A Eterna Batalha Entre o Certo e o Errado

Parece que há ainda uma grande dificuldade em entender algumas simples idéias por aqueles que ficaram muito tempo presos e condicionados a velhos conceitos, ou será uma demonstração de medo por outras razões?

Chovendo No Molhado

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Lá vamos nós outra vez…

Parece um absurdo ter que abordar o mesmo tema de forma tão repetitiva, mas é impressionante como alguns “formadores de opinião” irresponsáveis (pois existem aqueles sérios também) insistem em defender o indefensável, colaborando de forma destrutiva para o crescimento de um hobby que se resume simplesmente em ouvir música com qualidade e o mais real possível (esse conceito de “real” é que está sendo de difícil assimilação pelos velhos “dinossauros”) .

Parece ser muito complicado para alguns “profissionais do áudio” conseguir separar os seus interesses pessoais daquilo que realmente é importante para o audiófilo, e assim eles alimentam um mundo complexo e confuso que sobrevive de ilusões e fantasias que levam o audiófilo à uma completa confusão da realidade.
A ciência é ignorada, o “subjetivismo” é elevado ao status de “objetivismo preciso”, os fatos se tornam mera ilusão, as experiências pessoais são também ignoradas e ridicularizadas com muita ironia e deboche, e a sensação que temos é que tudo isso visa somente alimentar um mercado que enriquece vendendo “objetos mágicos” produzidos com “fórmulas secretas” por algum bruxo.

Não sou comerciante, não ganho um único centavo com o mercado de áudio (que está muito longe de fazer parte de minhas atividades profissionais), não faturo com anunciantes, publicações, feiras, eventos ou com lojas de produtos audiófilos, e ainda gasto tempo e dinheiro para manter este site, cujo único retorno que me proporciona é a satisfação de poder colaborar para que o consumidor de equipamentos de áudio de qualidade faça as suas escolhas com segurança, comprando o certo pelo preço justo.

A série de artigos que escrevi sobre customização de sistemas, sobre o questionamento do som ao vivo como referência absoluta, e sobre as características individuais de audição deveria ser suficiente para que qualquer um pudesse interpretar de forma muito clara o ponto central de uma idéia bastante simples, básica, real, científica e comprovada de que nós ouvimos de forma diferente e, portanto, o conceito de certo e errado no áudio passa pelas nossas características auditivas individuais, mudando a forma como devemos enxergar a audiofilia.

O sucesso da audiofilia está no binômio sistema + ouvinte.
Entenda-se por sistema desde a instalação elétrica, passando pelos equipamentos até as características acústicas da sala, e por ouvinte as características auditivas individuais (extremamente importantes).
Infelizmente, o entendimento que existe hoje é que o sistema (principalmente equipamentos e acessórios) é tudo, e o ouvinte se resume num formador de opinião que estabelece o que é certo ou errado para todos os demais, normalmente e novamente, colocando o sistema como o centro de tudo.

Mas, parece que quanto mais demonstramos esse erro conceitual, quanto mais explicamos e provamos, quanto mais leitores comprovam os resultados, mais preocupados e incomodados alguns ficam.
Mas, se pensam que vão impor as suas regras pela insistência sobre um ponto de vista equivocado, enganam-se, pois é grande o número de leitores (não só no Brasil) que estão encontrando hoje algumas verdades antes escondidas dentro de um saco de bobagens. E a grande vantagem é que meia dúzia de verdades são suficientes para rebater todo o saco de bobagens acumuladas ao longo de muitos anos.

Sobre As Nossas Diferenças Na Percepção Auditiva

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Curva típica de audição de uma pessoa de 23 anos com uma vida saudável.

Assim como usamos camisas de números diferentes, sapatos de tamanhos diferentes, possuímos cabelos de cores e tipos diferentes, alturas diferentes, percebemos sabores de forma diferente, enxergamos também diferente, é fácil deduzir que o nosso sistema auditivo também pode apresentar características também diferenciadas entre cada indivíduo (e realmente apresenta).
Aliás, exames audiométricos mostram diferenças até entre os ouvidos direito e esquerdo de um mesmo indivíduo.

Enquanto alguns “espertinhos” tentam negar este fato e induzir as pessoas a acreditarem no que eles afirmam, milhões de exames audiométricos (que avaliam a curva de sensibilidade de nossos ouvidos para a nossa faixa de frequências audíveis) comprovam diariamente que as variações de nossa audição são enormes, e mostram claramente que ouvimos de forma muito diferente.
Não acredita nisso? Então faça uma avaliação audiométrica e comprove estas variações, e depois compare com avaliações de outras pessoas. Tão simples assim.

Não adianta inventar, isso é fato.
Exames audiométricos são amplamente utilizados para avaliar perdas auditivas, em baixas, médias ou altas frequências, e nos estudos que fiz com acesso a um universo significativo de amostras destes  exames, estas diferenças restaram comprovadas sem qualquer dúvida.
Quanto mais detalhado o exame, mais as diferenças aparecem, demonstrando a ampla complexidade e variedade de resultados.

Médicos especialistas sabem disso, medem isso e convivem com a identificação destas variações.
Mas, os “doutores” especialistas em “percepções subjetivas” ignoram isso. Para estes, existe uma magia inexplicável que faz uma Ferrari ser um possante veículo esportivo, e toda engenharia aplicada ali não serve para nada.
Para eles vale a “sensação individual”.
É como o comprador de um carro novo, onde muita engenharia foi aplicada para uma condução bastante estável e muito baixo ruído interno.
Muitos destes motoristas dizem : “Puxa!!! o velocímetro marca 120 km/h e a sensação que tenho é de estar a 90 km/h”.
Quem já passou por isso? A sensação era real? Garanto que real será a multa que o condutor vai receber por confiar na sua “percepção subjetiva”.

Estes infelizes e desesperados “mestres” fazem comparações absurdas e tendenciosas com frutas, ou comparando instrumentos musicais e questionando como podemos ouvir diferente se identificamos cada coisa como ela é.
Eles se esquecem (talvez de forma bastante conveniente) de algo chamado “referência”. Se a sua referência for equivocada, você vai transportar este erro para a sua realidade, que passará a lhe parecer verdadeiro.
Só para nos mantermos dentro destes exemplos que eles gostam de usar, vamos reforçar a idéia com um pouco de exagero, para melhor compreensão (deles, pois não vejo mais estas dificuldades de compreensão nos leitores do Hi-Fi Planet).
Imagine que alguém, ao comer um morango, por uma razão qualquer sinta o gosto de uva, que por sua vez, lhe parecerá ter outro sabor.
Ela nunca terá qualquer dificuldade em identificar que aquele sabor que ela sente (que é uma percepção equivocada, mas ela e ninguém mais sabe disso) se refere a um morango. Mais doce, mais ácido, seja numa bala ou num pudim, sempre lhe parecerá um morango, e nem ela ou qualquer outra pessoa ao seu lado estará sentindo a percepção dela para dizer que ela tem uma sensação de gosto diferente.
Até num “teste cego” de degustação, ela vai identificar o morango como morango, mesmo com gosto de uva.
Como eu disse, estou exagerando no exemplo, mas quantas variações de sabor não existem por aí?

Claro que as pessoas criam um vínculo com cada sensação, independente dela ser ou não idêntica a de outra pessoa.

Nossos sistemas auditivos não são idênticos, e além de possuírem diferenças construtivas (internas e externas), também não são instrumentos de alta precisão “calibrados na fábrica” e aferidos periodicamente, como sonham alguns.
Qualquer profissional da saúde ou qualquer especialista no sistema auditivo humano sabe que cada pessoa possui uma curva de sensibilidade auditiva diferente, independente da idade ou da condição física, que também alteram a nossa audição entre muitos outros fatores.
Mesmo alguns leigos que perguntaram sobre isso para quem conhece o assunto, ou perderam algum tempo lendo um livro ou um texto sério sobre o tema têm esta certeza também. Este assunto é também abordado até em alguns livros e publicações sérias sobre audição musical.
Não se pode querer, também, que uma pessoa de 50 anos ouça de forma idêntica a outra de 20 anos, e isso é comprovado em estudos e na prática. Como podemos então acreditar em avaliações de equipamentos de áudio numa situação complicada como esta?
Esta é mais uma razão para os “últimos resistentes” negarem a qualquer custo este fato (dentre muitos outros), pois essa verdade lhes coloca numa situação bem delicada, como me confidenciou o editor de uma publicação estrangeira que já comprovou a veracidade destas afirmações, mas não sabe ainda como apresentar isso ao seu público leitor sem causar uma enorme perda de credibilidade do um trabalho feito há anos.

Interessante como isto explicaria tantas opiniões diferentes sobre experiências auditivas com equipamentos. Talvez, por conta disso, não tenhamos a caixa ideal, o amplificador único e apenas um player de gravações.
E estas escolhas por equipamentos diferentes não deve ser atribuída unicamente ao “gosto” individual. Esse é outro grande erro de interpretação daqueles que não se aprofundam no assunto ou ainda vivem presos em anotações ultrapassadas de décadas passadas.
Um ouvinte que tem uma perda de sensibilidade auditiva em altas frequências, certamente vai se sentir melhor com uma caixa acústica ou qualquer outro componente que possua uma ênfase nesta faixa de frequências. Isso não é “gosto”, é correção.
Uma correção ainda longe do ideal, mas que “remenda” um problema de fato, muitas vezes desconhecido pela pessoa.

