E a velha desculpa de que instrumentos não podem captar o que ouvimos…

O mercado ainda acredita nas justificativas mais frágeis possíveis para explicar algumas ilusões do lado fantasioso do universo do áudio “Hi-End“, relatando até mesmo experiências impossíveis. Porque isso acontece? A resposta está aqui.

Por Eduardo Martins
Quando lhe falta um argumento consistente, a desculpa mais comum que um audiófilo usa para explicar uma mudança injustificável (e inexistente) em seu sistema de som é que os ouvidos não enganam, e que a ciência não pode medir tudo o que ouvimos.
Alegar isso no mundo atual é ignorar a evolução da ciência e acreditar que muitas coisas acontecem pelo acaso ou por “forças sobrenaturais”.

Vamos ser bem práticos aqui e mostrar porque essa afirmação de que podemos ouvir mais do que os equipamentos podem medir não se sustenta.

O que é o som?
Vamos começar por aqui para poder fazer o caminho inverso e entender o mecanismo do surgimento do som.

O som que ouvimos é, na verdade, uma onda capaz de propagar-se pelo ar a partir da vibração de suas moléculas.
Por isso, o ar sem nenhum movimento não nos faz perceber qualquer som (nossos tímpanos não são estimulados), e por isso, também, não escutamos som no vácuo. Se colocarmos uma caixa acústica dentro de um local ser ar, poderemos ver os cones se movendo, mas nenhum som será percebido.
Mas, eu acho que isso todo mundo já sabia.

Continuemos…

Como a música reproduzida pelo nosso sistema de som surge num ambiente?
É fácil entender que é pela movimentação dos cones dos alto-falantes de nossas caixas acústicas, pela fita metálica de um tweeter ribbon ou outros transdutores.
O movimento de um cone de alto-falante, de acordo com a sua intensidade e frequência, vai provocar a agitação do ar de tal forma a produzir um som com estas características de frequência e intensidade.
Até aqui acho ainda estamos no óbvio. Então, vamos tentar complicar?

Como o cone do alto-falante se move?
O movimento do cone é coordenado pela corrente elétrica que circula numa bobina. Dependendo da intensidade dessa corrente e da sua frequência, um campo magnético é criado contrapondo-se ao campo magnético de um imã fixo (ainda tomando como exemplo um alto-falante comum utilizado em nossas caixas acústicas).
Se lembram da historinha de que polos contrários se atraem e polos iguais de repelem? Pois é, esse conhecimento, que não é nada novo, foi utilizado na invenção do alto-falante de uma forma bastante simples, e assim o campo magnético gerado por uma bobina presa ao cone do alto falante faz uso da corrente elétrica que circula por ela para se alterar e provocar diferentes movimentos do cone.

E de onde vem essa corrente elétrica?
Ela vem do nosso amplificador, que aumentou a sua intensidade a partir de um sinal elétrico mais fraco que foi ampliado, para conseguir energia suficiente para provocar a movimentação dos cones dos alto-falantes.
Essa corrente elétrica possui características do som gravado que está sendo reproduzido.
E de onde veio essa corrente elétrica com essas características? Ela veio de um microfone (ou outro transdutor) que fez o inverso, captando o movimento de ar provocado pelos instrumentos sonoros e as vozes dos cantores e transformando tudo isso em corrente elétrica.

Que pena! Está difícil complicar, já que tudo o que foi dito aqui ficou dentro do óbvio.

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Acima, ilustração do funcionamento de um alto-falante. A variação da corrente elétrica nos terminais da bobina (C) cria um campo magnético variável que interage com o campo gerado por um imã fixo (B), Como esta bobina está presa num cone flexível (A), este se movimenta pela atração ou repulsão das forças magnéticas agitando as moléculas do ar e produzindo o som.

Mas, o importante é entendermos de uma vez por todas que a movimentação dos cones dos alto-falantes de nossas caixas acústicas será resultado das características da corrente elétrica que circular por eles, sem nenhum milagre. Ou seja, modifique essa corrente e os alto falantes se movimentarão de um jeito diferente provocando um som também diferente (perceptível ou não). Simples assim. Não tem o que inventar para complicar.

Agora, para concluir esse entendimento, é fácil perceber que qualquer mudança no som só ocorrerá com a alteração das características desta corrente que chega às nossas caixas-acústicas. Os alto-falantes nunca se movimentarão de forma diferente se não houver qualquer alteração das características dessa corrente elétrica.
Para a nossa sorte, temos equipamentos hoje muito mais capazes e precisos para analisar essa corrente com uma sensibilidade maior do que a própria capacidade dos alto-falantes em percebê-la, e ainda muito maior que a sensibilidade de nossos ouvidos em reconhecê-la.
Quer um exemplo? Se a potência elétrica aplicada num alto-falante for o dobro, seremos capaz de ouvir uma alteração na intensidade do som de apenas 3dB, ou seja, uma sutil alteração de volume. Não ouviremos o dobro do volume sonoro com o dobro da potência elétrica aplicada a um alto-falante.
Repetindo… a potência tem que quase dobrar para percebermos alguma alteração no nível de volume.

