As Implicações Sobre o Fato de Ouvirmos Diferente

Depois de algumas resistências já esperadas e superadas, motivadas por razões óbvias, precisamos agora entender como as implicações do fato de ouvirmos de formas diferentes agem sobre os diversos aspectos do nosso hobby.

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Em uma série de artigos publicados aqui no Hi-Fi Planet, temos mostrado que cada pessoa tem uma característica de audição diferente, ou seja, ouve de uma forma distinta, moderada ou muito significativa.
Esta constatação, como já foi explicado anteriormente, veio de algumas observações pessoais e de uma longa pesquisa sobre o assunto, envolvendo textos científicos, questões práticas, exaustivos experimentos e ainda contou com a colaboração de especialistas na área (médicos com quem tive contato).

A motivação para este estudo teve origem na minha observação de diversos fenômenos ligados à audiofilia que mostravam contradições, e questões aparentemente sem explicações que sempre fizeram parte do hobby, e não havia (ou talvez não se desejava) até então uma explicação objetiva.

Todas as conclusões destes estudos foram confirmadas na prática, através da aplicação de uma adequação individual do sistema de som para cada ouvinte experimentador, conforme sugerido em nossa série de artigos “Rumo à Customização”, que vem sendo aplicada com sucesso por muitos audiófilos.

Agora, compreendida esta questão, precisamos entender quais são as suas implicações em nosso hobby, revendo os conceitos necessários para que a evolução natural to tema ocorra de forma a corrigir os entendimentos até então em vigor.

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Reforçando o Conceito

Curiosamente, muitos tinham conhecimento deste fenômeno, de forma talvez imperceptível e sem juntar as peças do quebra-cabeças. Conviviam com a situação, mas não conseguiam compreendê-la nas experiências vividas no universo da reprodução do áudio.

Exemplos disso podemos encontrar num artigo publicado pela Revista Áudio e Vídeo de Novembro de 1999. Sugiro a leitura completa do artigo com todas as bases científicas apontadas, e que infelizmente não pode ser publicado integralmente aqui em razão dos direitos autorais, que nos restringe a transcrever somente pequenos trechos.

Embasado em fatos científicos que englobam o funcionamento da audição humana, o autor do artigo já nos dava uma evidência clara de que algo mais havia entre o nosso sistema de som e a nossa percepção auditiva: os nossos ouvidos.
Sim, o que deveria ser o mais básico alicerce de construção de um sistema de som de alto desempenho era justamente o mais desprezado pelos audiófilos, que sempre se acostumaram a colocar toda a responsabilidade do resultado sonoro aos equipamentos e às gravações, além do meio de reprodução (sala e agregados).
Nossos ouvidos costumavam ficar em último plano, e na maioria das vezes totalmente ignorados neste processo.

Alguém com um desvio de visão poderia realmente apreciar a excelente qualidade de imagem de uma tela de altíssima resolução e fidelidade sem a ajuda de um par de óculos?
Muitos sequer não conseguem ler ou dirigir sem eles, e mesmo aqueles que não o utilizam podem não estar livres de leves ou moderadas variações da percepção visual.

Vejamos alguns trechos mais importantes e conclusivos do artigo citado que já começa com a sugestiva questão:

“Será que duas ou mais pessoas, em igual situação – quanto à sala, equipamento, discos etc. – perceberão (ouvirão) o som (a música) da mesma forma?”

Depois da apresentação do funcionamento do nosso sistema auditivo e de como os nossos ouvidos e o nosso cérebro interpretam os sons que ouvimos, a questão inicialmente formulada vai sendo respondida com conclusões bastante óbvias, e apoiada em fenômenos já bem conhecidos da comunidade médica e científica, com base no funcionamento de nosso sistema auditivo e nos inúmeros estudos e testes realizados nesta direção e que não nos deixam qualquer dúvida.

Sobre o funcionamento do nosso aparelho auditivo,  artigo cita:

“O desgaste da cóclea é inevitável com o passar dos anos, e tal desgaste é chamado presbiacusia. As células ciliadas responsáveis pelas frequências elevadas vão, por sua vez, perdendo a sensibilidade até que não encontram sons suficientemente intensos (fortes) para estimulá-las. Por isso, aos 40 anos de idade nossa sensibilidade às frequências altas já foi reduzida para um décimo de sua capacidade; para ser percebida como antes dos 40 anos, a frequência terá de ter uma intensidade dez vezes maior.”

Ou seja, depois dos 40 anos precisamos de 10 vezes mais intensidade nos sons de alta frequência para que elas sejam percebidas com a mesma intensidade de quando éramos mais jovens. O artigo ainda complementa que:

“Os registros explicam que perdemos cerca de meio (0,5) herts a cada dia de nossa vida, e após os 40 anos a perda anual começa a acentuar-se. Afortunadamente, o que se perde não são as notas e sim a riqueza tonal, os harmônicos, como se se operasse um amortecimento; o som dos instrumentos vão-se “apagando””.

Continua:

“Com a velhice, perdemos também a capacidade de discriminar frequências contíguas e aqui, mais uma vez, é na faixa dos 40 que a coisa começa a acontecer.”

Ressalta, ainda, como o processo de audição depende até do formato da orelha:

“Não existem duas orelhas iguais e, por conseguinte, nem duas iguais percepções.”

Ainda que no mesmo indivíduo as variações do formato das orelhas acabem compensadas pelo cérebro, diferentes pessoas terão percepções também distintas. Reparem bem noa diversidade de formatos de orelhas das pessoas que você conhece, e entenderá o porquê disso.

Como podemos ver, até a imprensa dirigida já conhecia esta diversidade auditiva, sem, talvez, nunca ter se explorado as suas implicâncias.

Estudos de universidades americanas também já concluíram que o nosso mecanismo de audição é bastante complexo, e que mesmo jovens possuem curvas de audição distintas, como uma impressão digital, o que vem sendo confirmado por pesquisadores do mundo inteiro.

Todos estes estudos comprovam uma só coisa: ouvimos de forma diferente.
Assim provado, não nos resta alternativa senão compreender estes desvios e encontrar formas de compensá-los, ou pelo menos conhecer o quanto eles afetam as nossas audições, pois isso é essencial para que possamos ter um interpretação fidedigna dos sons.

Esta é a base do conceito científico tão desprezado hoje pela audiofilia.

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As Implicações Óbvias das Variações de Sensibilidade Auditiva

É evidente que se a nossa sensibilidade auditiva não é “padronizada”, a nossa audição fica refém de variações que proporcionam distintas percepções dos sons que ouvimos.

Ainda que a maioria das pessoas consiga identificar a origem do som ou perceber alguns elementos de sua composição, isso não se presta a garantir que as suas referências estejam corretas, ou que estes elementos sejam apreciados na mesma intensidade e com o mesmo invólucro sonoro.

O que isso quer dizer?
Lamento profundamente informar que muitos conceitos firmados na audiofilia estão incorretos.

Neste tempo todo estávamos no caminho errado.

Tenho defendido em inúmeros artigos que já escrevi, inclusive para publicações estrangeiras, que a audiofilia da forma como sempre víamos estava equivocada.
Essa constatação abre um novo universo de possibilidades que, por nossa sorte, ainda podem fornecer os subsídios para que possamos atingir o nosso principal objetivo: ouvir música com a melhor qualidade possível.

Quando falamos em “qualidade de audição” não estamos nos limitando somente ao som reproduzido eletronicamente, que é diretamente afetado pelas nossas variações auditivas, mas também aos sons naturais percebidos no dia a dia.
Pior do que isso é constatar que muitos se utilizam do som ao vivo como uma referência absoluta, levando aos seus sistemas de som as mesmas limitações percebidas na reprodução ao vivo.
Ou será que alguém ainda duvida disso?

Por isso faço uma distinção entre o que chamo de “som ao vivo” e “som real”.

Som ao vivo é aquele que você percebe com todos os desvios provocados pelo seu sistema auditivo. Som real é aquele que deveria ser o correto, o som natural, as vibrações nas frequências audíveis que estão sendo produzidas para gerar a percepção sonora, mas que sofrem as limitações do nosso sistema auditivo.

O Audiófilo deveria se preocupar em buscar ouvir o som real, e não em reproduzir o som ao vivo em seus sistemas.

Se você possui um problema visual e não consegue enxergar com precisão os detalhes por conta disso, é este resultado que você vai querer extrair de seu televisor? Tenho certeza que não. Mesmo que ao ver a imagem “ao vivo” ela lhe pareceu “embaçada”, nada impede que em sua sala você faça os ajustes necessários para corrigir estes desvios, através de óculos que recupere o seu grau de visão na distância em que vê a imagem ou ainda através de outros recursos.

Mesmo a publicação já citada, em outra oportunidade relatou que num teste de um aparelho de televisão a imagem daquele aparelho se mostrou melhor que a imagem ao vivo, e que esta pareceu “embaçada” ao avaliador e outros presentes, enquanto a imagem do aparelho lhes pareceu mais precisa.

O que ocorreu aqui? Uma óbvia compensação visual.

Porque então não podemos transpor esta experiência para o áudio?

Esta distorção do “ao vivo” é apenas uma das consequências do fato já constatado de que ouvimos diferente, e que deve ser analisada entre tantos outros para que a audiofilia comece a acertar a direção que deve ser seguida. Se não nos conscientizarmos disso, acabaremos convivendo com esta verdadeira confusão que virou a audiofilia, cada qual numa direção, com informações equivocadas, uma ampla sustentação baseada na mera subjetividade e nas eternas discussões entre os audiófilos sobre o que é certo ou errado neste hobby.

Se não redefinirmos as bases da audiofilia e estabelecermos os reais objetivos a serem perseguidos, continuaremos sendo apenas consumidores de produtos hi-end

Tenho a certeza que o objetivo do nosso hobby não é só comprar equipamentos e acessórios hi-end, mas tentar reproduzir em nossas salas a verdadeira riqueza dos sons presentes na obra criada por um artista.
Sendo assim, vamos compreender um pouco melhor as consequências advindas dos conceitos acima?

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A Referência para o Ajuste de Um Sistema de Som de Alto Nível

Por muitos anos foi defendido que um sistema de som deveria ter uma reprodução plana, ou ser “flat”, como se costuma dizer.
Evidente que este conceito já não encontra mais amparo na realidade.

A preocupação maior dos audiófilos em geral era obter um sistema com resposta absolutamente plana, entendendo-se por sistema a inclusão da sala e demais variáveis, exceto… adivinhem… os nossos ouvidos (o sistema auditivo de um modo geral).
Mais uma vez o principal elemento da cadeia de reprodução e percepção dos sons era desprezado.

Este conceito veio mudando nos últimos anos, mas de forma errada.
Atribuiu-se ao gosto a necessidade de ajustar o sistema para que ficasse mais “agradável aos ouvidos” de cada um, sem saber exatamente para onde o resultado era conduzido.

Para este ajuste “de gosto” criou-se até a conhecida filosofia do “compre cabos”, que fez muitos fabricantes, revendedores e anunciantes felizes, que passaram a difundir a idéia de que cabos poderiam fazer o “ajuste fino” do sistema, e a filosofia do “quanto mais caro melhor” ganhou um novo aliado para o comércio.

Não rejeito que o gosto pessoal é importante e que deve ser colocado na balança, mas é preciso ter uma referência antes de começar os ajustes, e, novamente, esta referência é o nosso sistema auditivo.
Sem conhecer o seu comportamento e as suas características dificilmente conseguiremos conhecer o som Real para dosá-lo ao nosso gosto.
Devemos partir desse referencial. Conhecer as limitações de nossos ouvidos.
Se temos uma deficiência qualquer, uma perda de sensibilidade nos agudos ou nos graves, excesso de sensibilidade em determinada frequência, isso deve ser conhecido, e devemos começar pela nossa curva de audição como um elemento referencial.
Uma audiometria completa é uma ferramenta bem interessante para isso.

Há quem diga que “sem conhecer o som de um piano, como o ouvinte sabe que está ouvindo um piano?”, ou ainda usam até comparações com frutas ou outras mais ridículas tentando confundir a cabeça do consumidor.
Na verdade, equipamentos de nível hi-end estão hoje quase tão nivelados em desempenho que jamais um modelo vai fazer o som de um piano parecer o de um violão.

Além disso, como podemos conhecer o verdadeiro “sabor do morango” se, por uma razão qualquer, a nossa percepção de gosto foi alterada?
Ou, como podemos conhecer os detalhes de uma pintura à óleo se a nossa visão possui alguma deficiência?
Vamos levar esta referência para o nosso ajuste? É isto que queremos?
Óbvio que não.

Sendo assim, antes de usarmos qualquer referência para o ajuste do nosso sistema de som, seja aquela ao vivo ou qual for a escolha do ouvinte, precisamos conhecer as limitações dos nossos ouvidos, entender como ele está interpretando a realidade.

Este tema já foi amplamente detalhado e discutido em nossos artigos anteriores sobre o assunto, e estendê-lo aqui seria desnecessário e até repetitivo.

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A Confiabilidade dos “Reviews” em Xeque

Ao compreendermos que ouvimos de forma diferente e que equipamentos hoje estão num nível tão elevado que muitas diferenças estão na grandeza das sutilezas, como podemos confiar em avaliações subjetivas?
Conhece a história dos ouvidos de aluguel? Podemos mesmo confiar o nosso sistema aos ouvidos de outro?

Já vimos que as curvas auditivas variam de pessoa para pessoa, que existem perdas desde que nascemos, que elas são muito acentuadas depois dos 40 anos, e aí pergunto: o que o avaliador realmente ouviu? você sabe?
Ele ouve o que você ouve?

Acredito que esteja aí a razão da grande diversidade de opiniões que os avaliadores têm do mesmo produto, apesar que hoje vemos um certo “alinhamento” bem curioso de opiniões, talvez para dar maior credibilidade nestas avaliações.
Convenhamos, como alguém com uma característica de audição própria pode determinar, num teste subjetivo, sutilezas tão específicas de um produto quando as suas próprias variações auditivas são bem mais significativas?

Se um teste subjetivo já carece de total segurança de resultados, pior quando o elemento avaliador não é preciso, no caso o sistema auditivo.

Aí surgem alguns avaliadores e defensores de equivocadas “metodologias” e questionam:

“Se fosse verdade que cada um ouve diferente, como todos podem notar as variações de uma passagem musical, como podem identificar as batidas sutis de outro trecho musical, e acompanhar os exemplos dos discos de referência, etc…?”

Na verdade, nem todos podem. Na verdade, perceber não significa distinguir ou interpretar com qualidade. Na verdade, esta é mais uma visão equivocada de nosso hobby.

Num destes exemplos de uma revista, o avaliador, ao querer demonstrar o excelente nível de qualidade de um produto, comenta que ele foi capaz de mostrar a quantidade precisa de repetição de sons numa passagem de seu disco de referência.
Curiosamente, porém, este número de repetições eu pude confirmar em meu CD player do carro e num micro system Sony de uma amiga.
Isso pode mostrar que a produto testado pelo avaliador foi talvez capaz de compensar a deficiência auditiva do próprio avaliador, talvez proporcionando um reforço naquela determinada frequência.

Vamos usar um exemplo bem simples, novamente utilizando como comparação outro de nossos sentidos, a visão.
Veja a figura abaixo:

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É bem provável que a maioria dos leitores deste artigo conseguiram enxergar a quantidade de letras mostradas, e até perceberam que existem óbvias variações de tamanho entre elas, mas, será que todos fizeram isso com exatidão e até mesmo em condições de identificar nitidamente todas as letras e sem a utilização de qualquer recurso (óculos, lentes, etc.)?
Tenho certeza que não. Podemos perceber as variações, mas isso não significa que o resultado final seja preciso.

Sabemos que a avaliação de um produto de áudio pode ser contaminada por outros interesses, normalmente em favor da publicação, dos anunciantes ou até de lojas próprias. Mas, mesmo um teste realizado somente com boas intenções não pode determinar com precisão o que é melhor para cada um. Isso não existe.

Esta é, inclusive, a razão de muitas publicações serem tão resistentes às idéias aqui apresentadas, rejeitando os fatos a qualquer custo e com os argumentos mais frágeis e absurdos.
Até publicações no exterior, para onde encaminhei um artigo em inglês apresentando o tema aqui abordado, mostraram resistência à publicação do artigo. Algumas ficaram no silêncio, mas alguns editores com quem tenho mais afinidade se mostraram bastante preocupados com a publicação desta idéia e com as consequências que sofreriam com isso, mesmo convencidos da veracidade e da real utilidade das informações fornecidas. Um destes editores me confidenciou que estava realizando algumas experiências e estava surpreso positivamente com os resultados, a ponto de ficar animado em estudar uma forma de publicar o artigo sem lhe causar “muitos danos”.

É fácil entender que qualquer avaliação subjetiva se torna ainda mais pessoal quanto mais imprecisa for a audição do avaliador.

E, infelizmente, como já pudemos ver, ninguém escapa deste problema, principalmente aqueles que estão acima dos 40 anos, como é a maioria dos mais “respeitados” avaliadores, infelizmente.

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Onde Devemos Investir

Esta é outra condição que precisa ser revista, afinal, buscar o melhor resultado de nossos sistemas de áudio requer tempo, dinheiro e dedicação.

Até então os Audiófilos, de um modo geral, investiam pesado em equipamentos e acessórios convencionais para tentar obter o “som perfeito”.
Muito se gasta em troca de amplificadores, players, caixas, cabos, etc.
Nesta trocas, muito frequentemente ouvimos relatos de mudanças como ganho de qualidade dos graves, maior extensão dos agudos, melhor foco dos instrumentos, palco sonoro mais definido, etc.
Muitas destas características, porém, estão diretamente ligadas a forma como ouvimos.

Pudemos conhecer na série de artigos “Rumo à Customização”, publicados aqui no Hi-Fi Planet, algumas alternativas para obter resultados semelhantes, compensando os nossos desvios de audição e utilizando dispositivos ou ajustes específicos para isso.
Desejar, por exemplo, corrigir as variações de uma curva auditiva com cabos é algo que beira a insanidade, pois nunca haverá um cabo capaz de realizar pontualmente cada ajuste e na intensidade necessária. Um equalizador paramétrico pode fazer isso, um cabo jamais. Isso é uma fantasia das mais absurdas que se pode criar em torno dos cabos “audiófilos”.

Portanto, outra implicação do que conhecemos hoje sobre a importância de nosso sistema auditivo na montagem ou no ajuste de um sistema de som está ligada à forma como investimos em equipamentos.
Equalizadores de alto nível e processadores digitais que não deterioram o sinal são muito mais efetivos do que a maioria dos upgrades realizados pela maioria dos audiófilos.

Precisamos saber onde investir os recursos disponíveis para termos resultados realmente consistentes, cada vez mais colocando o nosso sistema auditivo como o centro das atenções.

É preciso rever os conceitos, entender que a ciência não é inimiga da arte, que precisamos observar, estudar, compreender e buscar as soluções para aprimorarmos cada vez mais os resultados que buscamos.
Não é mais admissível que tenhamos que viver na subjetividade individual (como vimos aqui ela é muito pessoal), e esquecer que os nossos ouvidos são diferentes, que ouvimos de formas diferentes, e que aquilo que é perfeito ou imperfeito para um pode ser o oposto para o outro.

Chegou a hora de darmos um passo para frente na audiofilia, de evoluir, e deixar para trás esta confusão que cerca conceitos tão básicos que sequer precisariam estar sendo defendidos tão repetidamente.

Chegou a hora de deixarmos para trás todo este misticismo que existe em nosso hobby, por mais que este “falso mistério” faça parte da sua magia, e nos orientarmos na direção da qual nos desviamos, a busca pelo som perfeito.

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Evoluir é preciso.

 

 

9 Comentários em As Implicações Sobre o Fato de Ouvirmos Diferente

  1. Sem óculos ainda enxerguei o Y, mas que me pareceu um V.
    Muito bom o artigo. Se superou novamente. Parabéns.

  2. Olá Luis,

    Recebi a sua contribuição e agradeço muito.
    Vou publicar em breve, pois é outra experiência muito importante e que precisa ser relatada.

    Convido a todos os leitores que relatem as suas experiências aqui.
    Pela quantidade de e-mails que recebo, sei que muitos podem colaborar com outros colegas que ainda estão na dúvida sobre aplicar esta técnica.
    Assim como compartilho estas experiências com todos, é importante que vocês também dividam suas experiências aqui.

    Obrigado,

    Eduardo

  3. Essa revista ora fala uma coisa, ora fala outra. Nunca vi tamanha confusão de opiniões.
    No passado o editor ao ouvir um sistema multicanal de outro diretor da revista se disse confesso de seu erro em achar que este formato não superava o estéreo e que teve que rever os seus conceitos. Tempos depois afirma que o multicanal nunca o convenceu.
    Em um teste comentou que o vinil sempre lhe pareceu muito superior ao CD, em outro diz que o CD havia evoluído tanto que a distância que existia entre os dois formato havia acabado.
    As opiniões ali variam conforme a lua…
    O Hi-Fi planet criou um novo formato de informação, imparcial, honesto, corajoso e objetivo. Aprendi muito mais aqui do que nas besteiras que publicam por aí, e isso é audível no meu sistema.
    Obrigado por vocês existirem.
    Roger de Souza (Bahia)

  4. Bom dia amigos do blog.

    Aconteceu algo curioso comigo e contribuo com o meu relato aqui.
    Eduardo, lendo os vossos relatos anteriores sobre a customização, acabei por realizar um exame audiométrico.
    Duas coisas me chamaram a atenção, a primeira é a dificuldade de se conseguir um exame à altura daquele que o senhor sugere em seus relatos.
    Para conseguir um exame um pouco melhor foi bastante difícil, com mais pontos analisados. Me disseram na clínica que este tipo de exame sé tem em São Paulo e Campinas lugares mais perto de onde moro.
    A segunda coisa foi a surpresa de ver que apesar de me considerar ainda jovem (36 anos), de não me expor a barulhos altos (nunca gostei), de ter sempre tido uma saúde perfeita e de achar que eu ouvia perfeitamente bem, surgiram desvios acentuados na minha audição que eu não esperava. O médico que realizou o exame disse que isso é normal, que todos nós temos algum desvio.

    Para corrigir estes desvios, e acreditando que o meu sistema tem uma resposta razoavelmente plana por conta de medições que realizei há uns 6 meses, apliquei a curva de correção de meus desvios conforme ensinado em seus relatos em um equalizador Yamaha YPD2006, que para os padrões audiófilos pode não ser lá nenhuma maravilha, mas era o que eu tinha sobrando aqui.
    Depois dos ajustes coloquei meus discos de referência para tocar. Inicialmente achei o som um pouco estranho e passei a prestar atenção para tentar descobrir o que eu estava sentindo de fato.
    A impressão seguinte foi de que os discos começaram a mostrar mais do que antes parecia estar gravado. Tinham coisas que eu nunca havia percebido antes.
    Eu fiz o teste num final de semana, e devo ter escutado umas 8 horas de música no total.