Não é possível continuar negando o que é fato, mesmo que isso coloque muitas coisas pessoais a perder. É preciso ser sincero com as demais pessoas, ou ao evitarmos um prejuízo pessoal vamos acabar criando um grave dano a um grupo muito grande de indivíduos, principalmente quando somos formadores de opiniões.
Confesso que tenho mais facilidade para isso, pois, como eu já disse, estou numa posição bem confortável onde a verdade não me causará nenhum prejuízo, ou mesmo qualquer benefício, senão a satisfação de poder ajudar o audiófilo a encontrar o caminho seguro para chegar onde deseja.

Do jeito que vamos, e graças a irresponsabilidade de alguns, o audiófilo hoje nem sabe mais o que procura, quanto mais o caminho.
Ele se encontra totalmente perdido no meio de tantas informações confusas, posições constantemente contraditórias de artigos publicados até mesmo numa única revista, debates inconclusivos em fóruns, informações “viciadas” de alguns vendedores, interpretações subjetivas de amigos, cursos de percepção equivocados, apresentações tendenciosas em alguns eventos e lojas, etc. E isso isso acaba custando muito tempo e dinheiro ao consumidor, e até um certo desânimo com o hobby.

Som ao Vivo Como Referência Não Absoluta

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Entendendo, finalmente, que cada indivíduo possui uma curva de audição característica, ou uma “impressão digital auditiva” (como prefiram chamar) como sendo uma condição normal do sistema auditivo humano, apresentando sensibilidades distintas em variadas frequências (não existe o ouvido “flat” – plano), fica fácil entender esta segunda exposição que venho defendendo nos últimos anos, de que o som ao vivo não é uma referência absoluta para ajustarmos os nossos sistemas.

Novamente, “espertinhos” tentam distorcer essa afirmação questionando de forma ridícula como alguém que não conhece o som de, por exemplo, um violão de cordas de aço e outro de nylon pode identificá-los numa reprodução eletrônica.

A resposta é tão simples que poderíamos desprezá-la e até saltar para o próximo ponto a ser discutido aqui, mas, lá vamos nós novamente (dizem que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”)…

Como já vimos acima, podemos criar facilmente referência para qualquer coisa, imagem, sabor ou som, entre outras.
O fato de ouvir algo ao vivo, que depende de uma curva auditiva pessoal provocando desvios desta percepção, não significa que não vamos reconhecer o “elemento causador” do som, mas não podemos aceitar que essa percepção, como já vimos antes, é “real”.
Como sempre digo: som ao vivo e som real são duas coisas bem diferentes.

Qualquer pessoa pode identificar se um determinado “ronco” de um motor de combustão se origina de uma motocicleta ou de um caminhão diesel. Mas, não podemos jamais afirmar que os componentes “harmônicos” ou “tonais” estejam sendo percebidos corretamente. Este é o ponto.

Os espertinhos “resistentes”, de forma bem esperta e, digamos, “adequada aos seus interesses”, simplesmente suprimem o adjetivo “absoluta”, e transformam a afirmação de que “Som ao vivo não é uma referência absoluta” em “Som ao vivo não é referência”. Muito conveniente, não? Porém, lamentável !!!

Depois dessa “mutilação” no núcleo da idéia, eles partem então para as eternas e inúmeras provocações (citações cansativas e inoportunas) nos textos que escrevem, tentando ridicularizar este conceito que também apresentei aqui na páginas do Hi-Fi Planet há muito tempo.
Eu também acharia um absurdo se alguém dissesse que o som ao vivo não é uma referência. É claro que a experiência ao vivo nos aproxima da experiência real, mas, não absoluta, pois a experiência real não é aquela que ouvimos no som ao vivo, já que, conforme vimos acima, o som que escutamos ao vivo também sofrerá com os desvios naturais ou ocasionais do nosso sistema auditivo. Óbvio demais, não?
Ou será que alguns acreditam que numa apresentação ao vivo os nossos ouvidos ficam temporariamente perfeitos?

Já me aprofundei demais neste tema em outro artigos que escrevi aqui mesmo no Hi-Fi Planet, com relatos médicos, exemplos práticos, conceitos científicos reais e comprovados, e muito mais. Sendo assim, apenas para exemplificar e ser muito breve, vamos imaginar que um indivíduo possua uma atenuação, ou melhor ainda, uma diminuição de sensibilidade) na frequência próxima de 10 kHz (na verdade as variações são bem mais complexas e mais amplas e também variam entre os ouvidos direito e esquerdo).
Imaginando isso, vamos agora para uma pergunta que pode até parecer estúpida: O som que este sujeito estará ouvindo ao vivo nesta faixa de frequência sofrerá uma perda, ou essa perda só ocorrerá no sistema de som de sua sala?
É lógico que o som que ele vai perceber ao vivo também será mutilado. Ou seja, o som que sai do instrumento não é o mesmo que ele está percebendo. Lembrem-se… som ao vivo é diferente de som real. Ficou claro agora?
Se for preciso desenhar para aqueles críticos entenderem, eu já fiz isso até com gráficos em artigos anteriores.

A pergunta final então é muito simples e objetiva: Ao ouvirmos um som ao vivo com vários desvios, ele servirá para ajustarmos o sistema de som de nossa sala de áudio?
Claro que não !!!   Acabaremos por reproduzir em nosso sistema, no máximo, o mesmo som que ouvimos ao vivo, ou seja, utilizaremos uma referência distorcida para esse ajuste, e o resultado acabará sendo o mesmo percebido na ocasião, ou seja, distorcido.

Então, eu novamente pergunto: O som ao vivo é uma referência absoluta?
Lembramos o significado de “absoluto” como descrito no dicionário: O que é soberano e que não tem restrição. Única, certa, certeira.
Óbvio que ao fazer a supressão já citada deste termo o conceito é alterado, novamente aos interesses (sejam quais forem) de quem age desta forma destrutiva.

O mais curioso é que quem já fez crítica sobre a minha afirmação do “ao vivo” não ser uma referência absoluta, já publicou uma avaliação onde afirmou que todos os presentes num teste de um televisor reconheceram que a imagem do TV era mais “perfeita” que a imagem “ao vivo”.
Alguém consegue explicar tamanha contradição?

Espero ser esta a última vez que tento explicar a mesma coisa, já que inúmeras foram as formas que já o fiz, e nítida é a intenção de quem distorce esta idéia.

Customização De Um Sistema De Som

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Poderíamos complementar o título acima com as expressões: “… como solução para corrigir os desvios auditivos individuais”, ou ainda: “…para restaurar o som real”.

A customização do sistema de som me surgiu como uma consequência natural de tudo que já comentei acima: Nossos ouvidos são diferentes, portanto, o som ao vivo também sofre desvios por conta destas diferenças, portanto, podemos ouvir o som em casa com estes desvios corrigidos, e assim nos aproximarmos mais do som real.

Os resultados que eu obtive com a aplicação desta idéia foram tão animadores e revolucionários que resolvi compartilhá-la com todos os leitores do Hi-Fi Planet e amigos audiófilos que fiz em varias partes do mundo. Os relatos que recebi foram num único sentido, e todos eles de perplexidade e entusiasmo.
Mesmo articulistas de algumas publicações mais sérias ficaram impressionados com os resultados, o que me fez até traduzir o artigo para o inglês e registrá-lo, não para alimentar uma vaidade própria, mas para garantir que ninguém apareça amanhã atribuindo para si a criação deste conceito de ajuste de um sistema. O que se defendia até então era somente o ajuste da sala e dos equipamentos em modo “flat”, com uma resposta totalmente plana do sistema, sem poder jamais interferir no sinal elétrico original que formata o som. Pura fantasia !!! O som é o que ouvimos, e não o que os equipamentos acham que devemos ouvir (ou os seus criadores, para ser mais exato).

Sei que meus textos criaram um mal-estar muito grande para muitos “ditadores da verdade”, para editores de revistas e avaliadores de equipamentos (que até me confessaram isso), e até para o mercado de um modo geral, desde fabricantes até revendedores.
Tenho consciência que isso não poderia ser diferente, mas também esperar que eu assista passivamente aos mais ridículos ataques à esta idéia só porque todos têm alguma coisa a perder, aí é querer demais.
Vou compartilhar a minha descoberta, divulgá-la e defendê-la. Porque todos que a experimentaram aprovaram os resultados. Porque é verdadeira, e não fruto de “achismos”. Porque é útil. Porque o consumidor merece ser respeitado. Porque o audiófilo precisa encontrar um caminho seguro para fazer as suas escolhas. Porque não me importa o que os outros pensem quando não estão alinhados com o verdadeiro interesse do audiófilo (ou de qualquer consumidor): gastar o justo para atingir o melhor resultado.

Talvez, alguém já tenha pensado nisso antes de mim. Porque não?
Quantas coisas eu já pensei na vida e não pratiquei por razões diversas?
Mas, se a idéia partiu de alguém que depende muito da manutenção da confusão criada no mercado audiófilo, certamente essa pessoa não teve o menor interesse em ver seu mundo desabar.

Quando Ficaremos Livres Desse Universo de Mentirinha?

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Esse era para ser o tema de outro artigo, mas vou resumí-lo aqui, deixando para entrar nos detalhes em outra oportunidade.

Já passou da hora de certas “fantasias” que o mercado de som de alta fidelidade (rebatizado de Hi-End) perderem a força que têm. Não é mais admissível continuarmos vivendo com ilusões fantasiosas, achando que tudo no áudio hi-end é algo misterioso, inexplicável e incompreendido, resultado de bruxaria ou de “acidentes de percurso”.

Quem projeta caixas acústicas, amplificadores, players de CD, e outros equipamentos “sérios” que temos em nosso sistema de som de alta qualidade, são técnicos, engenheiros e especialistas que estudaram como se polariza um transistor, como se transforma corrente alternada em contínua, como se conduz correntes elétricas, como se projeta uma placa de circuito impresso, etc.
É o conhecimento técnico que cria os “brinquedos sérios” que temos em nossa sala de som.
Não há mistério aqui que deva ser usado para iludir o consumidor que cabos caríssimos e exóticos servem para ajustar sistemas de som, que fusíveis “hi-end” provocam saltos significativos de qualidade, que cabos de força podem “limpar” a rede elétrica, ou que dispositivos “mágicos” de controle de vibração ou painéis acústicos complexos concebidos por “complexos teoremas matemáticos secretos” são capazes de mudar toda a nossa percepção sobre o nosso sistema de som.

Esses artifícios apenas geram muito dinheiro para uma minoria, e obrigam os audiófilos a viverem em eternos upgrades (na maioria das vezes imaginários).
Reparem como cada novo equipamento avaliado por algumas publicações parecem ser sempre de aquisição obrigatória. São chamados de “upgrade definitivo”, “amplificador dos sonhos”, ” o Santo Graal dos players“, “o cabo produzido com uma composição secreta ou exótica que o obriga a ouvir novamente toda a sua coleção de discos”… e por aí vão os mais chamativos exageros.
Tudo é feito para criar na cabeça do consumidor a idéia de “Troque, Compre, Mude para este…”.
E esse “achado definitivo” dura até a próxima avaliação, quando surge algo novamente “revolucionário”. Será que esta revolução realmente existe? Se ela andasse em passos tão largos como querem que acreditemos, depois de tantas evoluções “ou “revoluções” teríamos hoje um aparelho do tamanho de uma caixa de fósforo reproduzindo fielmente a apresentação de um artista em nossa sala, já com todas as correções necessárias feitas.

Mas, a realidade é outra, e vivemos entre transistores, válvulas, “bolachões” de vinil tão bem como convivemos com os CDs.
O que mudou? Muitas vezes apenas a forma de apresentar o produto ao pobre consumidor.

Curiosamente, não vemos os mesmos exageros do áudio hi-end em outros equipamentos bem mais complexos, que muitas vezes trabalham com sinais bem mais sensíveis e infinitamente mais exigentes que os sinais de áudio, como sistemas de vídeo, telefones celulares, computadores, equipamentos hospitalares, equipamentos industriais de alta precisão, máquinas fotográficas, veículos de alta tecnologia, robôs, equipamentos espaciais, etc…
Seu computador vai ficar mais rápido e preciso de você trocar o cabo de força ou um fusível? Você vai melhorar o sabor do café expresso de sua cafeteira se usar um plug de tomada banhado a ouro? Seu celular vai armazenar “mais carga” com um carregador que usa um cabinho hi-end?

É realmente incrível como máquinas fotográficas baratas desenvolveram eficientes dispositivos internos contra vibração, para evitar fotos tremidas. Mas, para colocarmos um dispositivo anti-vibratório sob um amplificador hi-end para minimizar uma vibração que nem percebemos, e que normalmente nenhum efeito causa aos circuitos internos, gastamos uma fortuna num produto “mágico”.

Quando digo “minimizar” é porque sempre aparece algo que provocou uma redução ainda maior das “prejudiciais e destrutivas” vibrações.
É a mesma fórmula que adotaram para alguns outros acessórios como cabos de força ou filtros, onde periodicamente o avaliador afirma que obteve uma “sepulcral redução do ruído de fundo do equipamento”. Parece que o equipamento dele possuía um ruído de fundo equivalente ao som do motor de um trator, de tantas vezes que já citou essa “drástica” redução de ruído.

O consumidor está deixando de ser tolo, e hoje percebe nas entrelinhas este tipo de exagero em muitos produtos, não só no segmento de áudio.

O grande problema, talvez, é que muitos avaliadores, ou melhor, formadores de opinião, dependem de uma publicação impressa ou virtual, que por sua vez possui anunciantes, que por sua vez só continuarão anunciando se a publicação “alavancar” vendas para eles. Além disso, muitos ainda agregam lojas, eventos e outras “oportunidades comerciais” para aumentar os seus lucros. No final, tudo fica tão amarrado entre si que a credibilidade acaba totalmente comprometida.
Ao dizer que um produto é o “supra sumo” de tudo o que já foi testado, o fabricante ganha, o comerciante (quando não uma eventual loja do próprio avaliador) também ganha, todos anunciam mais, participam de eventos e assim todo mundo fatura. Mas, qual o custo disso?

Não estou afirmando que todos façam isso. Existem exceções. mas…..

Vivemos hoje no Brasil talvez a maior crise moral e ética de toda a sua história.
Esse comportamento repugnante que tomou conta de nosso país tem sempre um objetivo: o dinheiro.
É lamentável o que se faz pelo dinheiro, muitas vezes mais do que se pode gastar numa vida.

Cada um de nós é responsável pelas suas escolhas. A “esperteza”, a ganância e a desonestidade podem encurtar o caminho para o sucesso financeiro, mas pode representar a desgraça de quem ainda preserva os valores morais e éticos como a única saída para um mundo mais justo e melhor.

Eu realmente desejo que muitos audiófilos experimentem as sugestões propostas por mim, e que aqueles que criticam estas idéias que o façam de uma forma honesta, responsável, imparcial, embasada, justa, decente e com o mínimo de conhecimento técnico. Se não conhecemos como funciona o nosso sistema auditivo, procuremos um profissional da área ou alguma literatura séria sobre o assunto.
Subjetivismos e “achismos” (para mim é a mesma coisa) também não ajudam em nada, e nos distancia ainda mais da realidade.

O Hi-Fi Planet sempre será uma fonte honesta de informação.
Concordem ou não com o que apresentamos aqui, pelo menos tenham a certeza que não existe qualquer interesse econômico envolvido, que muitas coisas são testadas, pesquisadas e colocadas à prova.

Nenhum centavo é obtido aqui diretamente ou indiretamente com a manutenção deste site, que tem como objetivo apenas compartilhar idéias, opiniões e experiências, trazendo um panorama novo a um hobby cansado de tantas bobagens que lhe são atribuídas.

Abraços a todos.

 

 

30 Comentários em A Eterna Batalha Entre o Certo e o Errado

  1. Grande Mestre !!!

    Resposta muito bem articulada e na hora certa.
    Fiquei indignado quando li aquela historinha que aliás nem acreditei.
    Tudo ali parece escrito em forma de romance, como ensinamentos dos “mestres chineses”.

    Não adianta insistir, eles não vão aceitar isso enquanto puderem, enquanto o consumidor não acordar, ou enquanto os leitores não se afastarem de vez destas publicações tendenciosas e absurdas (eu já estou entrando neste grupo).

    Depois reclamam que estão em crise, sem mais encarte de CDs (uma das poucas coisas que ainda prestava) e com edição bimestral, como se o público que consome produtos hi-end de milhares de dólares se importaria de gastar 18 contos numa revista.

    Esta edição veio cheia de erros. Foi o verdadeiro “Best Of” (que também escreverem errado) de tudo que já fizeram. Inventaram até formato de arquivo digital que nem existe.
    Aliás, estão com a pior seleção de articulistas de todos os tempos, inclusive o próprio dono.

    Edu, você precisa escrever mais.
    Seus textos são referência no mercado, e tenho certeza que o Hi-Fi Planet é mais respeitado hoje do que muitas outras publicações, e por isso elas se incomodam tanto.
    Não ligue para este tipo de crítica. Sempre vão existir e sabemos o porque.
    Quem te conhece sabe quem você é.
    Quem ouve o sistema que você montou sabe do que você é capaz, e coloca no chinelo os sistemas de referência de todos estes críticos.

    Tenho certeza que se houver mais atualização deste site não vai haver revista que sobreviva.

    Abraços cariocas para você.

    Emílio

  2. Olá Emílio,

    A idéia do Hi-Fi Planet não é competir com ninguém. Tem espaço para todo mundo, mas tem que ter responsabilidade com o que escreve.
    Eu vejo o consumidor totalmente perdido, sem entender nada e gastando rios de dinheiro sem necessidade.
    Fico triste com isso, pois vejo muita gente chateada por não conseguir o resultado desejado com tanto que já gastou.

    Fiz algumas mudanças em minha vida e acredito que terei mais tempo para me dedicar ao Hi-Fi Planet.

    Um forte abraço

    Eduardo

  3. Boa Tarde Sr. Emílio,

    De qual formato o Sr. comentou? Onde está isso?

    Boa Tarde Sr. Eduardo

    Parabéns pelo site que já é uma referência aqui em Belo Horizonte.
    A comunidade audiófila agradece.

    Estamos sempre ansiosos pelas novidades.

    Um abraço a todos

    Tira

  4. Boa tarde, Sr. Tira,

    Quando o autor diz que as gravadoras em busca de maior qualidade investiram em selos audiófilos com arquivos em formato digital de 24 bit / 19 KHz.
    Isso é uma besteira sem tamanho. Não existe isso.

    Outra coisa, quando falam de componentes eletrônicos que evoluíram citam capacitores e RESISTÊNCIAS.
    Está na hora de começar a estudar um pouco sobre os temas que querem abordar para não ensinarem coisas erradas. RESISTÊNCIA é uma propriedade elétrica e não um componente. O componente que oferece resistência elétrica chama-se RESISTOR.
    Estou errado Sr. Engenheiro Eduardo? :-)

    Isso coincide muito bem com o que o Edu comentou sobre não estudar o assunto que escreve e querer dar opiniões sem conhecimento do tema.

    Edu, olha a foto que te enviei. Por isso que tem gente que adora comentar certas marcas de caixas.

    Abraços

    Emílio

  5. Emílio,

    Você está certo. Logo teremos a evolução tecnológica de componentes eletrônicos como “capacitância” e “indutância”.
    Mas, para quem frequentemente ouve “amperagem” e “voltagem” (isso até dói…) vindo até de “técnicos estudados”… falar o que?

    Recebi a foto. Que absurdo, meu caro !!! Isso dá uma confusão enorme.
    Não posso publicá-la aqui, apesar que vontade não falta.

    Abração

    Eduardo

  6. Meu, a revista virou um catálogo mal feito ainda. Só isso.
    Tá dando nojo alguns comentários de que tem gente que ainda acha isso ou aquilo, que dizem isso, que falam aquilo. Eles se acham donos da verdade?
    Eles esculacham fóruns, falam mal de gente que eles nem conhecem, desvalorizam quem estudou, rebatem o que o Eduardo diz mesmo tudo bem embasado e provado, valorizam suas impressões que nada dizem, o que é isso?
    Aquele escritor que está escrevendo os testes é ruim demais. O cara só provoca e se coloca como o sabe tudo, e ainda escreve bobagens de montão. Ele se perde tanto no que escreve que acaba contrariando o que disse em outros artigos. Que conhecimento é esse que só ele tem e que muda com a direção do vento?

    Eu gostava muito da idéia original do Clube. Mas outro dia lendo algumas edições mais antigas percebi que tudo direcionava para isso. Agora com loja quem segura eles?

    Não aguento tanta besteira. Novidades de mercado só p encher linguiça. qualquer site hoje te enche de novidades. Não precisamos pagar uma revista para isso. Seção de cartas com perguntas compridas demais e uma resposta idiota pedindo alguma informação. Porque publicar esta merda então? Será que não se tocam que isso não presta pra nada pro leitor.

    Quando vamos ter algo no nível das publicações européias e norte americana?

    Ignora os caras. Eles vão ficar perturbando mesmo. O leitor sabe hoje separar as coisas.
    O blog hifiplanet é a nossa referência de confiança hoje. Só precisa ser mais atualizado.
    Obrigado pelo trabalho de vocês, sempre me ajudou muito.

  7. Fico sempre animado quando recebo o aviso de um novo artigo publicado no Hi-Fi planet. Engraçado que esta era a mesma sensação de quando saia uma nova edição da Audio e video nas bancas. Hoje nem compro mais.
    Sinceramente falando? Está tudo na net hoje. Pagar para ver propaganda explícita ou implícita não vale mais a pena. Só tem isso.
    Parabéns pelo site e por mais este artigo, que como foi mencionado nele é um resumão de tudo que já foi dito em outras oportunidades. Mas, mesmo assim foi uma leitura bastante agradável.

    Um abraço.

  8. Grande Edu !!!

    Leio o releio aquele texto e não me convenço. Alias ninguém aqui se convenceu. É fantasioso demais.

    Porém, ri muito com o teste do amplificador.
    Mais uma vez testaram um produto genial que mudou a visão (ou audição?) deles sobre amplificação hi-end. O negócio “inaugura uma nova fase” no áudio.
    Lembrei do que você disse sobre cada teste ser de um produto genial e inovador. Reparei que é bem isso mesmo.

    Mas o que me chamou a atenção aqui foi a explicação da inovadora filosofia do projetista de reduzir a distorção harmônica !!!!
    É pra rir isso? Porque eu ri demais.
    O cidadão descobriu a roda ontem.
    Teve a coragem de dizer que essa distorção aparece até em senóide simples !!! Difícil acreditar que ele descobriu isso sozinho… risos…

    Há décadas os projetistas trabalham no sentido de reduzir as distorções em equipamentos de áudio, tanto que na maioria dos equipamentos estas especificações são apresentadas.
    Por outro lado, a filosofia da revista sempre foi de que estes números nunca diziam nada. E agora? Será que aprenderam alguma coisa?

    A verdade é que o áudio é mais uma tecnologia como qualquer outra. Como você costuma dizer, não é magia produzida por bruxos.
    São engenheiros que escolhem os componentes e juntam tudo em projetos até muito convencionais na maioria das vezes, concebidos graças à formação acadêmica que tiveram e o conhecimento da ciência aplicada.
    Aí aparece alguém e diz que isso não significa nada, depois volta e diz que o sucesso de um equipamento é justamente o resultado de um projeto que reduz a distorção. Pois é….

    Pode publicar a foto. Eu assumo a responsabilidade legal, afinal é um local público. Mas vamos começar a mostrar quem é quem neste mercado.

    Abraços

    Emílio

  9. Meu caro Emílio,

    Melhor não. Nem é por razões legais, pois você sabe que isso não me preocupa. Aqui não se conta mentiras, e tudo pode ser comprovado.
    Isso seria até bom para colocar fim nesta confusão criada no mercado.
    É algo bastante constrangedor, e eu particularmente não me sinto bem com isso.

    Vamos em frente.

    Abração

    Eduardo

  10. Olá Eduardo
    Eles pararam no tempo e pior que isso tornaram o som hiend apenas um negócio comercial.
    Conheci o hifiplanet depois de participar de fóruns e comprar revistas de áudio. O nível aqui é diferente, pois você eleva o hiend a um patamar longe do “desconhecido”, tornando as coisas muito mais simples e claras para todos nós.
    Só tenho a agradecer por manter este site para nós e não transformá-lo em mais um instrumento comercial como são muitas revistas, sites e fóruns. Graças ao hifiplanet consegui montar um sistema honesto, que atende bem as minhas expectativas e que enche os olhos (ou seria os ouvidos rsrsrs) dos amigos audiófilos que vem em casa.
    Quando puder vir para Vitória venha conhecer a “obra de arte” que você me ajudou a construir.Será um prazer recebe-lo em minha humilde casa.

    Sobre o assunto em questão, gostaria de contribuir com uma informação que confirma a sua tese. Meu pai é médico Otorrino e trabalha com especialização em audição há 36 anos, sempre se atualizando no Brasil e no Exterior, e professor em duas Universidades.
    Comentei o seu artigo com ele que ficou muito interessado. Quando fiquei sabendo, ele tinha lido todos os artigos que você escreveu sobre o assunto de personalizar sistemas de som.
    Ele me disse que você foi perfeito na sua abordagem. Comentou que as pessoas apresentam curvas audiométricas bastante diferenciadas, e que isso afeta realmente a forma como cada um percebe o som.
    Ele comentou também que essas diferenças eram menores há algumas décadas, mas que hoje são bem significativas, e tem a ver com alimentação, hábitos e ruídos do mundo moderno.
    Comentou também que essa variação não é privilégio de pessoas mais idosas, mas os jovem hoje estão com variações bem significativas, inclusive as crianças.
    Transmito os parabéns de meu pai pela excelente abordagem que você deu ao assunto que ele inclusive comentou que levará este tema também aos seus alunos, pois é algo que realmente merece atenção para quem sabe mais profissionais desenvolvam estudos sobre isso.

    Quero de deixar um grande abraço meu e de meu pai, que se colocou à disposição para contribuir no que puder para seus artigos

    Atenciosamente,

    Nilvo Soares

  11. Não vou afirmar aqui quem está certo ou errado, mas digo que a exposição feita aqui além de bastante lógica foi comprovada por mim e por alguns amigos audiófilos, e funciona de fato.
    Usamos um equalizador para os ensaios e pudemos comprovar tudo o que foi dito aqui.
    Não quero alimentar esta polêmica, mas tão somente prestar meu depoimento.

  12. Bom dia Eduardo,

    Talvez você não se lembre de mim mas já trocamos alguns emails quando eu estava construindo a minha casa em Mogi, e quando então lhe pedi ajuda para dimensionar a sala e escolher os equipamentos.
    Já lhe agradeci na oportunidade e volto a fazê-lo por ter conseguido realizar um sonho que parecia um pouco distante. Tudo ficou nota 10.

