Caixas na medida certa

Como escolher as suas caixas acústicas.

Autor: Eduardo Martins

Precisando comprar caixas acústicas? Conheça as principais características que devem ser observadas numa caixa, e faça uma compra mais segura.

Caixas acústicas para HT

As caixas acústicas são componentes muito importantes, e devem ser escolhidas com bastante cuidado. Afinal, são elas que vão transformar os sinais elétricos vindo do equipamento nos emocionantes sons que ouvimos, e se ela não for capaz de fazer isso com competência, o resultado final será bastante prejudicado. A variedade de marcas e modelos disponíveis no mercado é muito grande, e por isso opções de qualidade não faltam. Porém, além do prestígio da marca e da escolha do modelo que mais combina com o seu gosto, alguns pontos básicos e importantes devem ser observados. Com o objetivo de auxiliá-lo em sua escolha, elaboramos este artigo contendo informações que lhe serão bastante úteis.

5.1, 6.1, 7.1… ???

A quantidade de caixas depende do sistema que será utilizado, e também da capacidade do receiver em atender a essa escolha. Os sistemas mais utilizados são os 5.1, 6.1 e 7.1. O primeiro número se refere à quantidade de caixas que serão utilizadas para compor o sistema de áudio, e o segundo número significa a presença de um subwoofer. Em comum, todos os três sistemas fazem uso de uma caixa central, duas frontais, duas surround (posicionadas atrás do ouvinte e responsável pela sensação de envolvimento do som) e um subwoofer (responsável pelos sons graves), e este é o sistema 5.1. O sistema 6.1 acrescenta mais uma caixa na posição central atrás do ouvinte, e o 7.1 usa duas caixas também atrás do ouvinte. O sistema 5.1 é o mais utilizado e já proporciona um bom resultado, além de ser o mais indicado para salas pequenas. Muitos receivers permitem que os sons que deveriam ser reproduzidos pelo subwoofer e pela caixa central possam ser reproduzidos pelas demais caixas, mas o resultado nem sempre é muito satisfatório.

Impedância, potência e sensibilidade

Ao escolher as suas caixas, considere sempre estes três dados importantes, para evitar danos às caixas ou ao receiver. A impedância (resistência elétrica) da caixa deve ser sempre aquela recomendada pelo receiver. Esta informação pode ser obtida no manual do usuário, e é expressa em Ohms (O). Os valores mais habituais são 4, 6 e 8 Ohms.

A máxima potência que a caixa pode suportar não deve ser inferior àquela fornecida pelo receiver. A potência também é uma informação que pode ser obtida no manual no receiver, e é indicada em Watts (W). Os fabricantes costumam indicar esta potência em Watts RMS ou Watts PMPO. A primeira forma (RMS) indica a potência real que o receiver ou a caixa pode trabalhar continuamente, e é a medida mais confiável. Já a potência PMPO é medida instantaneamente num pico do sinal, e não é uma medida conceitualmente confiável, até pela falta de padronização. Porém, como a potência PMPO expressa um número bem maior, alguns fabricantes costumam utilizar essa medida para “inchar” essa informação. Assim, para uma comparação correta, é preciso observar como a potência está sendo indicada. Caixas de alta potência não significa que elas tocarão melhor ou mais alto, mas tão somente que elas são capazes de suportar receivers mais potentes.

A sensibilidade de uma caixa (expressa em dB – decibéis) está relacionada à capacidade que a caixa tem de melhor aproveitar a potência recebida do receiver em volume sonoro. Assim, caixas com maior sensibilidade precisam de menos potência do receiver para tocar no mesmo volume que caixas de menor sensibilidade. A sensibilidade também não tem qualquer ligação com a qualidade do som.

Resposta de freqüência

Quanto mais ampla a resposta de freqüência de uma caixa, melhor será a sua capacidade de reproduzir todas as freqüências sonoras. A freqüência é medida em Hertz (Hz), e usualmente se considera a faixa de 20 a 20.000Hz como aquela que mais se adapta a capacidade de audição humana. É comum expressar cada mil Hz em KHz, ou seja, 18.000Hz, por exemplo, pode ser indicado como 18KHz. O extremo inferior da faixa corresponde aos graves (baixas freqüências), e quanto menor esse número melhor a capacidade da caixa em reproduzí-los. O extremo superior corresponde aos agudos (altas freqüências), e quanto maior esse número, melhor a capacidade da caixa em reproduzir sons nessas freqüências.

Assim, uma caixa pequena, que normalmente possui uma limitação na reprodução dos graves, pode ter uma especificação parecida com, por exemplo, 70 a 20KHz. Já uma caixa com especificação de 70 a 15KHz possui uma limitação nos graves e nos agudos. A limitação de graves de uma caixa pequena é normalmente compensada com o uso do subwoofer.

Caixas torre, bookshelf e satélites

Conforme o tamanho, as caixas podem ser classificadas como torre, bookshelf e satélite.

As caixas torre são maiores, colocadas diretamente no piso e possuem uma boa resposta de baixas freqüências. São mais indicadas para ambientes médios e grandes.

As caixas bookshelf são menores, e indicadas para ambientes médios e pequenos. Podem ser instaladas numa estante, mas apresentam seu melhor desempenho quando instaladas em pedestais específicos.

Já as caixas satélites são bem pequenas, e costumam ser até fixadas na parede. Normalmente possuem uma resposta de freqüência bem limitada, e usualmente são utilizadas em ambientes com pouco espaço.

O ideal é sempre utilizar caixas do mesmo fabricante e da mesma série para se obter uma melhor harmonia entre elas, preservando um timbre mais equilibrado. Os fabricantes de caixas para HT colocam no mercado famílias completas de caixas, frontais, central e surround, além de um subwoofer, que são projetadas e ajustadas para se obter o melhor equilíbrio do conjunto.

É importante lembrar que o tratamento acústico de uma sala interfere muito no resultado final, mas trataremos desse assunto em uma nova oportunidade.

Subwoofer

O subwoofer é uma caixa projetada para ter uma boa extensão de baixas freqüências, e é responsável pela reprodução dos sons graves. Ele complementa as demais caixas, e possui amplificação própria (subwoofer ativo).

Quanto mais baixa a freqüência de resposta do subwoofer, melhor a sua capacidade de reproduzir os sons graves.

Como o subwoofer possui amplificação própria, a sua potência independe da potência do receiver, porém deve ser escolhida sem exageros, e com um valor compatível com o restante do sistema.

Caixas amplificadas

Como alguns DVD players possuem decodificação interna e saídas independentes para as caixas frontais, central, surround e subwoofer, o mercado disponibiliza conjunto de caixas amplificadas. Esta configuração dispensa o receiver, apesar de normalmente não possuir todos os recursos e as qualidades encontradas com a utilização de um bom receiver.

Numa próxima oportunidade vamos detalhar mais um pouco as características específicas de cada caixa, e as opções disponíveis no mercado.

Com estas informações já é possível fazer uma compra mais segura, mas a velha regra de ouvir antes de comprar, ainda é válida. Ouça cada caixa, procure notar as diferenças, e escolha aquela que mais lhe agrade. Existem caixas de desempenho limitado, e outras de nível hi-end (de altíssima fidelidade). Lembre-se que as caixas nem sempre vão reproduzir apenas vozes, ruídos ou explosões de filmes, mas também poderão ter a tarefa de reproduzir shows musicais, onde suas qualidades se farão notar com mais evidência.

Os preços costumam acompanhar a qualidade, e por isso ouvir várias opções é importante para se fazer o melhor negócio, e evitar frustrações futuras.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário