O Cabo de Força como o “Elo Mais Fraco”

Será que o cabo de força pode ser considerado o elo mais fraco de um sistema sem considerarmos outros fatores relacionados?

Outro dia li numa revista “especializada” de áudio uma resposta do seu editor para um leitor dizendo que “o cabo de força não deve ser desprezado, pois como todos os elos de um sistema, não pode ser mais fraco que os demais por onde o sinal de áudio caminha”.

Primeiro, vamos desprezar a informação por ele dada de que o sinal de áudio caminha pelo cabo de força, até porque o que circula pelos condutores são sinais elétricos, e não sinais audíveis.
O cabo de força não está no caminho de nenhum “sinal de áudio”, e quem se presta a informar, deve informar-se primeiro.

Outro ponto que merece a nossa atenção é essa cultura do “cabo de nível” que é alimentada de forma revoltante por aqueles que precisam valorizar produtos para os mais diversos fins.

Já comentei aqui que um cabo corretamente construído, observados os mínimos parâmetros técnicos de aplicação e materiais de boa qualidade, é capaz de atender muito bem às demandas dos equipamentos de áudio, de naves espaciais, de transmissores de telefonia, de televisores de alta definição e até equipamentos médicos de altíssima precisão e confiabilidade.
Se trocarmos o cabo de força de um computador, ele vai ficar mais rápido, abrir os programas com maior velocidade ou executar as operações com maior precisão?
Como sempre, é no áudio high-end que encontramos este tipo de fantasia inútil (pelo menos para o consumidor).

A troca de um cabo pode mudar o som? Sim pode. Mas, e daí, qual é o som que se procura? Garanto que 99% dos audiófilos desconhece esta resposta, simplesmente porque para saber o som que procura deve saber primeiro qual o som que ouve, e a grande maioria dos audiófilos não tem a menor idéia sobre o comportamento de seus ouvidos.

O cabo mais caro será sempre melhor que o mais barato? Não, jamais. E na maioria dos casos o aumento de preço é puro marketing.

A verdade é que o consumidor se encanta com a embalagem cheia de glamour, com aqueles enormes conectores robustos e com aquelas capas grossas normalmente utilizadas.  Nada disso agrega alguma coisa em termos de benefício sonoro.

Será que o cabo de força feito com ligas de metais “especiais”, com capas isolantes de material usado para revestir panelas, banhado em óleo de tubarão, fornecido com conectores com capas gigantes e metais nobres, dentro de caixinhas de mogno forradas com veludo vermelho e dobradiças em ouro vai se mostrar o cabo ideal para um sistema sofisticado?
Já sabemos do editor que tentou mostrar a superioridade de um cabo caro sobre outro comum de computador, se confundiu com qual estava instalado e elogiou alegremente o cabinho de computador.
Se nem ele conseguiu perceber o engano, será que as diferenças são tão perceptíveis assim como sugerem?

É preciso saber que, ao tentarmos estabelecer o tal “equilíbrio dos elos de um sistema”, o cabo de força pode estar sendo superestimado nesta equação, e as razões são bem simples.

Sempre que eu avalio algum equipamento (desconfie de avaliadores de equipamento – nós na verdade não podemos ser tão conclusivos assim), procuro abrí-lo, porque mais importante do que a embalagem, a aparência externa do produto e o que o fabricante afirma de suas qualidades, é aquilo que eu vejo em seu interior o que me diz muito sobre ele. Essa é a vantagem de possuir uma boa formação técnica.
O que mais observo é quanto curioso é ver a importância exagerada de um cabo de força, que depois da corrente elétrica viajar muitas vezes centenas ou milhares de quilômetros para chegar a nossa residência, passar pelos fios dos postes e pelos transformadores de baixa qualidade de nossas redes elétricas, ultrapassar fusíveis e disjuntores muitas vezes também de baixa qualidade, é um cabinho de 1 metro que vai mudar toda a história.

Alguns podem dizer que a água que chega em nossas casas passa por muitas estações de tratamento e tubulações, mas é num filtro de 15 centímetros que ela se torna mais pura. Porém, um cabo não é um filtro, por mais que alguém queira se (ou te) convencer disso.
Mas, ainda não é esse o ponto onde quero chegar.