    Quero mais uma vez parabenizá-lo pelo serviço prestado pelo HFPlanet. Li uma vez que o hi-end no Brasil era um antes do HFPlanet, e mudou para muito melhor depois dele. Costumo dizer que era um antes do Eduardo e melhorou muito depois que você entrou nele.
    Te acompanho desde quando você era moderador do HTForam, e naquela época você já apresentava outra concepção de idéias sobre o áudio. Todos os amigos audiófilos que tenho acompanham seus artigos e se orientam por eles, e estão muito satisfeitos.

    A minha razão de escrever hoje é para prestar solidariedade e para contribuir em sua defesa contra uma situação que acho injusta.
    Já não acho certo que pessoas com opiniõoes antiguadas e confusas questione seus textos bastante coerentes e realistas, ainda mais quando baseadas em opiniões subjetivas ou outras razões que já conhecemos e que nem convem citar aqui.

    Depois de tomar conhecimento do texto que motivou a sua bronca aqui e de logicamente ficar tão indignado como você ficou, observei que a revista onde ele foi escrito comentava que republicaria antigos artigos da revista começando por um de maio de 2002 (não bastava ser agora bimestral e vão copiar artigos antigos… parece que o fôlego está acabando e não é por menos).
    Como tenho a coleção quase completa da revista e sou muito curioso resolvi achar esta edição, e dar uma lida para tentar descobrir que artigo seria este.
    E não é que folheando esta edição encontro algo que me deixou estarrecido? Trata-se de outro artigo do mesmo autor que colocou esta opinião (ou provocação) do fato de ouvirmos diferente ser uma bobagem, onde ele mesmo diz algumas coisas bem diferentes sobre o tema na ocasião para justificar justamente o oposto.

    Veja alguns trechos e me diga se isso é para rir ou chorar de raiva:
    Diz o autor:

    – E ninguém – por mais experiente que seja – conhece como a outra pessoa ouve… às vezes, nem ela própria…
    – Bato constantemente nesta tecla, pois muitos não acreditam que cada indivíduo ouça de maneira diferente.

    Depois disso, para resumir, o autor relata como exemplo um fato que presenciou num de seus cursos onde uma moça apresentava uma maior sensibilidade na região das médias e altas frequências o que fazia ela se incomodar com o som do sistema em demonstração.
    Depois ele complementa:

    – até que eu a tranquilizei afirmando que conheço inúmeros casos semelhantes. Aliás, minha esposa tem a mesma sensibilidade nas altas frequências, não de forma tão acentuada como essa moça, mas o suficiente para evitar ouvir algumas gravações mais brilhantes que contenham trompete com surdina e picollo.
    – Como disse, casos de sensibilidade a determinadas regiões não são exceções, muito pelo contrário.
    – Se fosse exigido exame audiométrico para se associar ao mundo de alta fidelidade, muitos audiófilos se surpreenderiam com as diferenças existentes.

    E por aí vai…

    Ora… ora… e agora, José? Como ficamos?

    É realmente algo tão surreal que só contado ninguém acreditaria, mas está lá na edição de maio de 2002, na página 157. Se você não tiver esta edição posso te escannear e te enviar para você publicar no HFPlanet e provar mais esta ridícula situação aos seus leitores.

    É vergonhoso como as pessoas reagem conforme os seus próprios interesses, sem levar em conta a responsabilidade do que está fazendo às demais.
    Se eu já achava o artigo deste mês algo um tanto surreal, agora vejo que apesar de toda aquela historinha que ele diz que aconteceu na verdade o levou a outra conclusão diferente da que ele diz agora.
    A impressão que tenho já há algum tempo é que ele busca criar referências românticas sentimentais tentando mostrar um lado de reflexões e aprendizado superior pelo que passou, para dar mais valor ao que escreve. Aliás esta foi a mais apelativa de todas depois desta descoberta.

    Eu tinha que lhe contar isso, não podia esperar. Para você ter uma idéia acabei de ler isso há menos de 30 minutos e já corri para o computador.
    Essa é uma situação inaceitável e temos que mostrar que não somos tão tolos assim, senão com a nossa verdade mas com a dele mesmo, pois ele mesmo se contradiz e mostra outra realidade bem diferente daquela que defende hoje.

    Por isso, mais uma vez Eduardo, continue sendo quem você é, defendendo o que você acredita e compartilhando as suas descobertas conosco, pois são as que realmente nos interessam. Esqueça o que os outros dizem, não se aborreça com isso. Perca o seu tempo ensinando e não se defendendo. Cada um acredita no que quer e pronto, e eu acho que muita gente já abriu ou vai abrir os olhos depois dessa atrapalhada.

    Fico à dipsoição e agradeço o espaço cedido. Desculpe alguma coisa.

    Um grande e fraterno abraço,

    Leo

  13. Caro Leonildo,

    Lembro-me de seus e-mails sim, e fico satisfeito por tê-lo ajudado.

    Quando li o seu comentário, corri para localizar esta edição em minha coleção que foi montada com carinho numa época em que eu ainda acreditava na revista, e quando tínhamos grandes nomes como o Jorge Knirsch e o Holbein Menezes colaborando. E lá estava ela guardada, e dentro dela, o texto destacado por você.
    O que eu posso dizer? Sem comentários. Nem há o que dizer.

    Já recebi alguns outros trechos de alguns leitores que são parecidos com este, mas eu não gosto de criar este tipo de embate, pois não é perfil do Hi-Fi Planet provar nada, mas tão somente mostrar os fatos deixando as conclusões para os seus leitores.
    Mas, estou me cansando desse tipo de comportamento inadequado, e talvez eu tenha que começar a trazer algum material bem curioso para os leitores para quem sabe baixar um pouco a bola destes inconvenientes.

    Obrigado pela sua colaboração.

    Um abração

    Eduardo

  14. Grande Eduardo !!!

    Apenas para recordá-lo, eu também já destaquei algumas contradições desta mesma publicação que desferiu esses comentários tão infelizes. Lembrando…

    – Edição nº 62:
    “Seguramente, a ciência também vem colocando nova luz na discussão ao apresentar dados concretos de como a caixa craniana, o tamanho do rosto e as orelhas influem no que se escuta.
    Moral da história (que todo mundo já suspeitava): seu amigo audiófilo chega a conclusões muitas vezes opostas às suas, sobre determinadas configurações, pode ser devido à sua constituição física”
    (escrito pelo mesmo autor que hoje nega estas diferenças)

    – Edição nº 60:
    “Ao envelhecermos progressivamente perdemos a capacidade de ouvir as mais altas frequências. Na verdade, podemos ouvir uma ampla faixa de frequências , mas será que as ouvimos igualmente? Claro que não.”

    – Edição nº 48:
    “já ouvi de um otorrinolaringologista que não existem dois ouvidos que funcionem iguais, cada ouvido ouve diferente e, ainda, conforme a intensidade da fonte sonora”

    Lembro que tinha separado outras que acho que até te enviei. Vou ver depois, pois agora vou me preparar para comer uma bela pizza…

    Abraços.

    Emílio

  15. Recebi um e-mail hoje de uma leitora médica especialista em audição.
    Ele prometeu enviar um material para esclarecer definitivamente esta questão (em linguagem bem simples e acessível a todos), mas ela já me adiantou uma questão interessante.

    Ela faz um comparativo com a voz e diz:
    “Se olharmos apenas do ponto de vista construtivo, veremos que os mecanismos envolvidos na formação da voz são semelhantes para todas as pessoas e que podemos entender o que todas elas falam, mas, isso significa que todas emitem uma voz idêntica?
    A voz também pode ser comparada à impressão digital, e cada um tem a sua. Porque com a audição seria diferente? Todos podem compreender o que estão ouvindo, mas isso não significa jamais que ouvem a mesma coisa. Na verdade, as diferenças existem e são bastante significativas em muitos casos.
    Apenas para dar um exemplo mais “visível e palpável”, o formato da orelha (pavilhão auditivo) é responsável pela caracterização dos sons que ouvimos, isto é fato, e a probabilidade de encontrarmos duas pessoas com exatamente o mesmo formato de orelhas é quase tão improvável como encontrar duas pessoas com a mesma impressão digital.”

    No final ela complementa:

    “É um absurdo e uma demonstração de total falta de conhecimento do autor que escreveu o texto afirmando que é falsa a conclusão de que ouvimos de forma diferenciada. E imaginar que a sua profissão depende disso…”

    Pois é…

  16. Eu não acredito que o articulista argumentou contra o óbvio e ainda deu o caminho na própria edição de sua contradição de opiniões, isso é demais para a minha cabeça.
    Como andam dizendo muito ultimamente, “que país é esse”?
    Onde vamos parar?
    Sr. Fernando, o conceito aqui fornecido funciona sim senhor, e eu sou testemunha viva disso. Também sou testemuha que ouvimos de maneiras diferentes o mesmo som, e ainda sou testemunha que ajustar um sisstema pelo som ao vivo é um grande erro e que usar cabos para isso é uma burrice ainda maior.
    Hora de evoluir, não acha?

    Saudações,

    Nilvo

  17. Há articulistas que não têm coragem nem competência para sustentar ponto de vista contrário, digamos, do da propaganda técnica que acompanha o aparelho testado, ou de um articulista de renome internacional que já tenha escrito sobre o produto em teste, ou até do diretor do periódico que “encomenda” o teste. E não estou a referir aos manifestamente desonestos, meu Deus os desonestos ! esses que usufruem vantagens diretas falando bem de um produto, caras de pau ! que são eles próprios que distribuem (direta ou indiretamente) ou pretendem distribuir, ou são distribuídos por seus diletos amigos do peito.

    Desculpem, eu não escrevi o parágrafo acima. Apenas o copiei da mesma publicação aqui citada (rsrsrs…)
    Curioso, não? Premonição? Será?
    Talvez por causa disso muitos articulistas não querem aceitar os fatos, ou melhor, não podem. Por isso ninguém quer publicar este trabalho do Eduardo. Seria como confirmar o que todos nós já sabemos, e isso não lhes interessa.
    Diretor… articulista… formador de opinião… anunciante… comerciante… vendedor de espaço publicitário… quem pode viver num dilema (trilema, “quadrilema” ou sei lá o que) destes?

  18. Olá Pessoal,

    Eu já deixei o meu depoimento aqui uma vez e volto a reforçar o que eu disse.
    A idéia do Eduardo me pareceu muito curiosa no começo mas nunca duvidei dela pois já sabia da competência do Mestre.
    Tudo se resumiu para mim em – ouvimos diferente – o som ao vivo também sofre uma mutação por conta destas diferenças – e podemos ajustar o nosso sistema para corrigir estas variações.
    Eu experimentei a ideia e funcionou para mim.
    Eu também sempre fui um leitor da Clube do Áudio mas confesso que por mais que lia os artigos e aplicava as sugestões em meu sistema eu nunca tinha ficado verdadeiramente satisfeito. Os upgrades eram constantes as trocas de cabos intermináveis e os resultados nunca satisfatórios.
    Cheguei a escrever duas vezes para a revista mas nunca tive resposta. Participei de alguns fórums mas isso também pouco ajudou.
    Hoje tenho em meu sistema um aparelhinho mágico que a revista parece não se interessar nele o anti-mode dspeaker que faz o ajuste de meu sistema. Uso ele com duas configurações diferentes e é impressionante o que ele faz pelo resultado final que ouvimos.
    Não sei se existem outras opções mas devem existeir e acho que todos deviam testar. Não existe comparação. É um mundo novo que define realmente o significado da audiofilia.
    Recentemente comentei com um amigo uma frase que ouvi do Eduardo mais ou menos assim: de que ter um sistema hi-end não é ter um sistema audiófilo, e sim o som que sai dele que reproduz o verdadeiro significado da audiofilia.
    Você pode ter o mais lindo quadro do maior pintor do mundo em sua sala ou mesmo na tela de seu computador ou num poster reproduzido, mas se não usar um óculos com lente correta para o seu desvio d visão sempre verá a imagem embaçada. Penso assim pois é a sensação que eu tinha antes de ouvir o som de uma certa forma embaçado.
    O que ouço hoje em meu sistema de som me agrada muito mais do que aquilo que vejo ao vivo pois percebo melhor os detalhes e as nuances das músicas. É outro mundo.
    Uma pena que a Clube do Audio não admita isso pois seria uma forma de difundir ainda mais esta novidade já que a revista tem boa penetração no mundo do audiófilo.
    Eu gostaria que a revista custasse até mais cara mas não dependesse tanto dos anunciantes e de lojas parece que agora até dela mesma. Acho que ele poderia ganhar o mesmo se elevasse o grau de confiança na revista e aí não dependeria mais de comércio e poderia ser mais livre para publicar opiniões mais verdadeiras.
    Lá fora no exterior muitas revistas conseguem conciliar as duas coisas.
    Uma pena, eu fico triste com a postura adotada pela revista que já está ficando muito chato criticando sempre os audioófilos como se eles soubessem tudo, falando mal de fóruns de sites e querendo ter razão em tudo. Hoje acho que a revista tem avaliadores muito fracos e arrogantes. O editor para mim é o mais competente mas também já entrou faz tempo na mesma onda dos outros. Por isso que talvez a revista vem morrendo aos poucos.

    Só posso finalizar dizendo que todo mundo deveria experimentar as técnicas aqui apresentadas pelo Eduardo e depois tirar as suas próprias conclusões. Os que criticam também deveriam tentar antes de ficar só criticando.

    Abraços

    Jaio Oliveira

  19. Caro Administrador,

    Faltam conhecimentos técnicos básicos para os revisores, que na verdade confundem subjetivismo com realidade.
    Se eles fizessem um teste auditivo tenho a certeza que a maioria se mostraria não habilitada para o trabalho que faz.

    Não se incomode com as negativas que fazem de seu artigo, pois tenho a certeza que eles concordam com você mas não podem admitir isso, e sabemos porque.
    Produzo tecnologia, e não bruxaria. Faço isso com ciência, e eles enxergam como mágica.
    Fazer o que?

    Igor

  20. Negar que nossos ouvidos ouvem de forma diferente é rejeitar o óbvio.
    Audiometrias foram criadas para esta finalidade e estão aí para comprovar estas diferenças.
    Eu mesmo já vivi situações que reforçam muito bem esse fato, e sei que o autor da crítica que nega este fato também já viveu estas experiências inclusive em seus próprios cursos.

    O Hi-Fi Planet está de parabéns pelo alto nível alcançado pelos seus artigos e também de seus leitores. Percebo muita maturidade e honestidade nos artigos que são publicados aqui e na participação séria dos leitores.
    Considero de longe uma das melhores fontes de referência para o audiófilo que quer sair desta neblina que criaram e começar a enxergar as coisas de uma forma mais clara.
    Eu mesmo já apliquei muitas sugestões que foram colocadas aqui e com sucesso.
    Espero que este blog nunca mude, jamais se vendendo a interesses pessoais como acontece normalmente com muitas fontes.

    Muito sucesso para vocês.

  21. Em agosto do ano passado tive o grande privilégio de receber o Eduardo em minha casa, depois de conhecê-lo ocasionalmente numa visita técnica que ele fez na empresa onde trabalho.
    Eu já era super fã do hifi planet, e não acreditei quando descobri que estava na frente do seu criador. Conversamos muito, e como ele só iria retornar para São Paulo no dia seguinte, o convidei para visitar a minha casa e conhecer a minha família, e é claro, dar uns pitacos em meu modesto sistema de som composto por caixas Spendor e amplificação e fonte Exposure.
    O Eduardo é daquelas visitas que não queremos mais que vá embora, extremamente simpático, muito divertido (você ri muito com ele) e com uma inteligência admirável (enrolou com facilidade o comprador da empresa rsrsrss….). brincadeiras à parte pois ele é bastante honesto.
    Depois de jantarmos, ele se sentou à frente do meu sistema, escolheu alguns discos e me pediu para reproduzir algumas faixas. Ele escutou uns 20 minutos com bastante atenção, e depois veio a melhor parte.
    Ele se levantou, pediu para eu sentar e começou a falar como um verdadeiro professor numa aula. Foi quase uma hora de explicações, testes e ajustes, me explicando cada experiência e antecipando e depois esclarecendo os resultados que muitas vezes eu nem havia percebido.
    Fiquei surpreendido com a sua clareza de idéias e com constatações surpreendentes que valeram mais do que tudo que já li na minha vida inteira, e olhem que não foi pouca coisa.
    Ele pegou uma caixa que eu tinha com inúmeros cabos de conexão e caixas que já passaram pelo meu sistema e realizou alguns testes que me deixou pasmo.
    De cara ele me perguntou porque eu havia tirado um cabo de conexão do sistema, e eu respondi que era porque eu tinha lido na Clube do Audio que aquele cabo não possuía tanta extensão como o que eu estava usando, muito mais caro.
    Ele pegou o cabo, se debruçou atrás do equipamento, mexeu nos cabos, ligou todo os equipamentos novamente, colocou um disco e me pediu para lhe mostrar o que me incomodava naquele cabo antigo. Com muita segurança eu disse que os agudos tinham diminuído e os graves ficaram um pouco embolados.
    Ele se abaixou atrás do equipamento e se levantou com o cabo antigo novamente. Na verdade ele não havia trocado nada, e aí já percebi que a noite seria longa…. no bom sentido.
    A partir dali ele começou a trocar cabos e fazer testes, sempre me perguntando o que eu percebia e depois mostrando detalhes que eu não havia percebido. O Eduardo mostrou uma incrível capacidade de mostrar claramente as diferenças de cada teste que fazia, me levando a conclusões realmente incríveis.
    Por último, concluímos que aquele cabo mais caro que tantos elogios recebera era o pior cabo que eu tinha, e que aquele cabo criticado pela falta de extensão era o segundo melhor que eu tinha, e não tinha qualquer problema de extensão. O pior de tudo é que o cabo que ficou em primeiro era um dos mais baratos também. O cabo de caixa se manteve.
    O mais curioso é que quando ele limpava os contatos dos cabos, as diferenças passavam a ser muito sutis ou nulas.

