“Reviews” – Ate onde acreditar neles? – 3ª Parte

Terceira parte do artigo.

Autor: Eduardo Martins

COMO INTERPRETAR OS TESTES?

Os testes de equipamentos devem ser recebidos com bastante reserva, e interpretados cuidadosamente.
Não é difícil extrair informações valiosas destes testes, nem separar o que é verdade do que não é. Basicamente este artigo mostrou onde residem os perigos destas avaliações, e não será mais tão difícil enxergá-los agora por trás das palavras do avaliador.
De qualquer forma, vamos alinhar algumas recomendações:

1. Avalie o interesse que o avaliador pode ter naquela determinada marca. Verifique se ela é anunciante da publicação, se o distribuidor ou fabricante da marca frequentemente recebe pontuações altas em seus equipamentos, se a seção de cartas da revista está sempre repleta de elogios daquele produto, e se em outros testes ele está sempre presente como equipamento auxiliar. Procure perceber o grau de afinidade do avaliador com o responsável pelo equipamento, seja fabricante ou revendedor. Avalie o comprometimento da publicação com os seus leitores, ou seja, até onde ela é um veículo de informação feito para os seus leitores e onde começa a ser apenas um negócio. Muitas vezes a publicação é apenas um dos negócios do empresário, e os demais, relacionados à este, poderá criar uma grande cadeia de influências.
Importante: isto tudo não vai dizer se o teste foi ou não manipulado, apenas indicará uma tendência.

2. Não confie em testes realizados há bastante tempo. A tecnologia evolui rapidamente, e nem sempre um equipamento que recebeu pontuação máxima, ainda que no ano anterior, seria classificado da mesma forma agora.

3. Desconfie dos avaliadores que elogiam sempre determinadas marcas, principalmente com muito subjetivismo e adjetivos exagerados demais. Expressões do tipo “ele é simplesmente fantástico”, “o aparelho toca absurdamente bem”, “o concorrente tomou uma lavada deste”, “aquele aparelho é muito vagabundo”, “quase caí de costas com o que eu ouvi”, “maravilhoso”, “sensacional”, “eu o compraria pra mim”, etc. não devem fazer parte de uma avaliação séria. O avaliador jamais deve demonstrar ou exagerar nas emoções, mesmo que verdadeiras. Nem sempre o que é surpreendente para o avaliador poderá assim ser para o leitor. Por isso, a subjetividade e o exagero nas expressões podem servir mais para induzir o leitor do que para informá-lo.

4. Não releve demais informações do tipo “inúmeros reviews lá fora confirmam esta opinião”. Todos aqueles reviews podem estar errados, como já vi acontecer. Além disso, é comum resultados de testes serem bem diferentes.

5. Desconfie do “não existe nada melhor do que isso”. A tecnologia está aí para todos, e não raramente encontramos aparelhos bem semelhantes, tanto em construção como em resultado final. Além disso, como já vimos, o rendimento de um equipamento muda muito dependendo de suas condições de uso.

6. Desconfie muito de quem elogia bastante determinado aparelho e depois de algum tempo o coloca à venda. Se ele não o ganhou para o teste, provavelmente não lhe agradou tanto assim. Isso também não é regra, é apenas mais um elemento auxiliar de convencimento.

7. Procure saber quem patrocina ou paga os anúncios em revistas, eventos, sites, fóruns, etc. Veja se eles têm alguma ligação com o aparelho avaliado, ou algum tipo de interesse nele.

8. Observe se o avaliador possui uma atividade principal bem distinta do áudio e vídeo, ou se o áudio e vídeo é seu único negócio. Não há nada demais em fazer do áudio e vídeo sua única atividade, mas ela poderá ser encarada unicamente como um negócio, com as suas implicações naturais.

9. Tente descobrir se o aparelho avaliado foi comprado, no caso de uma revista ou site, ou emprestado para a realização do teste. O ideal é que a revista adquira seus aparelhos em lojas comuns do mercado varejista ou do distribuidor, sem identificar-se. No caso de fóruns e grupos de discussão, procure observar se o aparelho testado pertence ao avaliador. A tendência é que o particular, dono de um aparelho, elogie suas qualidades, e ignore eventuais defeitos.

10. Observe em fóruns se o avaliador de determinado equipamento pertence a clubes específicos do modelo ou da marca, ou se elogia qualquer coisa produzida por determinado fabricante ou distribuidor. Existe um sentimento de “torcida” ou “competição” por parte de algumas pessoas, e isso pode influenciar qualquer julgamento.

11. Preocupe-se em ter informações confiáveis sobre a durabilidade e a confiabilidade dos aparelhos. Em alguns mercados os fabricantes informam o MTBF (tempo médio entre falhas) e a vida útil estimada dos seus equipamentos. Uma avaliação deve se preocupar também com as características construtivas do aparelho. Claro que um equipamento bem projetado e construído pode também apresentar problemas, mas sabemos que equipamentos produzidos com baixa qualidade estão muito mais sujeitos a falhas e pouca durabilidade.

12. Observe sempre em que condições o teste foi realizado. Alguns problemas mencionados pelo avaliador nem sempre são do aparelho testado, mas causados por outros fatores externos, como rede elétrica, acústica do ambiente, falta de compatibilidade com os equipamentos associados, etc.

13. Veja se o avaliador tem realmente condições para fazer um teste sério. Muitos não conseguem perceber variações claras, ou sequer têm certeza do que deve ser observado em cada caso.

14. Não dê muita atenção a pontuação com faixas de numeração muito alta, se não houver um critério claro para isso. Se não for possível identificar porque um aparelho, por exemplo, recebeu nota 8 em vez de 7 num teste de qualidade sonora, ignore este número. Mesmo porque, como já mencionei, a tecnologia evolui constantemente, e se o critério não for bem elaborado logo o avaliador será obrigado a dar notas 11, 12 ou outras acima da faixa estabelecida para compensar essa evolução, criando uma grande confusão. A pontuação deve estar atrelada a critérios, ou poderá ter pouca validade em termos de precisão.

15. O ideal é que houvesse uma norma internacional para avaliação de equipamentos de áudio e vídeo. Como isso não existe, todo critério é subjetivo e pouco preciso. Considere o resultado como algo válido apenas para aquele teste.

16. Como última recomendação, sugiro que um teste seja apenas informativo. Extraia dele as especificações e características técnicas de cada aparelho. Veja se ele está na faixa dos aparelhos que está procurando. Tente testá-lo em seu sistema, ou pelo menos na loja. Leve seus discos, e não confie nos discos disponíveis na loja, pois normalmente foram cuidadosamente selecionados para destacar os pontos positivos do aparelho em questão. Leia as opiniões pessoais em sites específicos, e trabalhe com a média das opiniões, desprezando os extremos. Assim também devem ser tratados os reviews. Leia todos e faça uma avaliação média, desprezando os extremos. Se for o caso, não compre as novidades, aguarde um pouco até que outros comentem sobre as suas qualidades. Entre em sites de reclamação, faça uma busca sobre a marca, a assistência técnica, sobre os problemas que determinado modelo vem apresentando, e a postura do fabricante ou distribuidor para lidar com essas situações.
Não tenha pressa, mas tenha bastante cautela. Não acredite em tudo que é escrito.
E, por último, jamais acredite cegamente num review. Jamais tome um review como sendo a mais pura expressão da verdade para todas as situações, pois ele não é.

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