Instrumentos hoje podem medir ou até mostrar o sinal elétrico numa tela com uma sensibilidade muito maior do que a menor corrente elétrica possível, e numa faixa de frequências milhares de vezes mais amplas do que os nossos limitados ouvidos podem captar. A faixa de frequências percebida pelo ouvido humano é bastante estreita e de fácil composição, considerada, idealmente, de 20 a 20.000 Hz (ciclos por segundo). Para efeito de comparação, cães podem ouvir numa faixa de 10 a 50.000 Hz e golfinhos de 70 a 240.000 Hz.
Mas, equipamentos eletrônicos ultrapassam muito essa faixa, como as frequências de transmissão de rádio FM, de 87.800.000 a 108.000.000 Hz, ou transmissão de imagens de televisão comercial, de 30.000.000 a 3.000.000.000 Hz (VHF e UHF), enquanto serviços de transmissão de satélite, por exemplo, podem chegar a 30.000.000.000 Hz.
Para efeito de comparação, ilustramos abaixo, em escala, como a faixa audível é bastante modesta:

grafico-comparativo-audicao-humana

Não se espante, não há nenhum erro no gráfico acima. Realmente a faixa de audição humana comparado com o limite máximo do exemplo da transmissão de satélite sequer consegue ser demonstrada num gráfico deste tamanho.
Ou seja, a tecnologia pode gerar, manipular, controlar, e utilizar frequências muito maiores e muito mais complexas do que se poderia acreditar. Este é só um exemplo, mas podemos passar muito facilmente essa faixa. Então, a faixa de áudio é, na verdade, muito estreita e muito fácil de medir, observar numa tela de instrumento e de identificar qualquer mínima mudança.

O que eu quero demonstrar até aqui? Que não existem mágicas, forças ocultas ou inexplicáveis para nos fazer ouvir algo que não apresentou uma correspondente modificação elétrica e mecânica, ainda lembrando que, neste caso, a modificação mecânica é decorrente da alteração da corrente elétrica. Frequências, intensidades, harmônicos, distorções, ruídos… tudo pode ser medido e até visto graficamente.

Se alguém diz que num teste de cabos, de fusíveis ou qualquer outro equipamento ou acessório percebeu um aumento na extensão de agudos, ele está afirmando que houve um aumento na intensidade da corrente elétrica na faixa dos agudos (amplitude), ou que essa faixa de frequências foi ampliada para acomodar frequências mais altas (largura).
E isso tudo, para a decepção de alguns “subjetivistas”, pode ser medido e até visto com muita facilidade, e se não for identificada qualquer modificação de parâmetros, então não existiu tal alteração. Lembrando que, para percebermos qualquer mudança sonora, precisamos de muito mais potência elétrica para isso, o que é obtido com o aumento de intensidade de corrente que circula na bobina dos alto-falantes.

Do mesmo modo, quando alguém diz que percebeu que os graves ficaram mais “embolados” ao trocar, por exemplo, um cabo de conexão, tem que ter havido uma alteração no movimento dos cones do alto-falante para que esse efeito ocorresse, obrigatoriamente. E isso também pode ser facilmente medido ou visto através de instrumentos de medição apropriados.
De qualquer forma, mesmo que o ouvinte perceba uma mudança sutil no som, as variações de corrente deveriam ser muito facilmente percebidas para provocar qualquer efeito.

Eu já fiz muitos testes com vários amigos, e isso não é segredo pra ninguém. Não são apenas testes cegos, mas ardilosos também.
Nestes testes cheguei muitas vezes a usar um analisador de espectro de áudio de alta precisão que eu possuo, para poder avaliar mudanças nas faixas de frequências, além de outros instrumentos auxiliares, e não confirmando estas alterações nas leituras dos instrumentos, simulei situações onde ficou nítido que muitas vezes estas mudanças percebidas “com certeza” não passavam de mera sugestão.

Os fabricantes, se aproveitando dessa facilidade do efeito sugestivo, inventaram todo tipo de bobagem retórica para tentar justificar as “qualidades” de seus produtos.
Os comerciantes também reforçam essas fantasias ao consumidor final, pois, óbvio, eles querem vender. E muitas vezes estas argumentações servem para elevar o preço do produto, afinal, uma margem de lucro de 10% sobre o preço de um produto que custa 100 mil é muito mais interessante do que outro que custa 10 mil, ou não?

Eu já vi no passado gente comprando canetinhas “hi-end” para pintar a borda dos CDs, porque a tinta eliminava a “fuga de luz“. Já vi também quem defendia vigorosamente as incríveis vantagens de dispositivos de controle de vibração que usavam esferas em superfícies côncavas para controlar a oscilação horizontal, e hoje já se sabe que isso não funciona.
Já vi avaliadores de áudio afirmando que fusíveis “audiófilos” provocaram ganhos “enormes” de qualidade sonora, mas hoje estão quase em desuso e  raríssimos fabricantes adotam esse componente em seus caríssimos equipamentos de milhares ou centena de dólares, mesmo esse componente custando algumas poucas dezenas de dólares para eles no atacado, e que “poderia” lhes dar um “salto enorme” na qualificação e no prestígio de seus produtos.
O mercado parece às vezes ficar eufórico com as “grandes mudanças” supostamente provocadas por um novo componente, mas depois abandona a ideia porque descobre que ela não funciona. Mas, não funcionava antes? Curioso, não?

