Audiometria para a Customização de Sistemas de Som

Como deve ser feito um exame audiométrico para orientar os ajustes de um sistema de som customizado?

 

Por: Eduardo Martins

 

Introdução

Já falamos muito aqui sobre a customização de sistemas para compensar os nossos desvios auditivos, e assim buscar recriar a música como ela é de fato, e não como os nossos ouvidos, com suas perdas e desvios naturais, nos apresenta.

Para a ira de alguns, esse é um conceito que vem ganhando força, amplamente amparado em fatos bem esclarecidos pela ciência, e isso acaba por desmistificar certos conceitos que eram tidos como imutáveis na reprodução de som de alta-fidelidade. Ainda bem que estamos sempre evoluindo e aprendendo, pois é sempre uma minoria que faz a mudança tecnológica e vence a resistência à mudança oferecida pela maioria.
É fácil entender, por exemplo, o inconformismo de um avaliador de equipamentos ao saber que o que ele afirma em suas conclusões num teste de um produto, pode não representar a realidade para outros que experimentarão estes produtos, aliás, na verdade, é possível que nem ele próprio esteja captando a realidade do que ouve, o que é mais provável.

Mas, pior do que rejeitar a realidade, é mostrar ignorância sobre o assunto. Um exemplo é quando comentamos que, para melhor compreendermos as nossas características auditivas, é preciso realizar um teste audiométrico completo, amplo, de largo espectro, e o “especialista” em áudio diz, ao tentar desmerecer os fatos e esta importante sugestão, algo como “seja lá o que for esse exame”.

Se considerarmos que a audição é um sentido do nosso corpo, que é capturado e processado pelo nosso sistema auditivo, é de se esperar que alguém que queira se especializar na audição de música compreenda pelo menos o que é uma audiometria. Afinal, sem um sistema auditivo funcionando, somos surdos, e sem um sistema auditivo perfeito, ouvimos algo distante da realidade.
Para efeito de comparação, se queremos enxergar o mundo melhor, como ele realmente é, a primeira coisa que fazemos é um exame de acuidade visual, que vai determinar os desvios que temos e como poderão ser corrigidos através de lentes de correção, quando os problemas se apresentarem da forma mais simples.

Então, podemos concluir que, se queremos ouvir os sons como eles verdadeiramente são, sem as distorções causadas pelos desvios de nossa audição, é de se esperar que um exame seja feito para avaliar a localização e a intensidade destes desvios ao longo da nossa faixa de percepção. Esse exame chama-se “Audiometria”.

O que é um exame audiométrico

O exame audiométrico, ou simplesmente chamado de audiometria, é uma avaliação médica da nossa capacidade de audição numa determinada faixa de frequências, sendo o seu resultado apresentado num gráfico característico (audiograma).

Existem tipos diferentes de exames audiométricos, que diferem principalmente na abrangência da faixa de frequências avaliadas e nos seus objetivos.

Adota-se a faixa de frequências audíveis de um humano como sendo compreendida entre 20 a 20.000Hz (Hz = Hertz), dos graves aos agudos. Não vou entrar em detalhes do que isso significa para não estender demais este artigo, além de que há um farto material sobre isso disponível na internet para quiser quer se aprofundar no tema.
O que precisamos saber aqui é que podemos ouvir sons dentro de uma faixa de frequências, e que essa faixa, além de conter desvios  de amplitude decorrentes de nossa curva de sensibilidade ao longo dessas frequências, também pode sofrer recortes nos seus extremos.

Com o passar do tempo, os nossos ouvidos vão envelhecendo e a nossa capacidade auditiva é fortemente afetada. Há muitos anos se pensava que essa degradação auditiva ocorria principalmente com a velhice, o que também é fato, mas não é somente isso que afeta a nossa capacidade auditiva.
Primeiro, já se descobriu que a nossa audição tem uma sensibilidade e uma extensão bem generosas quando somos crianças, e ao chegarmos à fase adulta, mesmo antes do processo de envelhecimento, os nossos ouvidos já perderam parte dessa capacidade. Ou seja, a perda de audição ocorre já na transição para a fase mais adulta.
Além disso, outros fatores como a intensidade de ruído do ambiente de trabalho, a audição prolongada de música em elevados volumes, o uso de medicamentos, a nossa alimentação e até mudanças orgânicas afetam de forma muito significativa a qualidade da nossa audição. Não é como a visão, cuja degradação maior ocorre em nossa velhice, apesar de observarmos muitos jovens e até crianças usando lentes corretivas.

O exame audiométrico, como já dissemos aqui, vai avaliar estes desvios e limitações, mas ele pode ser realizado de formas diferentes.
Sem querer entrar em detalhes relativos aos procedimentos deste exame, podemos dizer que ele é realizado por um equipamento que vai gerar sons numa determinada faixa de frequências audíveis, e a pessoa avaliada vai verificar a sua capacidade de identificar estes sons com o apoio de fones e sensores específicos.

Dito isso, chegamos ao ponto que nos interessa.
O exame audiométrico pode ter como objetivo avaliar apenas o grau de surdez que pode interferir na vida normal cotidiana de uma pessoa, na sua capacidade de identificar sons usuais e vozes, frequências essas localizadas numa faixa média entre 250 a 8.000Hz. A maior parte dos exames é feita dentro desta faixa, que já diz muito sobre a nossa capacidade auditiva.
Observe que é uma faixa menos abrangente do que seria aquela que já mencionamos de 20 a 20.000Hz. Mas, para a vida normal, esse exame já fornece informações importantes.

Mas, muitos sons, inclusive da música, podem ser encontrados além destes extremos. Além disso, como o decaimento de nossa audição não é abrupto, há uma diminuição gradual que se estende ao longo das frequências. Ou seja, podemos ouvir até, por exemplo, 12.000Hz, mas podemos ter sensibilidade bastante reduzida neste ponto, pois a curva não é plana.
Por isso, engana-se quem acha que um sistema de som será mais perfeito quanto mais plano (flat) seja a sua resposta de frequência. Veja como há anos alguns conceitos audiófilos estão equivocados.

Para termos um resultado mais preciso sobre a perda auditiva, temos um exame audiométrico conhecido como “Audiometria de Alta Frequência”, que abrange uma faixa de 9.000 a 16.000Hz, que normalmente é a primeira faixa afetada pelos problemas auditivos. Esta modalidade é muito utilizada também em estudos de zumbidos que afetam grande parte da população (também utilizada a acufenometria) , ajudando a identificar o tipo de incômodo percebido pelo paciente, que nem sempre consegue retratar com precisão o que sente.
Observe que o exame de audiometria de alta frequência já não engloba as frequências mais baixas.

O exame audiométrico completo, ou de ampla faixa, busca ampliar a faixa de teste abrangendo as mais baixas e as mais altas frequências de nossa faixa de audição. Algumas vezes a faixa padrão de 20 a 20.000Hz é estendida ainda mais quando queremos conhecer os limites de capacidade de percepção de um indivíduo (principalmente em estudos científicos), ultrapassando, assim, os 20.000Hz durante o teste.
Os equipamentos utilizados hoje oferecem grande versatilidade para realizar exames em faixas muito amplas.
Com um exame audiométrico completo, teremos como resultado uma curva que nos mostrará como anda a nossa capacidade de ouvir sons, desde os seus limites superiores e inferiores, até as variações de intensidade ao longo desta faixa.

Quem deve fazer o exame audiométrico

O exame audiométrico pode ser solicitado por várias razões, para efeito de perícia, avaliação de perdas no trabalho, em cirurgias, em caso de suspeita de surdez e por muitos outros motivos.
Mas, aqui no nosso caso, ele deveria ser obrigatório, por exemplo, para quem avalia equipamentos, para que o avaliador pudesse conhecer os seus desvios, corrigí-los e somente depois disso extrair as suas conclusões sobre um teste de equipamento de áudio. Sem isso, qualquer avaliação perde sua credibilidade, por mais que se usem metodologias (inúteis para esse fim), que se acredite ter ouvidos treinados ou de “ouro” (pura fantasia), ou que tenha a mais longa experiência no assunto.

Um amigo me perguntou uma vez se, seguindo nesta linha, o ideal não seria o projetista de equipamentos de áudio também ter essa referência de desvios e limitações de seus próprios ouvidos. Eu acredito que isso seria o ideal, até para que ele tenha uma percepção precisa do que o seu equipamento oferece. Mas, se ele usar instrumentos de medição e garantir a linearidade e extensão da curva de resposta do equipamento, ele poderá ter essa opção apenas como escolha pessoal, e garantiria que o equipamento pudesse atender às máximas exigências, deixando a cargo de cada comprador os ajustes necessários caso busque a adequação do mesmo. Isso normalmente não acontece, pois o consumidor ainda vive da ilusão de que tendo um sistema composto de equipamentos com curvas “planas” e a sala corrigida, isso já lhe ofereceria o que ele precisa de fato, o que se trata de um grande equívoco.

O como fica o audiófilo? Deve ou não fazer?
Aqui temos 3 situações diferentes: o audiófilo que não está nem aí e encontra-se satisfeito com o que ouve, o audiófilo que ajusta o seu sistema ao seu gosto pessoal sem se preocupar com o que seria o real, e o audiófilo que quer apreciar a música em sua plenitude.
Eu penso que o audiófilo tem como objetivo extrair o máximo desempenho de seu sistema, recriar todos os sons em sua sala, ouvir a música em sua plenitude e como ela foi de fato concebida e gravada, e, portanto, realizar uma audiometria, conhecer suas limitações e ajustar o seu sistema para se adequar a elas me parece ser uma obrigação, e não uma escolha.
Sobre esse ajuste, já tratamos isso em muitos outros artigos, e acredito que não é o objetivo agora.

Onde fazer o exame audiométrico

Existem muitas clínicas hoje que fazem esse exame.
Os nossos leitores que fizeram a audiometria completa algumas vezes encontram alguma dificuldade com profissionais acostumados a fazer exames periódicos ou básicos. Já teve um caso do leitor levar um de nossos artigos ao aplicador do exame para que ele pudesse entender o objetivo. O importante é deixar bem claro que o teste deve ser realizado em toda a faixa audível, de pelo menos 20 a 20.000Hz.
Clínicas mais sérias ou especializadas em audição já estão acostumadas com testes mais específicos. O gráfico fornecido pelo exame deve ser bastante cuidadoso, quanto melhor, mais preciso serão os ajustes de correção.

Se o audiófilo tiver uma perda, por exemplo, logo acima de 10.000Hz, ao compensar isso (mesmo que parcialmente) em seu sistema, ele vai perceber um som mais rico em detalhes, com “brilho” mais natural, mais foco e melhor palco sonoro, já que as frequências nesta faixa são mais direcionais se comparadas ao extremo inferior das baixas frequências (sons graves).

Eu já fiz um longo trabalho de pesquisa sobre isso, conforme já publiquei aqui, e a conclusão foi impressionante. Nossas curvas auditivas são quase tão exclusivas como as nossas impressões digitais, e os desvios e perdas ocorrem mesmo em gente muito jovem, muitas vezes sem causa aparente. Não confie nos seus ouvidos, meça-os, pois eles podem te enganar facilmente, e as perdas auditivas são tão graduais e lentas que é difícil perceber que elas estão ocorrendo.

Existem sites, aplicativos, vídeos e arquivos que podem ser baixados e que buscam reproduzir as faixas de frequências audíveis para uma avaliação da saúde de nossos ouvidos. Mas, cuidado, não é tão simples assim, principalmente porque suas caixas ou seus fones podem enganar estes testes por suas próprias limitações, além de muitos outros fatores envolvidos.
Um teste assim até poderia ser de alguma ajuda, mas deve ter alguns critérios para uma mínima utilidade. Lembre-se que, até para levantar a curva de uma sala de audição musical, é preciso ter microfones e medidores calibrados e corrigidos.
Eu, há algum tempo, venho tentando achar uma solução com alguma confiabilidade para sugerir aqui, mas isso iria requerer até caixas, fones e reprodutores bem definidos e testados para maior confiabilidade dos resultados. Espero trazer uma solução razoável em breve, apenas para que se tenha uma ideia prática do tamanho do problema. Mas isso jamais vai substituir um exame profissional, realizado em equipamentos de precisão aferidos, e com todos os critérios necessários.

Conclusão

É assustador que ainda existam pessoas envolvidas com a música que não saibam o que é um teste audiométrico, ou que ignore a importância de um.
Como alguém pode apreciar totalmente a beleza de uma paisagem ou de uma pintura se não as enxerga corretamente? Ou, mais sério do que isso, como alguém pode inspecionar algo, ler um documento técnico ilustrado ou identificar falhas se não consegue enxergar detalhes?
Quando alguns vão entender que os nossos ouvidos são os responsáveis por captar todos os sons em nossa volta, e que o equipamento de som é só uma parte do processo da reprodução musical eletrônica?
Pior quando surgem os “especialistas” querendo falar em “elo fraco”, mas ignora a nossa capacidade de audição. o elo mais importante de todos por ser a percepção de tudo. Preocupam-se apenas com o que sai dos equipamentos, mas se esquecem de que quem processa tudo isso são os nossos ouvidos.

Você consegue dirigir confortavelmente e com segurança um carro com o banco em qualquer posição? Você usa qualquer número de sapato? Qualquer tamanho de luvas? Ao ler algo, você usa um par de óculos de qualquer grau? Todos nós somos diferentes e nos ajustamos individualmente. É impressionante que o audiófilo, que se diz exigente, perfeccionista e detalhista, que gasta fortunas em equipamentos “high-end“, de elevada precisão e alta tecnologia, ignore que a sua capacidade auditiva pode estar limitando toda a sua experiência sonora.
Pior do que isso é ver avaliadores de equipamentos, que realizam seus testes de “orelhada” não saberem nem o que é um exame audiométrico, e, quando sabem, não ter a menor noção do que fazer com ele, e quando descobrem, ignoram ou rejeitam a sua necessidade a todo custo, apenas por ignorância ou interesses profissionais ou pessoais pouco elogiáveis.

Informações Complementares

Aqui não inventamos nada, não vivemos de “achismos” e nem temos o interesse de ocultar a verdade, pois não temos qualquer interesse comercial ou pessoal nas informações que publicamos.
Então, sempre sugerimos aos nossos leitores que, havendo interesse, se aprofundem mais nos temas que abordamos sempre tendo como base artigos técnicos de fontes confiáveis. Publicações especializadas estão cada vem mais perdendo qualidade.

Como o objetivo deste artigo era esclarecer o mecanismo de um exame audiométrico, já que mesmo “especialistas” no assunto desconhecem algumas informações fundamentais sobre esse teste, não entramos em muito em detalhes sobre sua implicação na audição humana, nos limitando a fazer uma rápida abordagem do assunto.
Mas, para enriquecer um pouco o tema, trago aqui um resumo de informações compiladas a partir de estudos científicos sérios e de informações de especialistas da área. Essa abordagem será resumida, apenas para despertar o interesse de quem quiser se aprofundar melhor no tema.

Curva de sensibilidade auditiva de cada indivíduo

Não existe uma curva padrão de audição no mundo real. Dizer que pessoas saudáveis ouvem frequências de 20 a 20.000Hz é uma grande mentira. As pessoas apresentam curvas de sensibilidades que variam em cada faixa de frequência examinada, mesmo com percepções de extremos idênticos. Ou seja, ouvimos de forma diferente.
O som que parece mais equilibrado para mim pode parecer mais “brilhante” para outro, ou mais “apagado” para outra pessoa pela simples mudança de sensibilidade numa faixa mais alta.
O mesmo acontece com a faixa de vozes, que pode apresentar realidades diferentes para cada pessoa, e assim ocorre em cada faixa do espectro de frequências audíveis.

A crença de que pessoas saudáveis ouvem linearmente de 20 a 20.000Hz já foi derrubada há muitos anos em inúmeros estudos e ensaios científicos. Isso não é real.
Dizer que ouvidos treinados conseguem manter a sua largura de faixa de audição também é outra fantasia sem comprovação científica. Existem variações de curva de sensibilidade, mas elas decorrem de inúmeros outros fatores.
Há muito se estuda a possibilidade de exercícios e outros recursos para melhorar ou até preservar a audição, mas mesmo relatos conclusivos até de estudos chineses (bem avançados) sobre o assunto não são tão animadores como se esperava.

Em média, apenas jovens com menos de 20 anos apresentam uma audição ainda próxima da faixa desejável, e mesmo assim com perdas em relação às crianças e aos adolescentes. Estudos mostram que, em média, se perde 2.000Hz em extensão nas altas frequências, a cada década e a partir dos 20 anos, ou até muito antes disso.

Aos 20 anos de idade: Estudos demonstram que o limite de audição nessa faixa já é de 19.500Hz, porém a média levantada em vários estudos foi menos animadora, em torno de 18.500Hz.
Aos 30 anos de idade: A perda auditiva natural já reduz o extremo alto para os 15.000 ou 16.000Hz
Aos 45 anos de idade: Pessoas saudáveis, não expostas à ruídos elevados (muito difícil no mundo atual), sem doenças e uso de remédios (também muito raro), já apresentam, de forma bastante otimista, um limite superior médio de 13.000 a 14.000Hz.
Aos 60 anos : A nossa audição já se encontra bastante prejudicada, podendo chegar a um limite de audição de apenas 10.000 ou 11.000Hz, ou muito menos do que isso em muitos casos.

O sexo feminino apresenta resultados um pouco melhores em relação ao masculino, com médias de 4dB acima do sexo oposto, e com limiares um pouco mais generosos.

As referências acima são para pessoas saudáveis, pois os resultados tendem a ser ainda piores em decorrência da exposição a ruídos, mesmo de baixa intensidade (ruídos de alta intensidade levam a surdez muito mais rapidamente), para indivíduos que apresentam vários tipos de doenças (algumas inclusive apresentam essa sequela), com o uso de medicamentos, de acordo com a alimentação, estilo de vida, uso de álcool e cigarro, fatores hereditários, estresse, etc.

As consequências das perdas auditivas

Óbvio que essas alterações auditivas vão implicar no modo como ouvimos a música, e de forma ainda mais intensa do que em relação aos sons do dia a dia, já que a música é bastante dependente das frequências harmônicas que definem também o seu timbre. Exato, não são somente as frequências fundamentais, como já vi afirmarem de forma incorreta, que devem ser observadas quando falamos em limiares de audição.

A tabela abaixo nos ilustra melhor isso:

(Clique sobre a imagem acima para ampliá-la)

Mais uma vez, por tudo isso que foi aqui demonstrado, dizemos: Não tenha medo de ajustar o seu sistema de som, de “equalizá-lo” com referência à sua curva auditiva. Não há absolutamente nada de errado nisso, pelo contrário, isso é primordial para quem quer ouvir o som real ou mais próximo disso. Pare de se enganar. Pare de ser enganado pelas muitas bobagens que “entendidos” em “som hi-end” lhe diz, pois na verdade eles têm muito a perder com a derrubada de velhos conceitos audiófilos firmados há muitos anos por falta de informação, ou por motivações pessoais ou profissionais. Ainda, comparativamente, passe a usar óculos de grau para enxergar o mundo como ele realmente é, sem medo, e não usar nada ou ainda usar lentes de cristal sem graduação por serem mais “puras” para a passagem de uma imagem distorcida.

Sugerimos algumas referências de leitura sobre o assunto, mas não deixe de pesquisar mais sobre isso. São inúmeras referências científicas sobre o tema que estão facilmente disponíveis na internet.

http://arquivosdeorl.org.br/additional/acervo_port.asp?id=299

http://www.das.inpe.br/~alex/FisicadaMusica/fismus_instrumentos.htm

https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/a-fisica-nos-instrumentos-musicais/

http://www.dirsom.com.br/index_htm_files/Harmonicos.pdf

 

5 Comentários

  1. Olá Eduardo Martins !

    Há algum tempo ensaio escrever este meu depoimento sobre esse assunto que você tem abordado em relação ao ajuste do nosso sistema de áudio para adequação a nossa audição.
    Quero antes de mais nada lhe dar os parabéns pelas ótimas matérias que você compartilha aqui conosco. Aprendi muito aqui neste blog e mudei radicalmente algumas ideias que eu tinha sobre o áudio de alta fidelidade.
    Mas como você mesmo disse aqui uma vez, os dinossauros e os aproveitadores ainda proliferam nos fóruns e nas revistas sobre o assunto e confundindo quem quer participar desse prazer da música.

    Ainda no começo do ano passado me interessei pela sua sugestão de ajustar o sistema, mas por conta da pandemia eu preferi aguardar um pouco antes de realizar uma avaliação melhor dos meus ouvidos.
    Este ano, com as duas vacinas tomadas, retomei meus cuidados com a saúde fazendo alguns exames de rotina e acrescentei uma audiometria dos meus ouvidos também.
    Fiz por conta própria, pedido meu mas que o meu convênio pagou. Descobri que não é um luxo, mas mais um cuidado com a nossa saúde e coberto pelos planos de saúde.

    Apesar de morar em Piracicaba, fiz o exame numa clínica em Campinas, e para minha surpresa, hoje com 56 anos descubro que tenho uma redução da audição já a partir dos 11Khz, que continua decaindo até os 13kHz e a partir daí já não ouço mais nada. Foi uma surpresa para mim, pois nunca fui exposto a ruídos elevados. Trabalho em escritório silencioso, não ouço música alta, e até no carro ando com vidros fechados, não por conta do ruído do trânsito mas por razões de segurança.
    O especialista que me aplicou o exame realizou esse exame que você propôs mais completo, ao meu pedido. Ele disse que conseguia fazer de 100Hz a 18kHz por limitação de seu equipamento, mas me disse que já existem equipamentos que chegam a extremos mais elevados. No meu caso, não foi preciso isso mesmo.
    Além dessa perda acima dos 11kHz, também apresentei uma redução abrupta entre os 450Hz e 750Hz, e um pico de alta sensibilidade em 6kHz.

    Feito o exame, passei por um médico especialista e lhe mostrei os resultados. Ele não se surpreendeu, disse que essas perdas são absolutamente normais, e que conhece muitos jovens com mais variações mais intensas. Disse que tem um paciente de 24 anos que apresenta uma perda importante a partir já dos 10kHz.
    Disse que a partir dos 40 anos é muito comum as pessoas já apresentarem perdas sensíveis nas altas frequências, e que nada pode ser feito em relação a isso.

    Eu comentei sobre os seus artigos e ele achou muito interessante, elogiou a ideia e disse que realmente é isso, possível melhorar o que ouvimos com alguma compensação, mas que com o aumento das perdas as compensações necessárias se tornam muito altas e a partir de um ponto não há mais nenhuma sensibilidade.
    Ele gostou muito da ideia e me pediu o link do seu blog para acompanhá-lo. Ele não é audiófilo, mas também é apaixonado por música com um equipamento bem modesto.

    Tentei procurar o dspeker para fazer a correção sugerida por você, mas esse equipamento hoje é mais raro do que político honesto rsrsrs….
    Comprei um equalizador Cygnus usado no mercado livre, mas muito novo, parece que nunca foi usado. Inslei no meu sistema e fiz uma correção básica.
    Sei que não é o equipamento mais adequado, que não está ao nível do restante dos meus equipamentos hi end e que pode introduzir perdas no sistema, mas eu queria só fazer um teste. Paguei a bagatela de 600 reais nesse equalizador achando que ele ia acabar com as qualidades que alcancei no meu sistema, mas que nada, foi uma grande surpresa.

    Ampliando um pouco as faixas baixas/médias onde ocorre a minha primeira perda, fazendo uma leva atenuação no pico encontrado em 6khz e reforçando as frequencias numa curva a partir dos 11kHz eu ganhei um novo sistema, muito mais interessantes, com mais informações nesta faixa, um som mais rico, mais quente e natural como há muito tempo eu não ouvia, e sem uma incômoda fadiga que me ocorria em audições longas, acredito que por conta do pico em 6kHz. O som ficou mais natural, mais harmonioso e muito mais gostoso de ouvir. As vozes ganharam muito mais naturalidade, mesmo as masculinas.
    Os pontos negativos mais evidentes que notei é que ganhei um chiado de fundo e houve uma diminuição de palco sonoro, o que eu até esperava de um equipamento com um projeto dos anos 80. Evidente que ele não está no mesmo nível do restante do meu sistema.