    Ele me fez um monte de pegadinhas, me mostrou que o equipamento em si pouca influência tinha no resultado mais importante do sistema. Ajustou a posição das minhas caixas, colocou alguns livros pesados sobre elas, tirou todos os dispositivos para eliminar vibrações debaixo dos equipamentos, limpou várias conexões e depois pediu para eu ouvir tudo novamente atentando aos detalhes que já haviamos destacado anteriormente.
    Pensei comigo “Minha nossa!!! não é o meu sistema!!!”
    A transformação foi igual ao de você sair de um Fiesta e entrar num Fusion (temos os dois em casa… por isso a comparação… rsrsrs…).
    Foi impressionante a mudança que o meu sistema sofreu, e o pior, com uma drástica redução de custos, já que ele usou cabos mais baratos e retirou acessórios que se mostraram realmente inúteis ou até prejudiciais como foram os dispositivos para eliminar vibrações. Eles só pioram e não eliminam nada.
    Ele fez um teste com o celular para mostrar a inutilidade dos dispositivos de vibração. Foi incrível, e disse que é tema de um próximo artigo que desde já recomendo a todos, já que todo mundo poderá fazer em casa e confirmar o quanto de bobagem dizem por aí sem nada a ver. Estes dispositivos só pioram o problema, mesmo dando a falsa ilusão que melhoraram algo.
    No final do teste, a minha esposa que estava na outra sala veio com a gente e comentou na hora o que tinha acontecido com o sistema, desconfiando que o Eduardo tinha me vendido algo… rsrsrss…
    Foi notório o grande salto de qualidade que aconteceu no meu sistema que eu havia montado seguindo todas as orientações e regras de tudo que eu já havia lido antes.

    Pra mim ficou claro que a intenção de muitos reviewers é vender produtos, enaltecendo qualidades que na verdade não existem.
    O que eu aprendi em 4 horas foi mais do que li em 10 anos. Foi uma senhora aula com um mestre que domina o assunto.
    Fiquei de fazer uma audiometria detalhada para que o Eduardo pudesse me dar novas orientações que segundo ele, e eu acredito, vai ampliar ainda mais o meu prazer de ouvir música. Mas, confesso que ainda não tive tempo, ou melhor, não venci a preguiça para fazê-lo.
    Além disso, estou tão feliz com o meu sistema hoje que não sei o que mais pode melhorar.
    Alguns amigos com sistemas bem mais caros e sofisticados não acreditam ao ver o meu tocar mais do que os deles, inclusive apliquei algumas lições que aprendi com o Eduardo em alguns destes sistemas e os resultados foram bastante positivos.

    Fiz questão de deixar este depoimento como uma forma de retribuir o carinho que o Eduardo dedicou na melhoria do meu sistema, sem ter aceitado um único centavo por isso, e para fortalecê-lo diante de mais esta crítica que sofre daqueles que o invejam ou não querem que o consumidor saiba que a verdade pode ser bem mais simples do que aquela complexidade que eles querem nos impor, que só nos leva a gastar os tubos para ao final ficar com um sistema anêmico.

    Eduardo, deixo aqui meus agradecimentos públicos e o convite para quando voltar aqui para a região nos visitar novamente e dividir o feijão conosco, e desta vez nada de te incomodar com som.

    Um grande abraço meu amigo.

    Sílvio

  22. Eduardo, bom dia!

    O título que você escolheu para esta postagem não poderia ter sido mais preciso. É uma dura batalha tentar mudar o que está errado. Admiro a sua coragem e persistência.

    Sabem o que eu acho mais bizarro? É o fato dele contar toda uma história, rica em detalhes, até beirando a fantasia levando-se em conta a idade do garoto e as curiosas circunstâncias, colocando tudo como uma lição de vida que, por si só e sem qualquer outra base mais séria, é o suficiente para contrapor a posição do Eduardo, esta sim muito bem apoiada em experimentos, testemunhos de leitores, depoimentos de especialistas e pela ciência.
    Mas, de repente aparece outro comentário dele, feito em nova oportunidade, também depois da “lição inesquecível” que ele teve, numa posição contrária.
    Eu não sei, mas acho que a intenção dele é apenas desmoralizar o blog do Eduardo.

    Eu só sei que quanto mais ele tenta convencer do contrário, mais ele se complica todo.

    Bjs a todos.

    Cláudia (fã de carteirinha do HI-FI PLANET)

  23. Cláudia, boa tarde.

    Eu já comentei com o Eduardo algo que penso, mas ele não acredita em mim.
    O cara está perdendo a popularidade, se envolveu diretamente com o comércio dos produtos que ele mesmo elogia, caiu em contradições demais e se enrolou com muitas posições contraditórias, assim, a revista já virou digital, voltou a ser impressa, agora virou bimestral e ainda anuncia que vai começar a publicar artigos velhos… preciso concluir?
    Então, em minha opinião, já sabendo que o Eduardo é respeitado pela comunidade audiófila e seu blog é bastante visitado, ele tenta criar polêmica para chamar a atenção para ele e tentar conseguir com isso recuperar o prestígio.
    Já disse para o Eduardo para não entrar mais na dele, que ele devia mudar de tática e ficar fora desta discussão.
    Os leitores não são mais tão ingênuos.

    Abraços

    Emílio

  24. O problema desta revista é um só, ela já cansou.
    Como não tem outro concorrente impresso, mas tão somente virtuais, ela se tornou repetitiva e assumiu uma postura de dona da verdade, o que está muito longe de ser.
    Cheguei a ser assinante da revista há muitos anos atrás, logo que começaram a crescer. Vi nascer um clube, e aos poucos ir se perdendo em intenções comerciais até virar o que é hoje, praticamente um catálogo de loja.
    Hoje raramente compro, somente quando alguma coisa me chama muito a atenção.
    O nível de articulistas caiu muito, e arrogância e prepotência virou coisas corriqueiras em alguns testes, com agressões e provocações gratuitas.
    Se o editor assumisse uma posição mais humilde, evoluisse em suas idéias, como nesta questão da variação auditiva que sabemos ser fato, e trocasse um certo revisor que não consegue escrever dois artigos sem se contradizer, seria talvez a salvação desta publicação, mas do jeito que vai, logo será semestral.

    Ninguém mais aguenta ler sobre o susto que o avaliador leva com a “materialização do acontecimento musical” com um teste de cabo, caixa ou equipamento. Parece que a materialização dura só até a chegada de outro produto que eles querem enaltecer.
    E a questão da abismal redução de ruído de fundo com uma troca de cabo de força ou outro componente? Há anos leio a mesma coisa, e a sensação que temos é que o equipamento de “referência” da editora tinha mais ruído do que música. E a cada suposta redução de ruído os micro-detalhes “saltam aos olhos”. É um exagero que se esquece do bom senso.
    O audiófilo hoje já não é tão mal informado, tem referências, ouve outros sistemas, visita showrooms, feiras, etc, ele já tem noção e sabe que isso não é verdade.

    Saudades do velho Holbein que colocava um ponto de equilíbrio na publicação com a sua lingua afiada e sem medo.

    Falaram aqui em contradições de opiniões, e é o que mais acontece na revista que muda de opinião a cada verão.

    Uma que me chamou a atenção foi a defesa exagerada e na minha opinião desnecessária da “queima” ou de “amaciamento” de equipamentos.
    Eles já falam até de amaciamento do cabinho da cápsula que vai dentro do braço do toca-discos, e já comentaram até sobre o amaciamento de soldas !!!
    Mas, veja só, na edição de número 95 o editor comete um deslize que para mim foi um clássico (e para outros amigos audiófilos também).
    Depois de contínuas defesas da importância do amaciamento de qualquer produto, que ele insiste que “iniciantes”, “incrédulos”, “teimosos” e outros adjetivos tão menosprezíveis quanto esses ao se dirigir ao seu leitor ou a qualquer um que não concorde com ele, ele esquece que colocou um comentário no Espaço Aberto desta edição comentando que um dia decidira trocar de amplificador por estar insatisfeito com o modelo que tinha. Desta feita, comprou um novo amplificador para substituir o antigo.
    Segundo ele, ao ligar o aparelho, sentiu falta de corpo dos instrumentos, de dinâmica e definição, e conclui então dizendo: “guardei o (amplificador) novamente na embalagem – com apenas duas horas de uso – e recoloquei meu velho e fiel (o amplificador antigo) na prateleira.” Palavras dele na íntegra, apenas suprimi as marcas para não desmerecer ou dar a impressão de fazer propaganda de alguma.
    Isso porque ele mesmo afirma que já não usava mais cabos “flamenguinhos”, ou seja, acreditava em cabos, mas em amaciamento quando lhe interessava.

    Cadê aquela coisa da “lagarta que virou borboleta”, da “mudança da água para o vinho” depois da “queima” que ele tanto costuma mencionar?
    É aquela coisa do “Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”?

    Se você começa a folhear algumas edições mais antigas percebe como as opiniões mudam, e isso acontece também em edições novas, como a atrapalhada já citada acima e a famosa dos arquivos digitais do revisor arrogante, que só ele sabe configurar um PC para áudio porque trabalhou com computadores (e eu pensando que a ciência era superada pelo subjetivismo…), menosprezando quem já há muito tempo vem configurando PCs (como eu) e publicando verdadeiros tratados em fóruns e sites.
    Aliás, ele sim precisa estudar um pouco mais, porque está cometendo enganos grosseiros.