Mas, o fato é que se podemos ouvir, podemos medir, e isso não está aberto a controvérsias. É fato, aceitem ou não. A movimentação dos cones de um alto falante e a produção do som não ocorrem por mera obra do acaso. São fenômenos físicos muitos conhecidos.

Hoje alguns “subjetivistas” ainda defendem que pouco se conhece do cérebro e do seu comportamento, falam em “psicoacústica inexplorada” e até em nanociência para tentar convencer que a coisa toda é tão complexa que não pode ser facilmente explicada. Porém, isso tudo não se sustenta para desmerecer a medição e a comprovação objetiva dos efeitos que desencadeiam o som.
O próprio cérebro reage em função dos impulsos elétricos recebidos pelo nosso sistema auditivo. Se os nossos ouvidos captarem uma mudança, ele vai processar isso, se não captarem, não há como ele “adivinhar” qualquer coisa. Pelo contrário, o nosso cérebro pode sim criar convencimentos psicológicos, gerando uma sugestão que entendemos como verdadeira, mas que não é.
Porém, isso não vem do processo auditivo, mas de uma reação interna do próprio cérebro que não corresponde à realidade.
Se você não acredita nessa capacidade do nosso cérebro de inventar coisas, então lembre-se de como ele é capaz de criar medo, alegria, sustos e até nos convencer de situações bem realistas em nossos sonhos. O sonho é um exemplo de realidade fantasiosa criada pelo nosso cérebro, não é real por mais convincente que pareça, nem diante das emoções e as sensações provocadas.

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Conversando uma vez com um amigo, fizemos um paralelo com um carro.
Você sai de um carro pequeno, com motorização fraca e barulhenta, e compra outro maior, mais potente, mais estável, mais macio e muito mais silencioso, e um dia na estrada você percebe que está correndo muito mais do que deveria, mas a sensação era de estar a 90km/h mesmo descobrindo que estava a 120.
Podemos ver que fomos induzido ao erro. A sensação era uma e a realidade era outra.
Mas, um medidor de velocidade nos mostra uma realidade que o nosso lado subjetivo nos fez enganar.
Este meu amigo argumentou que, de qualquer forma, sentimos uma diferença grande entre os dois carros. Sim, a sensação de andar no primeiro carro foi diferente do segundo, porque, novamente, o nosso cérebro nos enganou. Ele usou como base as reações do carro antigo para “sentir” o novo e nos levou ao erro. E, de qualquer forma, isso pôde ser constatado pela medição de velocidade e explicado pelo nível de ruído, pela potência do motor, pela oscilação da carroceria (conforto), pela aceleração lateral (estabilidade), etc. Ou seja, mesmo havendo uma mudança real de comportamento do carro, o nosso cérebro se enganou nesta avaliação. A sensação de estar mais devagar não se sustentou com as medições reais.

Talvez nem precisemos ir tão longe, basta vermos na medicina como funciona o efeito placebo. Os médicos (não os audiófilos) fazem uso do placebo para criar uma sugestão e muitas vezes até provocar uma reação física ou emocional, porque o nosso cérebro se engana e é capaz até de curar o nosso corpo ou nos fazer adoecer acreditando numa farsa.
Quando alguém diz que os nossos ouvidos não nos enganam para valorizar a sua confiabilidade, essa pessoa comete um engano conceitual, pois de fato eles não nos enganam, quem nos engana é o nosso cérebro. Mas, isso é muito diferente de dizer que os nossos ouvidos são confiáveis, pois não são, porque existe a questão das limitações e desvios naturais do nosso sistema de captação auditiva. Mas, alguns audiófilos tratam as duas coisas como sendo uma só, justamente pela falta de compreensão de todo esse mecanismo de captação, interpretação e sugestão, e aí reside um grande erro que nos induz a inúmeras conclusões equivocadas.
Uma coisa é ter uma perda de sensibilidade nos agudos e acreditar que se o som na nossa sala está igual ao que ouvimos ao vivo, e então ele está perfeito. Nesse caso os nossos ouvidos nos enganam, porque ele não consegue identificar a perda de informação nessa faixa. Outra coisa é o cérebro nos fazer acreditar em algo que não é real, criando uma sensação que não existe de fato.

Tudo isso agora ficou tão engraçado que se tornou comum ouvirmos coisas do tipo “até a minha esposa percebeu a diferença”, ou “até o meu filho de 8 anos me perguntou se eu tinha mudado algo”… como se essa “cumplicidade” pudesse dar mais confiabilidade e sustentação à sua percepção.
Que mudança é essa tão “significativa” que até um leigo percebe, mas um instrumento não consegue medir? Uma alteração sonora tão grande assim teria que resultar numa equivalente alteração na movimentação do ar na sala, e, novamente, isso só seria possível modificando o movimento dos cones dos alto-falantes, efeito esse que já sabemos que só ocorre com a mudança das características da corrente elétrica que modifica o campo magnético gerado pela bobina.
Veja bem que ainda falamos de componentes do sistema eletrônico de produção do som nas caixas acústicas, antes que alguém argumente que mudando a posição das caixas ou alterando a acústica haveria uma mudança real sem a alteração do movimento dos cones dos alto-falantes. Neste caso, trata-se de interação com o ambiente, mas, isso também pode ser medido com um microfone e um analisador de áudio, mas isso fica para outra vez.