Apesar de todo o cuidado com a escolha do cabo elétrico do aparelho, como se ele fosse realmente capaz de mudar toda a história, é justamente dentro do aparelho onde encontramos um novo “elo”, que também deveria ser considerado.
Já abri muitos equipamentos de áudio, aliás, faço isso desde 1977 quando já montava e consertava aparelhos de comunicação, som e TV.
Quem imagina que os modernos equipamentos de som high-end são, na sua maioria,  fabricados internamente com componentes que possuem os mesmos “cuidados” sugeridos nos cabos de força, engana-se profundamente.

A corrente elétrica, depois de viajar centenas ou milhares de quilômetros até a nossa residência, passando por toda sorte de cabos, conexões, transformadores, chaves de baixa qualidade ou de qualidade comum, a corrente então passa pelo nosso cabinho de força, feito com fios de cobre com 99,9999999% de pureza (como de 99% não bastasse) acrescido de 0,00001% de prata e outras ligas secretas que nesta proporção afirmam fazer toda a mágica, dentro de capinhas de teflon especialmente coloridas e terminais de conectores banhados a ouro.
Depois de passar por este super cabinho de 1 metro, a corrente elétrica entra no aparelho, em conectores que normalmente já não são de nenhum material nobre, passando por pedaços comuns de fios para chegar aos transformadores, estes feitos com muitos (coloca muitos nisso) metros de fios de cobre muitas vezes bem comuns, e revestidos com um esmalte barato (nada de isolantes esotéricos).
Ao deixar o transformador, a corrente passa a circular por trilhas de cobre comum das placas de circuito impresso, passando por outros tantos fios de qualidade ordinária, terminais de componentes feitos de cobre ou até de aço revestido para aderir a solda (não pense que os fabricantes utilizam soldas de liga de prata como adoramos imaginar). A corrente elétrica ainda trafega por trilhas de carbono de potenciômetros com contatos de mola de latão, fusíveis com capinhas de latão cromado e elementos de estanho e chumbo, e chaves também feitas com terminais de latão.

Então, questiono agora, como se posiciona o cabo de alimentação como “elo” desse sistema?

Seria este 1 metro de cabo entre centenas ou milhares de quilômetros de instalações elétricas de cabos de rede, e mais muitos metros de fio, trilhas de cobre e terminais dentro do equipamento tão importante assim como elo do sistema?

Vou relatar agora as minhas experiências com cabos de força… o que entra neles é o que sai, com raríssimas interferências, pouco perceptíveis e que não possuem qualquer relação com marca, modelo ou preço. Sim, já testei inúmeros cabos de força e esta é a realidade.

Como o cabo de força é mais um item que pode se tornar um acessório, e ser vendido com formulações “místicas” e preços inexplicavelmente elevados, torna-se mais um alvo na busca de lucro fácil neste nosso universo da audiofilia.
Portanto, pense muito bem antes de investir num cabo de força caro, porque o elo realmente importante pode estar antes ou depois dele, e ninguém te conta isso.
Existem formas mais inteligentes de gastar o seu dinheiro num sistema de som.

 

Antes que mais uma vez tentem distorcer o que eu digo, não estou afirmando aqui que cabos de força não são diferentes, e que um cabinho ruim deve ser usado sem qualquer restrição.
O que sugiro aqui é que, como um “elo fraco de um sistema de som”, o cabo de força deve ser visto com bastante cautela, considerando o seu papel bastante limitado, e que o preço do cabo não está diretamente ligado ao seu valor na grande maioria dos casos.
Em resumo, há um grande exagero em torno do cabo de força, reforçado pelo tratamento glamouroso que ele recebe de muitos fabricantes, que o apresenta como um “jóia rara”, com preço também equivalente aos adornos mais preciosos, mas sem qualquer razão de custar tanto.

