Hi-Fi Show 2007 decepciona…

Feito para um público exigente, parece que o evento não recebeu o cuidado devido.

Imagem

Aconteceu de 28 à 30 de setembro o Hi-Fi Show 2007, um evento anual que reúne fabricantes, importadores e comerciantes de equipamentos e acessórios de áudio e vídeo.
O evento, apesar de sua importância, não agradou tanto como nos anos anteriores, principalmente pela organização.
Fui com alguns amigos conferir, e voltamos muito desapontados.

Na chegada ao local, o Palácio das Convenções do Anhembi, encontramos facilmente uma vaga no estacionamento, mas a alegria acabou na entrada do salão de exposições.
Várias filas se formavam na recepção, e ao pedirmos informações à uma segurança na entrada, fomos grosseiramente informados que nossos “convites” deveriam ser trocados por “ingressos”. Qual a vantagem de termos convites então? Ninguém poderia explicar, afinal não havia, além da segurança, ninguém da organização na entrada para ajudar com informações. Com alguma paciência, descobrimos que haviam filas com diferentes finalidades, e acabamos escolhendo uma.
Muitas pessoas estavam impacientes, e havia uma irritação geral. Mas, para quem viajou mais de 90km para chegar ao evento, o que seriam mais alguns metros?
De posse do “ingresso” (cartões com leitura eletrônica que falhavam demais), entramos no salão de exposição. Não haviam indicações ou informações confiáveis para facilitar a localização. Um balcão de informações estava vazio, e um segurança que tentou ajudar a localizar um expositor (que inexplicavelmente não compareceu ao evento), não conseguiu ler o mapa que estava na parede, realmente ilegível.
Fomos até o estande da Pacific Music ver os discos que estavam em promoção, entre eles inúmeros CDs e DVDs. Fiquei surpreso com a diferença de tratamento do expositor em relação aos anos anteriores, Os visitantes eram abordados e sofriam um insistente e incômodo assédio para comprar os produtos expostos. Chegamos a ponto de nos afastarmos um pouco e retornarmos novamente para despistar os vendedores. Ingenuamente, mostramos interesse numa coleção de DVDs de Luciano Pavarotti, intitulada “Pavarotti & Friends”. Bastou pegarmos a caixa da coleção nas mãos para sermos abordados por dois vendedores que, ao mesmo tempo, insistiam aos gritos para que levássemos o produto. “- 300 reais… promoção só hoje para os visitantes da feira… aproveite porque vai acabar logo… está muito barato” insistiam os vendedores. Saímos logo dali, pois a abordagem era muito incômoda e insistente. Ao final de nossa visita, passamos novamente pelo local, e a previsão dos vendedores de que a coleção acabaria logo, não acontecera. Havia uma pilha de caixas da coleção junto à parede. Não compramos. Decisão esta que se mostrou acertada mais tarde, fora da feira, quando encontramos a mesma coleção na Saraiva, fora de promoção e sem vendedores insistentes, por R$ 159,90 em 6 vezes sem acréscimo pelo cartão, e com direito à uma caneca de louça de brinde. Claro que aproveitamos a “não promoção”, e pelo preço pedido antes na feira, quase pudemos pagar por duas coleções. Lamentável este fato.
Mas, não só a coleção citada estava com preço superior (e muito) ao mercado. Inúmeros títulos oferecidos no evento estavam muito mais caros que várias lojas e supermercados fora do evento.

Mas, voltando à feira… fomos visitar um outro estande de acessórios. A expositora se mostrou bastante decepcionada com a organização da feira, se queixando bastante e lamentando-se pelo que pagou para estar ali. Perguntamos se havia alguma promoção, e tivemos um não como resposta. Qualquer produto ali poderia ser comprado em uma das lojas distribuidoras da marca, certamente com mais conforto e menos barulho, com desconto e melhores condições de pagamento.

Circulamos por mais alguns estandes até cair na área dos gigantes. Visitamos os estandes da Panasonic, Samsung e outros. Sobravam sacolas, faltavam informações. Ao perguntar sobre um gravador de DVD com disponibilidade de saída HDMI junto a um dos expositores, a atendente informou que não sabia o que era aquilo, e que a pessoa que poderia informar havia saído para tomar café há “um tempão” e não havia retornado ainda.