Às vezes eu me pergunto… depois de tantos anos de informações sobre golpes, como pode ainda muitas pessoas, de vários níveis sociais e culturais, caírem no golpe do carro sorteado que requer o pagamento de um valor considerável antes da entrega. Como pode alguém ainda acreditar que pode comprar um bilhete de loteria premiado de um desconhecido na rua pela metade do valor do prêmio?
E insisto, não se trata de cultura ou posição social, pois uma colega advogada num grupo de whatsapp de colegas de profissão relatou ter perdido dinheiro num leilão falso. Ao ser questionada porque ela não tomou as precauções de praxe, verificando certificados e autorizações, ela respondeu que “tudo parecia tão sério”, e que até o “selinho de uma certificação tinha no site…”.
Isso demonstra como é fácil criar uma sugestão, para o bem ou para o mal.
Diga à uma pessoa que ela está pálida, com uma respiração estranha e com as pupilas muito dilatadas… ela é capaz de começar a passar mal de verdade.

Outro dia, num outro grupo de colegas de whatsapp, um revendedor de equipamentos de áudio comentou que tinha conseguido trazer para o Brasil um determinado acessório (se eu disser qual, vou expor a pessoa e isso é complicado). Ele comentou que tinha adquirido uma unidade desse produto para o sistema dele e que ficou muito impressionado com os resultados, e que quem ouviu também aprovou. Disse que trabalhou muito para trazer aquela “maravilha” para o Brasil, que o fabricante era muito renomado na área e que certamente todos se espantariam com o ganho de qualidade que o produto era capaz de oferecer.
Eu tenho certeza que, apenas com isso, muita gente já estava certa de que o produto era realmente bom sem sequer tê-lo conhecido.
Eu pesquisei sobre a tal “novidade tecnológica”. O “renomado especialista” era na verdade um amador na área do áudio, que trabalhara em outros segmentos e ficou desempregado, e muita gente que testou o produto não percebeu nenhum benefício. Indícios claros de mais uma daqueles “milagres” que custam muito caro, mas em que muitos acreditarão.

Certamente o “inventor” do produto percebeu como seria fácil convencer o consumidor de que, apesar da falta de evidências científicas e comprobatórias, a sua criação pudesse ser tão inovadora e com isso justificar um preço tão elevado.
Quantos produtos já não conhecemos no passado que viraram uma febre momentânea e desapareceram tão rápido quanto surgiram?

Se no caso desse produto recém-chegado ao Brasil alguém tivesse colocado um microfone de precisão e um analisador de áudio na sala (já que a sua interação não era elétrica) e verificado o comportamento do som, não teria percebido as reais qualidades do produto?
Um bom captador e um analisador de precisão seriam capazes de pegar detalhes que o nosso sistema de audição não conseguiria.
Por esse mesmo motivo se usa colorímetros para medir com precisão as cores, porque os nossos sentidos são limitados e passíveis de erros e sugestões.

besteira

O objetivo desta abordagem foi mostrar que o som não surge na sala ao acaso, que a movimentação dos cones dos alto-falantes vai agitar o ar de formas diferentes para produzir o som,  que a movimentação destes cones ocorre em compasso com as características da corrente elétrica que lhe é aplicada, e que qualquer pequena mudança sentida por nós pode ser vista e medida por instrumentos apropriados, sensíveis e muito precisos, e que hoje custam muito barato.
Na verdade, os instrumentos podem captar sim a realidade do que ouvimos. Eles apenas não conseguem captar o que sentimos. Mas esse estudo já está bem adiantado, e já se sabe até em que região do cérebro desenvolvemos os sentimentos e como ela reage. E a sugestão, como elemento modificador da percepção da realidade, está lá. Os cientistas já começam a entender esse mecanismo de criação de uma realidade inexistente.

Procurei, ainda nessa dissertação, destacar a imprecisão do nosso sistema auditivo, que é outro fato conhecido pela ciência e familiar aos profissionais da área.

Até aqui tudo simples, óbvio e mera aplicação de ciência pura.  Espero que as críticas não fiquem só na subjetividade ou na abordagem dos “mistérios da ciência”, pois, para alguns, se o homem não consegue desvendar a origem do universo, todo o restante da ciência está comprometido pela dúvida, e não há razão para o celular funcionar, para os computadores processarem, para a televisão mostrar imagens, para o tomógrafo conseguir “ver” o que temos por dentro, para o antibiótico cumprir a sua função no organismo, para o avião voar, e até mesmo a roda deve ser desacreditada.

