Construindo uma sala de áudio (e vídeo) dedicada – 3ª Parte

Mais fotos da sala…
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Note a espessura final dos painéis e o acabamento perfeitamente nivelado dos componentes.

Antes de mais nada, vamos definir vibrações e ressonâncias.
Não entraremos em conceitos técnicos como frequência, amplitude, harmônicos, etc., pois não é o objetivo aqui.

Vibrações são movimentos de oscilações com referência a um ponto.
Vibração todos nós conhecemos, e normalmente podemos senti-la.

Ressonâncias são vibrações causadas por uma vibração externa que está em harmonia com a vibração natural do objeto original. Ou seja, uma vibração externa faz com que ocorra uma nova vibração em outro objeto.

Na prática, em áudio, podemos dizer que um som gerado por um sistema de som (vibração do ar) pode interagir com outros objetos da sala, fazendo com que estes objetos também vibrem interagindo com o som original.

Vibrações e oscilações são problemas muito sérios em áudio. Já vi uma simples latinha de refrigerante sobre uma mesa entrar em ressonância com uma música e gerar sua própria vibração, incomodando a audição da música. E para perceber isso e saber de onde vinha?

Tudo o que está em uma sala pode interagir com o som gerado pelo sistema de áudio e deteriorar o resultado sonoro final, por mais que não pareça. Pode parecer exagero, mas não é.
O audiófilo busca a perfeição do som, e as ressonâncias destroem essa perfeição. Mesmo um ouvinte pouco exigente poderá perceber essa degradação sonora.
Quem quer construir uma sala dedicada (ou melhorar a que já possui), deve prestar muita atenção a esse problemas.

A melhor forma de descobrir as ressonâncias de uma sala é colocar um disco de testes que gere sons em forma de frequências específicas, gradualmente, partindo da mais alta até a mais baixa, ou o inverso, e ir observando (ouvindo) possíveis vibrações que possam surgir nessa sala.
Mas, para ser prático, vou comentar o que fiz em minha própria sala, e que pode ser experimentado por qualquer pessoa.

A primeira vibração que notei na sala veio de uma ressonância de uma janela com os sons mais graves da caixa. Esta janela possuía amplas áreas envidraçadas, e eram esses vidros que vibravam.
Para não perder a utilidade da janela, que era proporcionar uma iluminação natural na sala quando necessário, foi colocado em cada vidro reforços externos (molduras) coladas diretamente no vidro com cola de silicone, e travadas nas extremidades. O conjunto ficou bem mais rígido, e essa vibração foi eliminada.

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A janela em questão. As amplas áreas envidraçadas foram reforçadas com uma falsa modura colada diretamente ao vidro.

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Da parte interna é possível ver a colagem, externamente o acabamento é perfeito, parecendo que os vidros são mesmo menores.

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As extremidades das molduras coladas são travadas nas molduras originais.

Percebi também a interação de alguns vasos utilizados para aumentar um pouco a difusão dos sons na parte anterior da sala. Essa vibração ocorria de dois modos, do contato do vaso com os tampos de granito das mesas e pelo volume vazio de seu interior.
Para solucionar isso, os vasos foram parcialmente preenchidos com areia, como se faz em alguns suportes de caixas bookshelves para reduzir a vibração da tubulação estrutural. Além disso, para evitar a vibração do contato do vaso com a mesa, foram colados pequenos pedaços de folhas de borracha sob os vasos.

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Vasos parcialmente preenchidos com areia.

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Pedaços de folha de borracha colados embaixo dos vasos (utilizar somente 3).

Visando sanar outras possibilidades de vibrações, todos os vidros dos quadros receberam travas de borracha entre o vidro e a sua moldura, e “pezinhos” de silicone atrás, para evitar contato direto na parede.

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“Pés” de silicone colados atrás dos quadros. Foi colocado também um papelão atrás do vidro para reduzir vibrações.

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Todos os objetos da sala receberam “pés” de borracha.

Além disso, todas a tubulações de cabos receberam borrachas entre elas e a parede, e foram preenchidas com espuma expansível.

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Borracha prensada entre a tubulação vertical dos cabos das caixas bookshelves e a parede.

Os suportes das caixas traseiras foram fixados com 3 parafusos longos cada, e ainda foi utilizado um modelo “travado” já que a maioria dos suportes hoje não possui trava central “decente”, e isso favorece o aparecimento de vibrações.

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Reforços dos suportes. Um outro reforço foi colocado também junto ao canto da parede, para maior rigidez do conjunto.

As mesas da sala receberam robustos pés de borracha, e os tampos ganharam camadas de folhas de borracha entre eles e a mesa. Preferiu-se também o uso de pequenas mesinhas de concreto com tampos de granito, para aumento de peso e redução de vibrações.
Lustres, enfeites, maçanetas, lâmpadas e qualquer outro objeto devem receber o devido cuidado, para evitar qualquer contaminação do som.
E acredite, não é exagero. Já vi sala em que a mobília gerava quase tanto som quanto as caixas acústicas…
Aliás, construí também robustas bases pesadas para as caixas do HT, que funcionam com apenas 3 pontos de apoio. Descobri que é muito difícil eliminar a vibração das caixas com 4 pontos de apoio, pois muitas vezes um deles fica desequilibrado em relação ao outro.

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Detalhe das bases construídas para melhor equilíbrio das caixas do HT, que na época ainda eram utilizadas no sistema estéreo.

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A nova base vista por trás.

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Detalhe do apoio único atrás. Feito com um parafuso de inox com a ponta usinada, permite o ajuste fino do posicionamento da caixa. É possível ver aqui a base de granito, e os ressaltos laterais para evitar que qualquer batida na caixa faça com que ela tombe, por possuir apenas um ponto de apoio atrás.

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