    Já estou adquirindo o Lokius. Cheguei a encomendar o Loki Mini mas em seguida saiu esse seu novo teste e consegui fazer a troca já que o item não havia sido enviado ainda. Acho que o resultado será mais interessante que esse equalizador.
    De qualquer forma, quero te agradecer pelo que você faz, suas ideias me ajudaram a conseguir um resultado muito melhor do meu sistema com pouco investimento. 300 dólares é uma quantia pequena para o que tenho certeza que ganharei no meu sistema.

    Você sempre nos pede para compartilharmos as nossas esperiências, e aqui está a minha. Espero ter ajudado outros leitores com a minha história e fico à disposição para quem quiser saber mais.

    Um grande abraço para você e espero ter a honra de conhece-lo pessoalmente um dia, e esse sistema incrível que você tem aí na sua sala.
    Depois que eu receber o Lokius eu volto para relatar as novas experiencias.

    abraços

    Dionor

  2. Muito bom e esclarecedor esse artigo.
    O meu pré-amplificador possui controle de tonalidade com 2 faixas, graves e agudos.
    Eu deixo os agudos levemente reforçados e os graves levemente atenuados, e com isso tenho um resultado bem mais agradável para o meu gosto, e agora vejo que também para as minhas necessidades, pois realmente tenho um pouco de perda auditiva nas altas frequências,
    então eu estava no caminho certo sem saber rsrsrs….
    Vocês vendem o controle de equalização Lokius apresentado aqui em outro artigo de review?
    Vocês podem indicar algum teste online para avaliar os ouvidos? Achei vários na internet mas não sei qual vale mais a pena.
    Ganhou mais um seguidor deste excelente site.
    Obrigado

  3. Excelente essa série de artigos sobre este tema.
    Eu já aplicava este conceito de forma inconsciente, ajustando os controles de tonalidade de meu amplificador para aquilo que acredito ser uma deficiência auditiva, e que agora vejo que é bem natural.
    Há de se considerar também que essa curva se altera com o volume também, tanto que antes os equipamentos vinham com um providencial controle de “loudness”.
    Acho que o Hi End foi um avanço na arte de produzir bons equipamentos, mas acredito que também tivemos alguns retrocessos inexplicáveis. A perda de possibilidade de ajustar o timbre do nosso som com a eliminação dos controles de tonalidade foi uma volta no tempo.
    No final, os audiófilos sofrem hoje gastando com cabos para tentar fazer correções no sistema, que já sabemos não serem eficientes além de ser um poço sem fundo para jogar dinheiro. Um cabo nunca conseguirá ajustar a curva do sistema com a precisão necessária. O controle de tonalidade chega perto, mas talvez a volta dos velhos equalizadores seja a solução final para se ter controle preciso sobre cada necessidade individual.
    Outra questão se refere ao antigo controle de balanço “balance” que nos ajuda a ajustar o posicionamento lateral da reprodução quando não estamos na posição ideal central.
    Outra coisa que acho é que o multicanal parece ter morrido. Eu já ouvi sistemas reproduzindo em multicanal e o realismo é impressionante.
    Acho que ainda tem muita coisa para evoluir ainda no áudio de alto nível, e fico satisfeito de ver fontes como este site nos oferecendo estas mudanças.

  4. Obrigado a todos pelos comentários enviados.

    O Hi-Fi Planet não vende produtos. Como já dissemos algumas vezes aqui, o objetivo deste site é levar aos seus leitores informações honestas, corretas e imparciais.
    Quando anunciantes e patrocinadores são introduzidos em qualquer publicação especializada, esta passa a atender interesses comerciais e pode ter a sua credibilidade afetada por estes interesses.
    O dispositivo Lokius apresentado aqui numa avaliação pode ser adquirido diretamente no site do fabricante, sem intermediários, e assim por um preço até mais acessível.

    Abraços

    Eduardo

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