Resolvemos visitar as salas de equipamentos hi-end do evento, no Hotel Holiday Inn, e novamente tivemos que buscar informações com os seguranças de como chegar lá. Não encontramos qualquer sinalização para ajudar. Elevadores demorados, com alguns expositores ainda carregando caixas pelos elevadores de visita, e ainda assim conseguimos acessar o primeiro andar de equipamentos.
Parece que algumas coisas não mudam. Pequenas “placas” de papel indicavam quem estava expondo em cada sala. Muita gente parada nos estreitos corredores e nas entradas da sala desmotivaram um pouco a nossa peregrinação. Nos limitamos a visitar rapidamente algumas poucas salas, muitas vezes pequenas e lotadas, e tentar perceber se havia algo realmente de interesse.
Em resumo, encontramos salas fechadas, onde era preciso aguardar a “audição”. Resolvemos não esperar, e já optamos por não visitar estes expositores. Notamos que alguns ainda arriscavam a entrar numa fila de espera, enquanto outros abandonavam a fila desmotivados pela espera e pela falta de informação sobre a duração da “audição” em andamento, e sobre o horário real de início da seguinte.
Constatamos outro velho problema do Hi-Fi Show: como as salas são juntas, é comum que o som de uma possa ser ouvida na outra. Isso não foi raro, e tornava qualquer audição desinteressante. Em algumas salas, demonstrações de caixas e subwoofers seguiam uma regra muito comum e equivocada de muitos “entendidos de romitiati”: o som do subwoofer era excessivo, e a cada tiro ou explosão de um filme parecia que estávamos sendo vítimas de um ato terrorista. Notamos que alguns administradores do local se queixavam em uma sala do volume do som, e que haviam reclamações de outros expositores. Na realidade, o problema não era com o volume do som, mas a falta de equilíbrio do volume dos graves reproduzidos pelos subwoofers com relação ao volume das demais caixas. Não é a primeira vez que vimos em feiras ou lojas esse tipo de problema. O consumidor leigo se impressiona com a sala “que treme” e com o som ensurdecedor dos graves, e essa aberração o faz acreditar que um home-theater é aquilo. Parece que o mercado demora a amadurecer, e entender que um home-theater vai muito além daqueles “booms” insuportáveis. O pior é que muita gente acredita que um home-theater seja mesmo sinônimo de subwoofer. Pior ainda é ver que os subs estão normalmente desajustados, e aplicados de forma errada no sistema. É o velho conceito do volume acima da qualidade.
Bem, nem preciso dizer que evitamos estas salas.

Muitos equipamentos vistos na feira poderiam ser mais bem apreciados nas lojas. Há a vantagem de se ter tudo reunido num único lugar, mas, considerando-se a improvisação e as precárias condições de audição e avaliação das imagens, fico em dúvida sobre essa vantagem.
Salas mal dimensionadas e inadequadamente tratadas em relação à acústica, faziam com que os equipamentos apresentassem um desempenho muito distante daquele que seria o mínimo ideal, e querer avaliar qualquer coisa nestas condições é perda de tempo.
Há relatos até de atendimento grosseiro por parte de expositores.

O mercado amadureceu em relação ao áudio hi-end, e é preciso oferecer condições sérias para uma apresentação digna de interesse.
Muitos audiófilos (digo “audiófilos” sérios, e não possuidores de equipamentos de nível audiófilo) mostravam-se decepcionados com o evento, e muitos chegaram a abandonar a feira bastante cedo.

Outra constatação foi a ausência de expositores que estavam relacionados para o evento. Inexplicavelmente, e sem qualquer preocupação com isso por parte da organização, algumas empresas não estavam presentes, e um amigo que foi especificamente para visitar um destes expositores e tentar um bom negócio no evento, perdeu a viagem.

A feira deve ter agradado mais o visitante leigo, pois aquele que já conhece o mercado e participa dele há algum tempo não deve ter apreciado muitas novidades.

De qualquer forma, este evento é importante por ser o único do gênero no Brasil, mas, esperamos que nos próximos anos ele amadureça, perca o caráter amador, seja organizado com nível mais profissional, e receba a importância e o destaque que merece.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário