.
Mesmo um míope ou uma pessoa com visão afetada pode reconhecer boa parte do mundo, mas só colocando um par de óculos ela conseguirá reconhecer o mundo real, em detalhes.

Nenhum sistema do mais alto nível high-end, perfeitamente equilibrado e plano, vai lhe oferecer um desempenho de alto nível se a sua curva de audição não for igualmente equilibrada, e acredite, a chance da sua curva ser perfeitamente equilibrada é a mesma de ganharmos sozinhos o primeiro prêmio da loteria 10 vezes seguidas.

Curiosamente, toda a exposição científica parece perder sentido quando se trata da audiofilia, e é aí que reside o perigo, pois os motivos para isso são os mais desprezíveis possíveis.

Vou publicar um artigo em breve de um absurdo que vi recentemente em vídeo de um fabricante de equipamentos para áudio. Ele chega ao extremo de, ao tentar desqualificar as medições em áudio, assumir com todas as letras que instrumentos podem medir tudo o que os equipamentos são capazes de fornecer, absolutamente tudo, mas não podem medir o que sentimos, e por isso perdem a validade.
Essa foi uma das coisas mais ridículas que eu já vi, porém, tratando-se de um dos mais conceituados e conhecidos fabricantes deste segmento, já foi um grande passo ele afirmar que tudo pode ser medido, mas errou feio ao dizer que o que sentimos invalida todos os números, pois se o que sentimos depende do que ouvimos, e o que ouvimos varia de indivíduo para indivíduo, então nem ele pode dizer o que nos serve. Somente nós podemos identificar as nossas necessidades e encontrar as soluções que melhor nos atenda.

Customize o seu som para você. Só você sabe o sapato que lhe serve, só você sabe o grau de correção que precisa na sua visão, a melhor posição de banco para dirigir e o melhor ajuste sonoro de um sistema de som.

Qualificação

Preço do Lokius

US$ 299

Onde encontrar

https://www.schiit.com/products/lokius
O Hi-Fi Planet não vende produtos. É muito fácil comprar direto do fabricante e com a certeza do melhor preço.

Nossas Fotos
Imagens reais do aparelho testado para confirmar que o tivemos aqui de fato, inclusive com destaque do número de série da unidade testada.
Não são fotos tecnicamente maravilhosas… mas…

Schiit Lokius

Schiit Lokius

Schiit Lokius

Schiit Lokius

Schiit Lokius
Componentes de qualidade (relés japoneses e plugs com conexões banhadas a outro)

Schiit Lokius

Schiit Lokius

Fotos do fabricante
Melhor qualidade.

Schiit Lokius

Schiit Lokius

Schiit Lokius
Componentes de qualidade.

Schiit Lokius

 

 

7 Comentários

  1. Amigo Edu !! Tudo bem meu caro?

    Muito tentador este controle. Acho que vou arriscar um.

    Obrigado por mais essa novidade.

    Abraços

  2. Grande Eduardo,

    Mais um grande review.

    Claro que o Lokius tem mais precisão de ajustes (tem 2 bandas a mais de controle), mas você viu uma superioridade notável sobre o Loki Mini+?

    Você também percebeu se ele funciona bastante quente? Pergunto isso porque o Loki Mini+ aquece mais do que o meu integrado, mas o Lokius tem aberturas no gabinete para ventilação.

    Um grande abraço,

    Helio

  3. Caro Helio
    Obrigado por sempre prestigiar este humilde espaço.

    Em termos de desempenho, os dois modelos são muito parecidos. Eu colocaria os dois no mesmo patamar de qualidade.
    Sinceramente eu não reparei quanto à temperatura. Ele foi instalado num vão estreito da estante e todo o contato posterior com ele foi através dos controles frontais. Não cheguei a tocar na caixinha dele, mas vou checar isso.
    Além disso, o meu rack possui ventilação forçada, o que proporciona um fluxo de ar constante em torno de todos os equipamentos, mantendo-os bem ventilados e com temperaturas mais baixas.
    De qualquer forma, eu não me preocuparia tanto com isso, pois o fabricante deve ter testado bastante o aparelhinho e considerado a temperatura de trabalho dentro da normalidade.

    Grande abraço

    Eduardo

  4. Caro Eduardo,

    Eu perguntei isso para a Schiit. A resposta é que ele funciona normalmente entre 40°C e 45°C.

    Acho a temperatura alta.

    Um abraço,

    Helio

  5. Boa noite Eduardo, aprecio muito e leio sempre as postagens desse site. Parabéns pelas abordagens sempre muito elucidativas e que muito me tem ensinado sobre este encantador mundo da música e aparelhagens de som. Li e gostei muito dos artigos sobre equalizadores, que estou pensando em comprar um. Li também sobre o teste do aparelho de controle de tonalidade e me bateu uma dúvida. Já tive equalizador, nos idos da décadas de 60 e 70 e estes aparelhos tinham controle individual para os canais direito e esquerdo, o que não ocorre com esse da Lokius. Qual sua opinião sobre isso.? Recentemente fiz uma audiometria e no meu ouvido esquerdo apresentou uma deficiência, por isso minha dúvida. Um grande abraço, parabéns, fique com Deus.

  6. Olá Gerson

    Obrigado pelas suas considerações a este trabalho.

    Bons tempos estes dos equalizadores, hein? Éramos felizes escutando o som ao nosso gosto ou readequado às nossas necessidades. O problema era a qualidade deles que era ruim.
    Uma pena que a audiofilia migrou para equipamentos “high-end” de melhor desempenho e se esqueceu dos equalizadores.
    Criou-se a ilusão do “flat” e o mundo do áudio de alta fidelidade acabou engolido por essa fraude auditiva.

    Você ficaria surpreso em saber como as nossas curvas auditivas são realmente desequilibradas com mais frequência do que se imagina, e acertar isso vai desde soluções simples até soluções mais sofisticadas.
    O que eu busquei neste produto avaliado foi uma solução mais simplificada e acessível, e o que me agradou é que este aparelho pode chegar bem próximo de um bom resultado e mantendo as característica de desempenho de um sistema de alto nível.
    Claro que chegar próximo a um bom resultado não significa atingir um resultado ótimo, o que requer soluções um pouco mais complexas e dirigidas.

    Você está correto na sua percepção. Sua pergunta foi bem colocada, porque há realmente uma diferença na forma de aplicação deste dispositivo.
    Em artigos anteriores eu abordo outras técnicas para atingir um resultado mais preciso na correção da curva de um sistema, aqui temos uma solução mais simplificada que, porém, pode ser um pouco mais aperfeiçoada como mostrarei adiante.

    Se você aplicar o Lokius como um “pacote pronto” ao seu caso, realmente vai ter um resultado não totalmente satisfatório, pois, se você ajustar a curva para o seu ouvido esquerdo pelo canal esquerdo do sistema, também afetará as informações do canal direito, no seu caso reforçando uma parte da apresentação musical onde você não experimenta perda de sensibilidade.
    Porém, por outro lado, como eu disse, a solução “perfeita” requer muitos outros cuidados que já abordei em outras oportunidades, pois há interação entre os canais, ou seja, não ocorre uma divisão rígida entre eles. Assim, o seu ouvido direito também captará sons do canal esquerdo, e o contrário também vai acontecer, lembrando que o posicionamento de vozes e instrumentos na largura do palco também ocorre pela soma dos canais, ou seja, a voz, quando centralizada, por exemplo, será também afetada pela correção em apenas um canal.

    Neste caso, para um ajuste mais próximo do ideal, seria necessário realizar medições e ajustar tudo para uma condição mais próxima à sua necessidade.
    Particularmente, eu acho que seria de uma complexidade muito maior, e não é essa a intenção de explorar ao uso do Lokius para esta aplicação.
    Mas, você pode usá-lo para realizar algumas correção e melhorar o resultado que, mesmo não sendo o ideal, pode lhe proporcionar uma percepção mais ampla das faixas de frequência. Ou seja, você vai reforçar um pouco, desnecessariamente, o canal direito, mas em troca receberá mais informações do que está sendo oferecido hoje.
    O que é melhor? Cabe à você avaliar e experimentar, porque vai depender muito do grau de perda de sensibilidade, do equilíbrio de seus dois ouvidos, etc.
    Outra solução seria usar dois dispositivos, um para cada canal, ou somente um no canal esquerdo, dependendo da sua curva de audição, já que não tive acesso à ela.
    Seria o ideal? Ainda não, pois como eu comentei, ainda haveria alguma interferência indesejada no espetro, mas, seria uma opção para equilibrar um pouco mais a situação.

    Como você pode ver, esta questão é bastante complexa, mas é ignorada e até combatida por alguns que visam outros tipos de benefícios, normalmente de ordem pessoal.
    Mas, este é um tema que requer muito amadurecimento por parte do mercado, pois o conceito hoje de “sistema ideal” está muito longe da realidade dos fatos.

    Abraço

    Eduardo

  7. Boa tarde Eduardo e muito obrigado pela atenção. Vou pensar em tudo que foi dito para tomar alguma decisão. Mas valeu mesmo!
    Um grande abraço.

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