    Na segunda feira seguinte quando fui trabalhar e liguei o som do carro (que é de excelente nível) a impressão que tive foi de um som abafado, sem vida e com ausência de detalhes. No escritório comecei a prestar atenção nos ruídos habituais, teclar dos teclados de computador, vozes, passos, e tudo parecia abafado também, nada parecia natural.

    Na semana que passou fiquei nesta comparação, ouvindo o meu som de casa corrigido a noite e prestando atenção aos sons do dia a dia e do carro.
    Passei a entender a idéia do som real e som ao vivo. Como o avaliador que testou a televisão da revista, também comecei a achar o som da minha sala mais natural, realista e bem mais detalhado.
    Você demora um pouco a se acostumar com aquilo, mas depois de um tempo quando tira o equalizador do sistema o som fica muito sem graça.

    Vou pedir para um amigo realizar uma nova medição da minha sala agora depois dessa correção, e confirmar o correto ajuste da curva.

    Só para informação, meu sistema de som é de elevado nível hi-end, com caixas Dynaudio Confidence 4, mas eu nunca ouvi estas caixas me fornecerem tanta informação nas altas e médias frequências, parecem outras caixas, parece que troquei tudo.
    Tanto tempo buscando ajustar sistema e sala para uma resposta plana perfeita e hoje descubro que poderia ter gasto muito menos para ter este resultado fabuloso, principalmente o que já gastei em cabos para tentar ajustar o sistema, o que daria para comprar um carro.
    Vou agora pesquisar um dispositivo mais apurado para fazer esta correção e ver se melhora ainda mais. Porém, do jeito que está hoje dá até medo de mexer e estragar tudo.

    Valeu pelas vossas dicas. Muito obrigado de coração.

    Espero ter colaborado um pouco com a minha singela experiência.

    Um grande abraço a todos

    Gilson Aquino

  5. Olá Gilson,

    Muito obrigado pela sua contribuição. É disso que precisamos, compartilhar as experiências individuais.

    Abraço

    Eduardo

  6. Caros amigos,

    Mais uma vez, insisto para que adotem uma postura educada e respeitosa em suas mensagens.
    Toda mensagem com teor agressivo, ofensivo e de intenções duvidosas serão excluídas.

    Toda e qualquer informação deve ser enviada com base probatória, e não como mera especulação, para que, se necessário, possa ser defendida oportunamente.

    O Hi-Fi Planet não despreza a importância de qualquer trabalho feito em prol no crescimento do áudio de qualidade no Brasil, e sempre se colocou na condição de colaborador.
    Qualquer agressão que tenha sido dita ou escrita em relação a este site ou a este autor, realmente não me interessa.
    Concordar ou não com o que está escrito aqui não muda o fato da imparcialidade e da isenção dos textos, pela total falta de interesse econômico. Portanto, eventuais críticas não me provocam qualquer prejuízo.

    Convém ressaltar, porém, que tudo que se publica ou se diz pode ser interpelado judicialmente, e se não provado, pode ter as consequências punitivas previstas em lei.
    Tudo o que escrevemos aqui é baseado em fatos, em comprovações reais, e podem ser provadas a qualquer momento. Mesmo os comentários enviados são checados para comprovar a veracidade das informações e, se necessário, solicitamos mais detalhes, origem e até cópias das publicações ou documentos de onde foram extraídas.

    Todos são bem-vindos aqui, desde que não se utilizem deste espaço para fomentar conflitos e ataques a quem quer que seja.

    Obrigado,

    Eduardo

  7. E mais uma vez uma revista de áudio critica os seus leitores.
    Quem eles acham que são os leitores da revista, membros fanáticos de uma seita criada por eles?
    Não, na verdade são internautas, audiófilos bem informados, experimentadores, técnicos, médicos e… até engenheiros!!! agora também criticados.
    Mais um que desistiu de comprar esta revista.
    Depois reclamam.

  8. Acho este site fantástico.
    Tudo é abordado de forma inteligente e muito didática. Já economizei muito com o que aprendi aqui.
    Virei participante ativo.

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