    Eu torço muito para que a publicação reencontre sua identidade, saiba separar interesses e ser mais imparcial em seus testes e artigos, e volte a ocupar lugar de destaque numa comunidade que ele em certo momento ajudou a construir.
    Eles tem virtudes para sair dessa, basta querer, basta escrever o que o leitor quer ler, e não o anunciante.
    Se isso um dia acontecer, volto a assinar com orgulho esta revista, e esqueço de vez esta fase lamentável.

    Parabéns Hifi Planet pelo excelente espaço, feito com coragem e honestidade. Aliás, algo que parece estar faltando nos dias de hoje, e por isso estamos assim.

    Respeitosamente,

    Charles

  25. Amigos e amigas,

    Agradeço todas as manifestações de carinho e de opiniões que vocês estão deixando aqui.

    Noto uma grande decepção, não só aqui mas em outros círculos de contato, com uma publicação que já foi referência de muitos aqui, inclusive minha.
    Na verdade não ingressei neste universo do áudio de qualidade pela revista, mas através de um fórum muito antigo, que talvez poucos conheceram, da revista Home-Theater, que acabou encerrando. A comunidade que se formava naquela época buscou refúgio em outro fórum que surgia e do qual participei ativamente durante muito tempo, e acabei deixando o espaço por situações como estas comentadas acima.

    Eu acredito que quem quer preservar a seriedade de uma revista ou de uma espaço virtual não pode se envolver comercialmente com os produtos ali discutidos. Nunca vi isso acabar bem.

    Durante um período considerável tive muito respeito por esta publicação. Escrevi ao editor algumas vezes apoiando o seu trabalho, e cheguei a ter uma carta publicada na edição 98, onde além de dar um leve “puxão de orelhas” no editor, que havia mencionado que as revistas importadas eram “desnecessárias” (outra coisa que parece ter mudado em sua opinião), eu lhe perguntava sobre uma avaliação muito positiva de um disco supostamente gravado por ele e que saíra publicada na revista “Home-Theater”. Como a gravadora constava na avaliação com outro nome, eu quis saber se era a mesma gravação, pois eu queria divulgar o fato no fórum que eu participava por tratar-se de mais um grande feito de brasileiros, coisa que eu gostava (e ainda gosto) de enaltecer.
    Ele confirmou que o nome da gravadora havia saído errado, mas que era a gravação deles.

    Inúmeras outras vezes apoiei os trabalhos feitos pela Editora, e elogiei muito as gravações que eles faziam na época que, ainda longe do perfeccionismo exagerado que eles divulgavam, era um salto significativo de qualidade em relação às gravadoras nacionais da época, figurando num patamar mais audiófilo.

    Mas, as decepções foram surgindo. Percebi que a influência dos anunciantes, fabricantes e revendedores começou a pesar muito na editora que aos poucos foi mudando o seu foco.
    Numa destas vezes, escrevi ao editor reclamando da “montagem” e evidente adulteração de uma foto publicada na revista, fato que na época eu percebera graças a afinidade com outro hobby que eu tinha, a fotografia.
    Não fiquei sem resposta, mas não posso dizer que a explicação foi satisfatória, pelo contrário, foi algo inaceitável e que não teve qualquer manifestação pública por parte de Editora, o mínimo que poderia se esperar depois daquela manipulação.

    Fui vendo a saída de bons articulistas da revista, que já não concordavam muito com a linha que vinha sendo adotada. Surgiram casos muito desagradáveis envolvendo equipamentos, intrigas pessoais e abertura de espaço cada vez maior para a interferência dos anunciantes.

    Cansamos de ver testes inconsistentes, errados, recursos inexistentes avaliados, contradições constantes, anúncios equivocados, cartas bastante suspeitas, valorização excessiva de alguns produtos (ainda recentemente um novo produto foi citado com o adjetivo de “aclamado”!!!!), representação de marcas pelo editor, e tudo mais o que veio depois.

    Eu não tenho nada de ordem pessoal contra quem quer que seja.
    Como advogado e empresário sempre defendi o que é correto, da forma mais honesta possível.
    Trabalhei muitas vezes de graça para defender interesses legítimos de quem não podia pagar para ver o certo vencer o errado.
    Comprei brigas com grandes fabricantes, fui ameaçado, mas sempre tive o cuidado de guardar todas as provas e evidências para que pudesse embasar as minhas argumentações, e assim colocar os “gigantes poderosos” em situações bem delicadas.

    A criação do Hi-Fi Planet foi com a intenção de preencher essa lacuna que os veículos de informação foram abandonando para atender a outros interesses.
    Todo o conhecimento que eu obtive com o áudio e o vídeo, tanto prático como aquele resultado de pesquisas e leituras sem fim, e do conhecimento técnico de uma de minhas formações, foi sendo colocado neste espaço com o mesmo objetivo de ajudar aqueles que querem se aventurar num hobby muito bacana, mas que está cheio de armadilhas capazes de levar muito dinheiro ganho com bastante suor dos consumidores.

    Por muitas vezes convidei a revista para que abrisse um canal conosco, e tentasse pelo menos refletir num debate saudável sobre as opiniões aqui colocadas, minhas e dos leitores. Mas, isso nunca aconteceu.

    O Hi-Fi Planet é um espaço democrático, que não deseja alimentar conflitos, mas reage quando se vê diante de algo errado. Nossa reação jamais é subjetiva, pelo contrário, é muito real e clara.

    O objetivo aqui nunca foi e nunca será de ordem comercial. Faz parte do hobby compartilhar, informar e ajudar.

    Em breve este blog vai mudar, para bem melhor, acredito. Teremos muitas novidades e uma dinâmica infinitamente maior.
    Só não vai mudar o objetivo inicial deste espaço, a imparcialidade, a honestidade e o distanciamento comercial.

    Esperamos que, mesmo aqueles que nos criticam, saibam compreender as nossas intenções, e um dia reconheçam a qualidade deste trabalho que deixaremos aqui.

    No mais, acho que qualquer manifestação como estas já declinadas acima é chover no molhado, e não soma nada ao que queremos construir.
    Mas, a participação de todos, com as suas qualidades e virtudes individuais (e todos têm as suas) serão bem-vindas para ampliarmos este espaço e torná-lo cada vez mais útil.

    Abraços

    Eduardo

  26. Amigo Eduardo !!!

    Inclua mais essa:

    “É preciso saber que nenhum ouvido é igual ao outro, ou seja, como eu escuto é diferente de como você escuta, amigo leitor”
    – Edição 94 na página 112

    E aí, dá para levar este sujeito a sério?

    Abraços

    Emílio

  27. Grande Eduardo !!!!

    Contradições parte 2 – A Incoerência Continua… kkkkkk……

    A publicação que tanto critica o que você diz, veja o que já disse em contradição:

    Edição 160 de 2010 – “Mais uma vez volto a repetir que uma das maiores satisfações em fazer uma análise de produtos de áudio é com relação a assinatura sônica… devido ao fato de que OS OUVIDOS NÃO SÃO IGUAIS, e desta forma podemos encontrar aquilo que cabe melhor ao prazer de uma boa audição de música, de acordo COM A SENSIBILIDADE AUDITIVA DE CADA UM.” – parece que alguém aqui já sabia o “que” sem saber o “porquê”…. kkkkk….
    Outra: “…a referência a música original NÃO SEMPRE serve como comparação…” ao tentar mostrar que gravações fogem do quesito ao vivo para o que é verdadeiro, e nessa linha compara com um exemplo entre o som real e o gravado em detalhes: “Qual é mais correto? Sem dúvida o equipamento B é o mais fiel, pois ele responde exatamente ao que está gravado e não à sonoridade real da banda que você ouviu ao vivo, informação esta a qual o sistema não teve acesso.” edição 35 Curioso, mas a verdade é que nunca souberam o que acontecia, mas sabiam que acontecia. Hoje o Eduardo explica e mostra como corrigir, e agora negam.
    Ou em uma resposta a um leitor que pergunta sobre 3 modelos de caixa: “O melhor é ouvir cada uma das opções, pois ois nossos ouvidos nunca são iguais.”

    Outra coisa, estranho na edição 210 ao testar um elevador de cabos dizer que nenhuma vez um produto similar o convenceu, quando no teste de um mesmo produto na edição de número 109 ele deu nada mais e nada menos do que 4 estrelas, recomendando a sua compra. Curioso…

    Mas o melhor infelizmente estou te enviando escaneado, e sugiro que você publique colocando um ponto final nesta discussão, onde fica bem clara a contradição deles. Mas, o texto é longo e não dá para transcrever tudo aqui.

    Abraços

    Emílio

  28. Meu caro Emílio,

    Você é doido mesmo (risos).
    Eu recebi o texto escaneado e servirá como base para o meu próximo artigo. Interessantíssimo mesmo.
    Não podemos publicar textos completos em função dos direitos intelectuais, mas certamente faremos as devidas referências.

    Obrigado por sempre participar e acreditar neste trabalho.

    Abraços

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