18 Comentários em O Cabo de Força como o “Elo Mais Fraco”

  1. Caramba !!!
    Eu estava lendo as novidades do blog que há dois meses eu não entrava, e apareceu esse tema enquanto eu navegava aqui.
    Que feliz coincidência ! Acho que fui o primeiro a ler.
    Concordo cem por cento com tudo que está aqui. Sou engenheiro de aviação, trabalho (numa empresa de projeto e fabricação de aeronaves), e garanto que existe muita lenda sobre esse negócio de cabos audiófilos. Nem para projetar aviões temos tanta frescura assim com cabinhos chiques.
    Sou audiófilo há mais de 40 anos, e cansei de ver imbecilidades de todo tipo tomar conta deste hobby nos últimos anos.
    A audiofilia como hobby de ouvir música com qualidade deu lugar à paixão por equipamento. Não se fala mais de música, mas só de equipamentos que fazem milagres que ninguém nunca vê.
    O equipamento deixou de ser o meio para ser o fim.

    Cabos ruins podem prejudicar o som, mas normalmente as conexões são as maiores culpadas. Usamos conexões de alta qualidade até porque não dá para brincar com um avião, mas não tem esse glamour, essa frescura e nem esse preço do que é vendido para audiófilos, e garanto que os de aviação são bem melhores.
    Cabos caros são uma puta frescura. Paga-se pelo status, mais nada.

    Um bom cabo de força, dependendo do local blindado, com um conector de boa qualidade, não fica a dever a nenhum cabo de força caro com selo “Audiophile Grade”, e custa tão pouco que ninguém precisa se preocupar com o orçamento do mês.
    Eu garanto e provo para qualquer um que duvide que um cabo que monto de 200 reais vai funcionar perfeitamente e tão bem que qualquer cabo importado de milhares de dólares. Não estou brincando, eu provo isso.
    Se num teste cego com o mais experiente audiófilo ele conseguir identificar a diferença, pago o cabo dele dez vezes. Sério.
    Já cansei de fazer estes testes com os amigos, e ninguém sabe dizer qual é qual. Até acertam algumas vezes, mas erram outras tantas provando que é acaso mesmo.

    Alguém topa o desafio? Duvido !

    Como posso enviar um material técnico e alguns artigos sobre esse assunto?

    Meu respeito e admiração.

    Josito

  2. Olá Josito,

    O objetivo aqui foi discutir o papel do cabo de força como um elo fraco do sistema, dentro de um contexto de alimentação elétrica como um todo, desde o fornecimento pela concessionária até os caminhos dentro dos equipamentos.
    Este é um tema bem amplo, e é sempre tratado em dois extremos, mas nunca ponderado da forma como deveria ser.

    Sobre a qualidade de cabos high-end, tenho um farto material aqui fruto de muitas pesquisas sobre o assunto, e que deverá ser objeto de outro artigo.
    Só posso adiantar que as conclusões são desanimadoras, e em alguns casos, estarrecedoras, pois muitas amostras nem chegam perto das qualidades apontadas pelos fabricantes.
    Alguns depoimentos que consegui junto a fabricantes e distribuidores/revendas, reforçam esta decepção.

    Pode encaminhar suas contribuições para o nosso e-mail informado na aba CONTATO, logo abaixo do cabeçalho deste site. Tenho muito interesse nesse material.

    Desculpe, mas excluí o nome da empresa onde trabalha até por razões de segurança, já que este é um site aberto.
    Se quiser manter o nome da empresa, não tem problema, volto a incluí-lo, apenas peço que me envie uma comprovação que o Sr. trabalha nela ou o seu ramal de contato, já que eu também presto serviços para esta empresa.

    Agradeço a sua participação e colaboração.

    Abraços

    Eduardo

  3. Se soubessem que fios um conhecido fabricante usa em seus cabos hi-end vendidos a preço de ouro no mercado, ficariam desanimados com a situação.
    É vergonhoso. Cabo hi-end feito com fios nacionais de 3,50 reais o metro, que depois de encapados e de receberem um conector bonitinho, passam a custar alguns milhares de reais.
    OK, o cabo é dele e ele que venda pelo preço que achar melhor, tem quem compra.
    O que não é certo é dizer que trata-se de um metal condutor de uma liga secreta mantida a sete chaves…

  4. Vocês podem omitir o meu nome da mensagem? Ele vai saber que fui eu quem comentou e vai ficar chateado comigo.
    Obrigado pela compreensão.

