Minha Experiência com Cabos

Falando sobre cabos…

Mauro Martins

Olá, espero que gostem deste meu texto, pois não tenho prática na formatação dos mesmos. Vou contar-lhes algumas das minhas experiências com cabos.

Comparado aos audiófilos antigos, tenho pouca experiência na audiofilia, mas o suficiente para contar-lhes um pouco de fatos que aconteceram comigo sobre estes produtos cheios de mistérios que são os cabos.

Minha primeira grande experiência com cabos foi com o meu primeiro equipamento Hi-Fi, de uma marca bastante conhecida, que apresentava muita sibilância (uma falha na reprodução dos agudos que causa uma acentuação notada principalmente na pronúncia do “s”), e aquilo me deixava bastante agoniado, eu estava naquele momento usando aqueles cabos “flamenguinho”, (aqueles preto e vermelho facilmente encontrados qualquer loja de eletrônica e instalação de som) e nunca imaginava que isso iria mudar de uma hora para outra.

Relatei o problema da sibilância para um grande amigo meu, audiófilo com mais de 40 anos de experiência no hobby. Ele me disse que poderiam ser os cabos que eu estava usando no meu sistema os causadores do problema! Ué, morri de rir e depois, respeitando a grande experiência do meu amigo, me indaguei, cabos? Pois é, ele saiu da casa dele, uns 18 quilometros da minha, e veio me mostrar um cabo de caixa de uma marca famosa, top de linha até hoje, tocando no meu sistema. Nossa! aquilo pra mim foi o máximo, meu equipamento começou a tocar sem sibilância e mais macio, foi o suficiente para eu começar a tratar os cabos com mais propriedade. Deste pequeno teste, começou a minha peregrinação atrás do Cálice Sagrado dos Cabos. Detalhe, quando soube do preço do cabo, quase cai de costas, ele custava quase o meu sistema inteiro, como poderia?

O que seria o tal Cálice Sagrado dos Cabos? Na minha opinião são aqueles cabos que fazem o sistema de áudio tocar o melhor que ele pode e, se possível, o mais perto do som ao vivo. Tocar igual ao som ao vivo? Falarei mais adiante sobre isto.

Meu sistema era composto de pré-power transistorizados, e por uma sorte do destino comprei deste mesmo amigo meu, por uma bagatela, os meus valvulados que tenho até hoje. Com estes novos equipamentos, a coisa de cabos ficou realmente séria, e minha procura pelo Cálice Sagrado dos Cabos ficou mais intensa.

Testei muitos e muitos cabos, falo de cabos de interconexão e de caixa, já que ainda não tinha me atrevido a testar cabos de força. A cada cabo de interconexão e de caixa que eu testava eu ouvia um som diferente, o piano soava diferente, as vezes mais áspero e as vezes mais macio. Claro, eu queria chegar naquele cabo que realmente, como todos os audiófilos procuram, tocasse o mais perto do som ao vivo, ou pelo menos o imitasse. Porque imitasse? Na minha opinião, estamos muito longe de reproduzir som ao vivo eletronicamente com a mesma força e dinâmica do som ao vivo de verdade, utópico e longe de acontecer. Mas, podem ter certeza, como todo e qualquer audiófilo, aquilo me fascinava, eu vivia por conta de achar os tais cabos, parte do meu tempo era destinado a testar cabos e mais cabos e muitas das vezes até comprá-los. Quem não gostava muito da idéia era minha querida esposa, pois sabemos que cabos são produtos que realmente pesam no bolso e para ela aquilo não era prioridade, mas como boa companheira que é, me ajudava, mesmo contrariada, a escolher os melhores cabos ou descartá-los.

Numa determinada época, faz alguns anos, fui um dos primeiros de vários fórums de áudio aqui do Brasil a expor com determinação que cabos de interconexão e caixa faziam diferenças, ainda não me adentrava em assuntos referentes a cabos de força pois não tinha o conhecimento sobre eles. Eu era considerado uma das pessoas mais controvertidas dos fórums, pois para eles onde já se viu cabos fazerem diferenças? Baseado em que teoria? Poucos, naquela época, acreditavam naquilo que eu falava. Imaginem as discussões fervorosas que arrumei na época, mas com o passar do tempo, de tanto eu bater na tecla, muitos começaram a fazer testes e os cabos finalmente ganharam força, e me lembro bem que foi um grande BUM na compra de cabos para melhorar os seus respectivos sistemas.

Um dos fatos mais interessantes foi realmente com cabos de força. Acreditem, eles realmente fazem diferença, principalmente no refinamento e na problemática dos graves, dificeis de serem domados. Já tinha testado vários cabos de força no meu player, e sempre fazendo testes quase que cegos, achava que o cabo de força que vinha no player era melhor que os cabos que recebia para testes, mais verdadeiro. Cheguei a comentar isso nos fórums e gerou bastante discussão, afinal, eu que tanto falava de cabos estava indo contra minha própria teoria. Num belo dia, pedi para teste, um cabo de força de um fabricante bastante conhecido aqui no Brasil, e para minha surpresa, eu que não acreditava que cabos de força faziam diferença. O tal cabo de força fez a diferença, muita diferença. Imaginem a polêmica que isto gerou nos fóruns que participava, eu tinha acabado de dizer que cabos de força não faziam diferenças e de repente vinha com a história de que cabos de força faziam diferenças.

Hoje, por todos os fórums de áudio que participo, é quase unânime que cabos realmente fazem diferenças. O problema dos audiófilos, então, reside em achar aquele cabo que realmente seja o Cálice Sagrado dos Cabos para o sistema dele, já que para cada sistema os cabos tocam de forma diferente. Haja paciência para chegar ao cabo correto, haja paciência…

Atualmente os cabos que uso estão no meu sistema há quase dois anos, e acho que cheguei num ponto satisfatório. São cabos relativamente baratos comparados aos cabos de alguns mil dólares, e tocam muito bem, pelo menos no meu sistema. No meu sistema? Pois é, nem sempre o Cálice Sagrado dos Cabos de um sistema o é também em outro sistema. Haja paciência. Pergunta: Achei o Cálice Sagrado dos cabos? A resposta pode ser SIM e pode ser NÃO. SIM, pois meu sistema está tocando muito bem e estou satisfeito com ele do jeito que está, e NÃO porque sei que está longe de tocar como som ao vivo. Pois é, tocar como som ao vivo, como disse anteriormente, é uma utopia.

Embora saiba que cabos façam diferença, conheço pessoas que possuem sistemas muito melhores que os meus e não acreditam e nunca conseguiram ouvir as tais diferenças de cabos. Eu mesmo tenho um parente que só o player dele vale quase que meu sistema inteiro, e ele usa cabos de baixa qualidade, e eu posso comprovar aqui que seu sistema toca magnificamente bem. Sinergia? Macumba? Sei lá, só posso dizer que mesmo sendo quase unânime que cabos fazem diferenças, o assunto ainda é bastante controvertido, tomem o maior cuidado para não tropeçarem nas conversas de corredor.

Depois de tantos e tantos testes e cabos, sabendo que cada detalhe faz diferença num sistema de alta-fidelidade, deixei de ser somente audiófilo. Hoje me considero muito mais um melômano, talvez pelo fato de estar satisfeito com o meu sistema e ter chegado de alguma forma, como dito anteriormente, ao Cálice Sagrado dos Cabos. Minha sugestão para todos é que antes de adquirir cabos, qualquer que seja o tipo de cabo, façam muitos e muitos testes e comparativos, pois pode acabar saindo mais caro do que o necessário, já que o nosso objetivo final é ouvir música, e não ouvir cabos, não é verdade?

Abraço a todos, e bons testes…

(Mauro Martins é um experiente audiófilo de Brasília, e foi o responsável por divulgar na Internet a importância de cabos num sistema de áudio de alta fidelidade. Sua participação neste site se deve pelo respeito à sua contribuição e ao seu conhecimento que, gratuitamente e sem qualquer interesse comercial, colaborou muito com o desenvolvimento do áudio hi-end entre aqueles que buscavam compreender um pouco mais esse fascinante hobby.)

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