Infelizmente, quando se fala em “Áudio Hi-End”, parece que voltamos aos tempos da caverna, e tudo não passa de bruxaria, o subjetivismo ganha dos instrumentos de medição, o cérebro se torna perfeito, nossos ouvidos se comportam como instrumentos perfeitos e de alta precisão, e os fenômenos mais simples acontecem de forma inexplicável pela ciência. Porque isso? Porque tem muita gente que ganha muito dinheiro com essa desinformação, vendendo ilusões muito caras para compradores mal informados que acreditam mais na sugestão do que na realidade, e gastam mais em placebo do que realmente na cura de seus problemas.
Enquanto não passarmos definitivamente por esse período de desinformação e de crença cega em ilusões, continuaremos testemunhando esses muitos absurdos que infelizmente vemos hoje no mercado de áudio de qualidade.

for the serious

20 Comentários

  1. Bom dia Edu !!!
    Voltou com tudo, hein?
    E mais uma vez arrasando com este artigo excelente.
    Acho que você está sendo um pouco pessimista, porque pelo menos no nosso grupo aqui no Rio o pessoal está bem mais consciente. Claro, os mais velhos e o pessoal que fatura com essas confusão toda não mudam, e nem vão mudar, é caso perdido, mas no geral o pessoal está bem mais consciente, eu percebo isso no dia a dia.
    Até a sugestão do cérebro que você menciona mudou bastante. Antes o pessoal recebia um cabo caro já animado com o investimento e cheio de vontade de sentir uma mudança, mas hoje eles testam primeiro e com tranquilidade avaliando o resultado, e não desejando profundamente uma melhoria.
    Teve uma dica que você deu para o amigo João Nunes, deve estar lembrado, de comprar tudo pela internet e colocar para testar por seis dias, se não notar diferença, pedir a devolução dentro do prazo legal sem explicações. O pessoal está fazendo assim, não cumpre o prometido, devolvem. E o vendedor diz que precisa amaciar por pelo menos 15 dias kkkk. Aí a gente diz para o vendedor que OK, amaciamos por 15 dias e se não gostarmos podemos trocar, aí eles dizem que não. O pessoal não é mais trouxa. O mercado está mudando sim.

    Estou antenado aqui no HiFi Planet e ansioso por novas publicações.
    Grande abraço meu amigo.

  2. Emílio,
    Obrigado por sempre prestigiar o nosso site.
    Sim, houve uma mudança, mas ainda vejo algumas coisas lamentáveis.
    Abração
    Eduardo

  3. Já cair algumas vezes nessas fantasias, inclusive de pessoas próximas que passava confiança, mas que no fundo só queriam ter alguma vantagem financeira principalmente. Posso até ser enganado novamente já que estamos sujeito a muitas coisas, mas agora estou mais atento e sempre procuro investigar algo quando preciso e claro ver as fontes.

    abraço.

  4. Perfeito.
    Existe uma mistura de interesses, de paixões, de ego e outros fatores que acabam contaminando as opiniões.
    Acredite, tudo é bem mais simples do que parece.
    Abraços

  5. Caro Sr. Eduardo
    O que acontece com esse mercado de áudio? Isso chega a dar nojo.
    Participo de um grupo de whatsapp que inclusive você faz parte também. É impressionante como tem gente que parece viver num mundo irreal, com conceitos que só podem sair de uma mente fraca. É por isso que o audiófilo é tão explorado.
    Eu me lembro a alguns anos, e acho que isso ainda existe porque não falta gente ingênua, que tinha um aparelhinho que você ligava na bateria do carro e fazia o carro ficar mais potente e econômico.
    Tinha gente que comprava essa porcaria e afirmava que percebia ganhos reais, e depois se constatou que só havia um capacitor dentro da caixinha que realmente não servia para nada, mas o fabricante não podia vender a caixinha vazia. A revista 4 rodas testou e afirmou que ele realmente não provocava nenhum efeito. Mas e quem dizia perceber diferenças? Acabaram se convencendo que foi só “impressão”.
    Parece que no áudio isso é ainda pior.
    As pessoas vivem de impressões e não de fatos.
    É como você costuma dizer, a evolução tecnológica serve para tudo, até levar o homem ao espaço, mas no áudio toda a ciência é rasgada e ingressamos num mundo de escuridão total, desconhecido e misterioso.
    Eu escolhi a profissão errada. Eu deveria ser inventor de bugigangas hi-end.

    Parabéns pela coragem de desafiar esses conceitos absurdos e de trazer informação realmente válida para todos nós.

    Eu gostaria muito de participar de uma audição em sua sala quando houver essa oportunidade.

    Saúde e paz !

  6. Conheci o Hi Fi planet há pouco tempo e tenho me dedicado à leitura de suas matérias.
    Enfim algo inteligente nesse mundo da música de alta qualidade de reprodução.
    Sou músico e audiófilo há muitos anos, e sempre lamentei o quanto esse mercado é explorado por pessoas sem a menor competência para tanto. Mesmos os meus álbuns são supervisionados por mim, porque se depender de muitos estúdios e seus “engenheiros de gravação”, não sai muita coisa que presta.
    Parabéns Hi Fi planet.