  5. Boa tarde,

    Alterei o seu nome visível para “Leitor”.
    Mas, não vejo porque alguém pode ficar chateado com você por estar sendo honesto. Quem erra é quem deveria ficar chateado consigo mesmo.

    Abraço

    Eduardo

  6. Eduardo, bom dia.
    Mais uma vez, parabéns pelo artigo publicado, que desmistifica muita bobagem que se tem escrito em revistas digitais e em alguns sites.
    Poucos meses atrás, a revista eletrônica CAVI “analisou” um equipamento da Luxman, tecendo-lhe grandes elogios. E quase ao final do texto, o editor diz que quando trocou o cabo de força, o aparelho subiu muitos degraus na qualidade. Entâo: se equipamento tinha altas qualidades, precisaria de um cabo de força avulso para chegar a uma qualidade melhor? Será que os engenheiros e projetistas da Luxman são tão estúpidos a ponto de construírem um equipamento de alto nível e se descuidarem da qualidade de um simples cabo de força?
    É incrível como tentam ludibriar o consumidor com tanta bobagem.
    Li, muito tempo antes dessa “análise” um artigo seu deste mesmo hifiplanet, em que você mostra detalhadamente como construir um cabo de força de alta qualidade com custo muito aceitável.

  7. A propósito: a revista eletrônica da CAVI deste mês (só leio porque é gratuita- já comprei a revista impressa no passado, mas depois de ler tanta besteira, deixei de comprá-la) tem um texto do editor falando sobre “elo fraco”. E tenta, mais uma vez, por meio de exemplos descabidos, convencer o leitor sempre com o mesmo objetivo: de que este gaste seu dinheiro sem pestanejar. Lamentável.

  8. Olá Luiz,

    Obrigado por mais uma vez prestigiar o nosso humilde espaço.

    Este ponto que você tocou é muito importante.
    Todos sabem a guerra que travam os fabricantes para aparecerem no topo das listas mais conceituadas de publicações e sites especializados.
    São aparelhos que custam milhares e milhares de dólares, mas o fabricante deixa de colocar um cabo ou um fusível de 50 dólares e perde a oportunidade de ter o equipamento dele bem posicionado, depois de gastar fortunas em desenvolvimento e componentes.
    Será que o consumidor que paga US$ 30.000 num amplificador top de linha não pagaria US$ 30.050 para ter um produto com um salto “gigantesco” de qualidade.

    Algumas vezes a impressão que tenho é que o mercado nos considera idiotas.
    Como podem testar um produto tão caro e dizer que ele deu um salto enorme com a troca de um cabo de força ou de um fusível? E eu já sei que estes que tanto defenderam a troca de fusíveis no passado hoje testam os equipamentos sem substituí-los.

    Será que o fabricante é capaz de aplicar toda a sua engenharia num produto de ponta e não sabe que o cabinho que ele usa limita o desempenho do seu equipamento?

    Será que o projetista de uma Ferrari fornece pneus de baixo desempenho para o seu modelo? Ou seja, vende um esportivo que chega a 300km/h mas na verdade ele não consegue passar dos 150km/h por uma limitação dos pneus?
    Ou será que ele vende a Ferrari dizendo que ela só chega a 150km/h, mas alguém descobre que trocando os pneus ordinários dela consegue chegar aos 300?

    Estamos falando de produtos hi-end, que pagamos muito caro por supostamente agregarem o máximo desempenho possível.

    Como eu gostaria de fazer um de meus testes “pegadinha” ou cego com esse pessoal. Se bem que já teve um que caiu em contradição numa palestra confundindo o cabo que estava instalado, e elogiou um cabinho barato de computador.

    As verdades vão aparecer com o tempo. Hoje mesmo um colega publicou no Clube Hi-End um cabo de marca bem renomada deteriorado com o tempo, e outro de marca popular em excelentes condições.
    Esse negócio de cabos OFC, com 99,9999999% de pureza, com 0,0001% de prata, etc… etc…. etc…. é algo que conseguimos comprovar? É fácil divulgar coisas que ninguém pode confirmar, ou pior, nem perceber ganhos de fato.