  7. O Eduardo sempre surpreendendo.
    Vivemos anos de enganação, mas percebo que o mercado hoje vem tomando um pouco mais consciência sobre o que é verdadeiro e o que é fake.
    Aquela super fantasia de cabos que faziam milagre, por exemplo, sumiu das discussões, e sei que boa parte dessa mudança se deve a este site.
    Um abraço

  8. Boa tarde, Eduardo. Estávamos todos ansiosos por matérias suas e, felizmente, estou lendo as que você postou agora.
    Nessa questão de que o nosso cérebro nos engana, há um filme em que o assassino tem um carro verde e ele era procurado por um carro dessa cor. Mas o policial que acompanhava o caso, não se dando por vencido e com a intuição dele apontando para outra direção, fez o seguinte: verificou a que horas o assassinato ocorreu, levou um carro AZUL para o local onde diziam ter visto o carro e, à noite, mais ou menos no mesmo horário do homicídio, colocou o carro sob a luminária da rua. Resultado: o carro dele que era azul, transformou-se em um carro VERDE, por causa da incidência da luz fluorescente da luminária. Então, esse detalhe, que ninguém havia conjecturado até então, resolveu o mistério e chegou ao assassino. O nosso cérebro nos engana muito. Basta vermos fotografias tiradas em um celular que alguém nos manda e no nosso celular as cores não são as mesmas da origem porque cada marca de aparelho tem uma regulagem padrão. Existem cores que para algumas pessoas é azul; para outras, verde. É o caso típico da cor da grife Tiffany: azul para uns, verde para outros. Há ainda quem compra racks de madeira, com construção que não inspira estabilidade, e paga um valor absurdo por eles porque a marca foi veiculada em uma certa revista que ainda existe eletronicamente e o dono dela afirma que o som, usando esse rack, mudou “da água para o vinho”. Ainda bem que você, como engenheiro eletrônico, conhecedor do assunto, nos traz muita luz sobre o mundo do áudio. Quando li seu artigo sobre o anti-mode, fiz um exame audiométrico e verifiquei no gráfico, que tenho uma perda sensível no ouvido direito, na região dos agudos. Então, mesmo ao vivo, ouvindo uma orquestra, sei que estou perdendo muitas informações musicais nessa região.

  9. Luiz, muito obrigado por estar sempre prestigiando este espaço, e obrigado também pela contribuição bem interessante.

  10. Grande Eduardo,

    Só hoje verifiquei estes novos artigos, como sempre excelentes.

    Mas eu discordo de algumas opiniões deixadas aqui, pois é só olhar pelos fóruns da vida e vamos perceber que a crendice ainda tem muitos adeptos. Eu nunca acreditei em nada destas bobagens.

    Parabéns pela excelente matéria.

    Um grande abraço,

    Helio

  11. Meu caro Hélio

    Concordo com você, ainda existem algumas bobagens que nos dão até vontade de chorar, mas melhorou muito em relação ao que era depois que muitas bobagens já foram derrubadas. Hoje o pessoal está mais cuidadoso. É um começo.
    Obrigado por participar.
    Abração

  12. O que mais tem assustado é esse inexplicável culto pelo vinil. Os mais velhos eu até entendo, a audição é mais comprimida numa estreita faixa do espectro audível e muitas informações já são perdidas, mas ver alguns jovens ou pessoas com boa audição defendendo um formato tão limitado.
    O mais incrível é ver alguém dizer que o digital só é bom quando gravado a partir de uma master analógica. Ué, se o digital fica bom a partir de uma origem digital, então isso prova que a digitalização não deteriora a gravação original.
    Como músico e especialista em gravações, eu fico horrorizado quando alguém não percebe as qualidades superiores de uma gravação digital num sistema de som mediano mesmo comparado ao som de um vinil num sistema de alta qualidade.
    Se me perguntarem qual o formato que eu gostara de gravar, eu responderia o vinil sem pensar. Mas, essa escolha é em função de um interesse de maior preservação de direitos do que de real qualidade. Afinal a pirataria não dá trégua, e mesmo o vinil sendo possível de ser digitalizado e compartilhado, a dificuldade é um pouco maior.
    Ninguém me convence de que a qualidade do “analógico” é superior, para mim o que existe são limitações em perceber as qualidades e defeitos de cada formato, e outros interesses de ordem mais econômica, como maior maior custo do equipamento para um público consumidor nostálgico e exibicionista que paga por tocas discos com “precisa engenharia alemã” e outros atrativos de convencimento de vendas.
    Que me desculpem os amantes do vinil, mas vocês são enganados o tempo todo.

  13. Respondendo ao comentário de cima, posso dizer que toda discussão analógico x digital corre o risco de virar uma completa abstração quando não leva em conta o tipo de música, a época e a forma como ela foi gravada. Jazz dos anos 50-60-70? Música clássica? Cantoras antigas como Billie Holiday e Ella Fitzgerald? Ou cantoras contemporâneas como Norah Jones ou Melodie Gardot? Música para feira de audiófilos, como o Musica Nuda? Tudo depende. Tenho vários amigos músicos, cuja sensibilidade auditivo-musical tenho em alta conta, e posso dizer que, sem exceção, todos eles acham que o vinil soa inegavelmente superior em gravações até pelo menos dos anos 70 (também algumas dos anos 80). Falo inclusive de gente mais jovem. Desculpe, mas com um sistema de referência e, é claro, a gravação certa, é possível extrair um nível de dinâmica, pureza tonal, tatibilidade e substância sonora que infelizmente jamais ouvi no digital. E olha que já ouvi dacs e players de SACD de referência. Mas só possuo prensagens selecionadas (já descartei várias ruins que soavam inferior ao digital). O lendário Tim de Paravicini, fundador da Ear Yoshino, também projeta e fabrica equipamentos para estúdios de gravação e até mesmo para grupos como o Pink Floyd. Seus argumentos a favor do analógico – incluindo aí tecnologia de válvulas – é bastante sólido e bem fundamentado. Estamos falando de um engenheiro renomado com larga experiência com equipamentos de estúdios (há várias entrevistas dele na internet). O debate é mais complexo e comporta, como já mencionei mais acima, muitas variantes. Não sou novo e tampouco tenho idade para ser nostálgico. Minha relação com o vinil é uma necessidade sonora. Adoraria ouvir ouvir música por horas a fio sem ter que trocar o lado do disco, mas simplesmente não consigo. No fundo, não são os instrumentos que não captam o que ouvimos. Nós é que não ouvimos o que os instrumentos captam! O cérebro é um orgão infinitamente plástico e interpreta de forma diferente aquilo que os instrumentos “ouvem”. Não é isso que ocorre o tempo todo na fotografia?