    Porque os televisores de altíssima resolução 4K, com super-circuitos de alta tecnologia para extrair o máximo de qualidade de imagens não são fornecidos com cabos hi-end? Porque ninguém sugere esta possibilidade?
    A resposta é simples… porque você VÊ o resultado. Não tem nada de subjetivo. Se a imagem ficou mais limpa e precisa, qualquer um poderá ver e confirmar isso. Mas, não é o caso. Por isso não existem exageros como estes em computadores, televisores, etc.
    Em áudio o “subjetivismo” abre um amplo espaço para que as coisas mais absurdas ganhem vida.

    Novamente, não estou questionando se existem ou não diferenças entre cabos de força, mas a forma como isso é colocado, com exageros, sem critérios, com relatos longe da realidade e preços que jamais justificaria o investimento no produto.

    Grande abraço,

    Eduardo

  9. A mencionada revista termina o editorial do número de início de ano desejando “um 2017 cheio de upgrades!”

    Causa-me estranheza que uma alma fixe como meta um ano “cheio de upgrades”.

    Desejo editorial?

  10. Olá Eduardo
    Vou arriscar a fazer um comentário que me parece pertinente e que gostaria de saber a sua opinião.
    Os musicos que afinal são os artistas que nos dão as suas gravações nos diversos formatos, cd, vinil, sacd, bluray video, bluray audio, etc, utilizam nos seus instrumentos electrónicos cabos de ligação por exemplo das suas violas aos amplificadores, dos amplificadores, sintetizadores, orgãos elétricos e outros às tomadas de rede, passando pelos microfones, cabos de preços exorbitantes?
    Todos os cabos por eles utilizados são de construção simples e de preços perfeitamente normais raramente ultrapassando os 15 a 20 euros.
    Assim, fará sentido depois na reprodução dessas gravações nos nossos equipamentos de audio gastarmos fortunas em cabos?
    Fica o pensamento!

    Cumprimentos

    José Santa

  11. Há muitos anos eu sugeri para o editor de uma revista de áudio fazer um teste cego com alguns cabos que eu tinha disponível.
    Ele me respondeu (e tenho o email até hoje para provar)que teste cego era “pouco conclusivo”, pois, pasmem, “os ouvidos demoram algum tempo para se adaptarem às mudanças, e testes cegos não permitem o tempo necessário para isso”.
    Dá pra acreditar nisso?
    Para quem costuma dizer que a troca do cabo de força provocou um salto IMEDIATO no desempenho de um equipamento testado que muitas vezes surpreendeu alguns “amigos” presentes, é algo bastante esquisito, não acham?

    Minhas experiências com cabos de força se resumem numa única conclusão: Cabos de bitola adequadas de cobre de boa qualidade não apresentam qualquer diferença audível para cabos mais caros, esotéricos, audiófilos, audio grade, feitos com banha de baleia azul ou sei mais lá o que.
    Conectores (plugs) sim apresentam maiores diferenças com algum tempo de uso. Um conector de latão cromado tem o mesmo desempenho de um feito em prata pura quando novos. Com o tempo as diferenças começam a aparecer e aí tenho duas sugestões, ou programe para fazer uma limpeza preventiva periódica e reestabeleça a qualidade, ou use um plug com contatos banhados a ouro, que não custam caro, só os de grife custam.
    O resto é bobagem e desafio alguém que diga o contrário para fazer o teste cego comigo.
    Em tempo, sou engenheiro elétrico e atuo justamente na área de condutores elétricos e portanto, não me venham com achismo ou subjetivismo barato.
    Um bom dia a todos.

  12. O comentário que fiz foi a respeito da edição 218, em que o aparelho analisado é o preamplificador Luxman CL 38 U. Vejam o que está escrito neste parágrafo:
    “Mas para todo esse resultado chegar ao limite do superlativo,
    você precisará de um upgrade do cabo de força original de fábrica
    para o PowerLink MM2 da Transparent: a diferença foi como passar
    de algo de ótimo nível para um Estado da Arte beirando quase 100
    pontos em nossa metodologia! Se eu fosse o fabricante, eu nem
    mandaria esse produto com cabo original. Deixaria o consumidor
    descobrir seu cabo ideal. De todos os equipamentos que testei nos
    últimos anos, o CL-38u foi o que mais cresceu com a troca do cabo
    de força. São muito mais que audíveis as diferenças, tanto que minha
    filha de sete anos e sua amiguinha, que estavam desenhando
    na sala do sistema, notaram e comentaram: “o que aconteceu com
    o som, que ficou mais claro e maior?”

  13. “Mas para todo esse resultado chegar ao limite do superlativo,
    você precisará de um upgrade do cabo de força original de fábrica
    para o PowerLink MM2 da Transparent”

    Parece que só o pessoal da Transparent foi capaz de fazer um cabo “perfeito” para este equipamento.

    Mais curioso ainda foi a historinha da filha e da amiguinha… com sete anos as meninas já conseguem identificar diferenças de cabos de força. Incrível !

    Acompanho a opinião de alguns leitores sobre desejar muito ver um sujeito desse participar de um teste cego. Mas, como ele disse, as diferenças num teste cego demandam algum tempo para serem assimiladas, ao contrário da filha e da amiguinha que imediatamente se manifestaram em coro com a troca do cabo.

    Enquanto isso, tem gente que numa palestra de curso conseguiu se confundir com um cabo de computador.

    Sabe, é esse tipo de coisa que desanima.
    Enquanto dependermos exclusivamente do subjetivismo utilizado por estas publicações, ficaremos sempre sem qualquer informação mais precisa sobre o real desempenho de cada produto. O “achismo” sempre vai superar a razão, e o pior, pode ser moldado conforme o interesse.

    Grande abraço, Luiz.

  14. Olá Danilo,

    Obrigado pelas suas ponderações.
    Concordo com você que testes cegos comparativos, mesmo não sendo o ideal, superam qualquer avaliação subjetiva individual.

    Abração

  15. Caro José Santa,

    Realmente isso não faz sentido.
    É por isso que eu tento sempre trazer um pouco de luz para este tipo de discussão, pois o interesse econômico aqui é muito grande, e o consumidor, de um modo geral, acredita facilmente nestas fantasias que o mercado cria.

    Abraços

  16. Muito se tem falado sobre esta matéria. No artigo construa um cabo de força, o autor refere a colocação de núcleos de ferrite nas extremidades dos cabos. Li noutro artigo, escrito por um engenheiro ligado ao áudio!!! que os núcleos de ferrite não devem ser colocados nos cabos de força porque induzem harmônicas no sistema. Gostaria de ser elucidado se o ferrite beneficia em algo este tipo de cabos. Grato

  17. Olá Mapisoco,

    Existem alguns aspectos onde não há um parecer definitivo, e este é um deles.
    Já li opiniões contra e a favor. Mas, na prática, não notei qualquer diferença, seja “de ouvido”, seja medindo com equipamentos de teste. Nada foi tirado ou acrescentado em meus testes.
    Porém, já vi muitos fabricantes sérios e grandes como Panasonic, Sony, Philips, etc. usarem estes núcleos nos cabos de alimentação de seus produtos (mesmo em CA – corrente alternada). Não acho que eles iriam incluir este recurso e aumentar o custo do produto desnecessariamente.
    Talvez em condições bem específicas eles tragam algum resultado positivo.
    Eu uso em meus cabos, até porque são muito baratos. Só ficam caros se um fabricante de grife utilizá-lo como a “grande sacada” de seu produto.

    Abraços

    Eduardo

  18. Adorei o site de vocês! Parabéns!

    Acabei descobrindo esta página ao procurar mais sobre essa história de cabos de força. Monto meu próprio equipamento (sempre com válvula) e não entendo como o fio elétrico de força iria alterar algo. Talvez com circuito transistorizado?

    Com válvula realmente não encontro uma razão de ser. E nos manuais e esquemas antigos ninguém fala nada do assunto. Nem no enorme (e às vezes complexo até não dar para entender) Radiotron’s Handbook.

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