    (versão editada, é esta última que vale)

  14. Melium, obrigado pela sua participação.
    Desculpe a demora, mas os últimos dias têm sido corrido pra mim.
    Concordo totalmente com o que você disse.
    Abraços
    Eduardo

  15. Olá Caio, obrigado pela sua participação.

    Desculpe, mas não posso concordar com você, principalmente porque a sua base de comparação são os seus ouvidos, e aí já entramos no campo do gosto pessoal.
    Ultimamente tem sido discutido demais o fato de o quanto os nossos ouvidos enganam as nossas conclusões. Eu mesmo já trouxe alguns estudos científicos sobre isso.

    Você mesmo induziu a uma conclusão que difere de sua argumentação inicial ao querer comparar a fotografia ao áudio. Sim, eu sempre uso filmes e fotos em minhas analogias porque são mais “visíveis”, mais fáceis de serem compreendidas, e por ser uma comparação bastante realista ao nosso outro sentido, o da audição.

    Os defensores do analógico nunca sobrevivem a essas comparações, e isso é simples de entender. Qual foto é mais precisa? Uma tirada hoje com uma moderna câmera digital, ou uma tirada nos anos 50 ou 60 com filme? Qual imagem de filme é mais real, a feita hoje pelos modernos equipamentos digitais ou aquelas dos anos 50 ou 60?
    Quando você faz alusão sobre uma gravação em vinil antiga de Billie Holiday ou Ella Fitzgerald serem melhor reproduzidas em vinil do que em CD, o fato é que essas gravações foram feitas em sistemas analógicos, imprecisos e antigos, com pouca tecnologia na época. Me desculpe, mas tem muitas dessas gravações que eu simplesmente não consigo ouvir. Transpor uma gravação dessas para um meio digital, não vai piorar o resultado, mas sim mostrar mais detalhes dos defeitos da época. Essa é uma qualidade do digital, principalmente de alta resolução, ele te mostra todos os defeitos, te mostra a realidade, e você tem a falsa ideia de que o resultado foi pior. Se pudéssemos pegar hoje Ella gravando um disco digital a partir de uma fonte digital, aí teríamos uma comparação verdadeira (tenho certeza de que a voz dela seria outra bem diferente daquela que estamos acostumados a ouvir).
    O mesmo acontece com filmes. Um filme antigo feito em velhos e limitados equipamentos analógicos, quando reproduzido num televisor de alta definição, vai mostrar muitos defeitos de imagem. Um filme atual gravado em 8K vai mostrar detalhes antes impossíveis de serem registrados em mídias analógicas.
    Quanto melhor o nível de equipamento que você usar, mais estes defeitos ficarão evidentes, nos causando uma falsa impressão de que o digital piorou o resultado, quando na verdade ele só mostrou com mais exatidão os erros originais.
    As gravações analógicas em vinil sempre foram tão complicadas que sequer eram diretas, sempre se utilizaram de curvas RIAA (nem sempre padronizadas pelas gravadoras) para equalizarem o sinal antes da confecção dos discos, para depois serem novamente equalizadas pelos “prés de fono” para tentar restaurar a gravação original, que hoje sabemos não ser um processo preciso.

    Novamente, é simples transpor essa ideia para o vídeo. Pegue um filme gravado em fita VHS (até mais atual que os velhos projetores de filme), e reproduza-o num televisor de tubo de 36 polegadas. Ele vai lhe parecer bem razoável, e pode até te agradar bastante. Mas, tente reproduzir numa tela de 100 polegadas em um projetor de alta definição, e a imagem lhe parecerá insuportável de ser vista.

    Se você não consegue extrair um nível de dinâmica, pureza tonal, tatibilidade e substância sonora do digital, apesar de me parecerem características subjetivas demais, ou você não está com a gravação certa ou o seu equipamento realmente possui limitações. Eu começaria por uma avaliação auditiva antes de fazer qualquer ajuste de equipamento e antes mesmo de qualquer comparação. Acho que você vai ter uma surpresa e mudar rapidamente de opinião.

    O “lendário” Tim de Paravicini tem algumas contradições interessantes, já se atrapalhando com alguns conceitos que, no meu modo de ver, sobrevivem no seu conservadorismo de ideias. Enquanto ele adota uma posição em relação a esta questão que ora tratamos, vemos uma maioria gigante defendendo o digital, aprimorando as técnicas e desenvolvendo equipamentos que já, há muito tempo, superaram o vinil em muitas de suas características. Mas, é como eu sempre digo, se a discussão ficar no achismo ou no subjetivismo, o tema não irá evoluir.
    Eu conheci fotógrafos que disseram que nunca iriam deixar o filme em prol do digital. Para eles, o filme tinha um certo “charme” que o retrato digital não tinha. Hoje se sabe que, na verdade, alguns fotógrafos e consumidores viam a granulação do filme como algo que provocava um certo “glamour” na fotografia. Ou seja, eles sentiam a falta de um “defeito”. Nenhum daqueles veteranos hoje defende mais o filme “analógico”, mas alguns incluem “ruídos” em suas fotos para trazer de volta aquele “desvio” de realidade que, subjetivamente, agrada a alguns.

    Quando você sugere que “No fundo, não são os instrumentos que não captam o que ouvimos. Nós é que não ouvimos o que os instrumentos captam!”, com todo o respeito, inverte as coisas. Os instrumentos estão aí para esclarecer e apontar o que realmente acontece, já que temos muitas limitações naturais, inclusive desvios de curva de audição que acho ser o mais sério de todos os problemas. Não temos que ouvir o que os equipamentos captam.
    Um bom ampliador de imagens podem mostrar granulação numa fotografia que explica a diferença percebida que, a olho nu, não teríamos capacidade de identificar, nos restando apenas “achar”, e subjetivamente correr o risco de dizer que o impreciso é melhor até por um gosto pessoal. E isso é muito perigoso.

    Desconfie da “sensibilidade auditivo-musical” de quem argumenta com subjetividade. Eu já cansei de fazer testes aqui com defensores ferrenhos do analógico que tiveram as suas convicções fortemente abaladas quando pôde ter uma visão (ou uma audição rsrsrs….) mais ampla da realidade, e te digo que, além de conseguir demonstrar isso, existe uma resistência muito grande em aceitar o que é fato.
    Num destes testes eu perguntei para um participante: “Você concorda que agora (depois de ter ajustado o sistema à curva de sensibilidade de seus ouvidos) você está ouvindo uma realidade musical bem mais ampliada no digital, mais realista, com maior riqueza de detalhes e informações?”, e a resposta dele foi: “Sim, eu concordo, mas prefiro ouvir como era antes…”.
    O fato é que o digital provou ser mais preciso se devidamente utilizado, mas, “subjetivamente” ele preferiu o som limitado que ouvia antes. Isso eu não vou discutir, é gosto pessoal, e muitas vezes resultado de um conservadorismo por anos e anos escutando algo com que se acostumou. Neste caso, a foto granulada vai lhe provocar um sentimento de nostalgia e de “costume” muito maior, mesmo que você lhe prove que a foto digital é bem mais precisa e real, e que aqueles furinhos na pele fazem parte da realidade, por mais que ele não goste.
    Eu pratico fotografia desde pequeno. É um hobby que gosto mais do que a música, apesar de que por algumas limitações de disponibilidade ele fica mais restrito. Meu objetivo é fazer fotos precisas, mostrando a maior realidade possível, mas o que noto é que as pessoas gostam de fotos mais saturadas, mais coloridas, um pouco desfocadas, com reforços no alaranjado e no vermelho do por do sol, com folhas de plantas mais verdinhas, com rostos sem defeitos, e isso é gosto, o que posso fazer? Mas, essa preferência de algumas pessoas não muda o fato de que a foto natural é mais real, mais precisa, por mais que ele aprecie uma realidade distorcida por razões meramente subjetivas.

    Vou publicar um artigo bem interessante sobre esse assunto em breve.

    Obrigado pela sua participação, e, por favor, entenda que não sou contra o vinil. Tenho um sistema analógico em casa e o utilizo com alguma frequência por outras razões, mas, nos meus quase 60 anos, tendo passado boa parte de minha juventude ouvindo vinil e valvulados, e vencendo a minha resistência pelo novo e buscando respostas às minhas dívidas que não residissem no achismo, hoje não tenho a menor dúvida sobre a superioridade do digital sobre o atual estágio da tecnologia analógica, muito menos sobre o estágio ainda mais limitado que antes existia.

    Abração

    Eduardo

  16. Caio, o pior é que Eduardo está com a razão.
    Eu vivi essa mesma história, um apaixonado defensor do vinil que hoje já não tenho a mesma convicção de superioridade.
    Se um dia você puder participar de uma audição no sistema do Eduardo vai se surpreender com o detalhamento e o realismo que ele extrai do seu sistema digital.
    Mas, te sugiro que leve um exame audiométrico para ter um resultado bem mais real.
    O Eduardo está com tanta prática nisso que ele colocou um CD para eu ouvir e me fez algumas perguntas, e ele adivinhou boa parte dos meus desvios auditivos antes que eu lhe apresentasse o meu laudo.
    Depois que ele ajustou o sistema para a minha curva de audição, parece que um mundo novo de sons se abriu na minha frente. É uma experiência surreal.
    Acredite, o digital corretamente reproduzido te deixa um pouco desanimado de ouvir vinil depois. Não tem haver só com o sistema, mas a forma como alcançamos as diferenças. Ele explica melhor do que eu. Acho que não estou sabendo explicar.
    Abraço
    Marco Leão

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