A Customização de Sistemas de Som Ganha Força no Mercado

Depois de uma forte resistência inicial, o mercado começa a aceitar a nova visão, aqui proposta, para a montagem e o ajuste de um sistema de som de alto nível.

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Venho recebendo um grande número de consultas de nossos leitores à respeito da Customização de Sistemas de Som, uma idéia que desenvolvi a partir de estudos reais que abordam o nosso sistema auditivo.
Foram anos dedicados ao estudo destes fenômenos, e posso afirmar hoje que a coisa era tão simples, e estava tão diante de nossos olhos (ou ouvidos?), que acho até irônico que ao longo de tantos anos escolhemos caminhos complexos e difíceis para chegarmos a um sistema de som de alta-fidelidade.

Faltava entender o que era esta “alta-fidelidade” que todos procuravam. Fidelidade em relação a que? Seria ao som ao vivo ou ao som real, que os nossos ouvidos na maior parte das vezes não consegue nos mostrar?

Importante ressaltar que todo este estudo foi baseado em fatos reais, comprovações científicas, testes audiométricos, ensinamentos de médicos especialistas, tratados sobre o assunto e outros fundamentos verdadeiros e comprovados, desprezando o subjetivismo superficial e os “achismos” que recheiam de bobagens o nosso hobby, com a única intenção de criar um mistério em torno do hobby e valorizá-lo mais do que o necessário, fazendo a alegria de algumas publicações, fabricantes, lojas, “consultores” e tantos outros que faturam alto tentando vender a “descomplicação”, mas que na verdade estão oferecendo algo muito aquém do que se espera para que o objetivo principal seja atingido: ter um sistema de som que nos ofereça o som real do evento musical, que não é aquele ao vivo e muito menos aquele que este mercado acredita que seja.

Já abordamos aqui a grande resistência oferecida por uma publicação de áudio, que por muito tempo negou em seus ácidos e frequentes comentários que ouvimos de forma diferente, e que a customização de som era uma grande bobagem. Jamais perdiam uma oportunidade para uma provocação desnecessária e inútil, pois a realidade é uma só, e o consumidor vem se informando mais e muito rapidamente graças às facilidades hoje da internet.
O consumidor aprendeu a interpretar o que lê com mais cuidado, e a buscar as informações de uma forma mais objetiva, deixando os “achismos” destas publicações de lado, que, diga-se, perderam o mercado e até morreram, e outras não passando de coletâneas de artigos velhos e desatualizados.
A tecnologia evolui a cada dia. Não é mais possível convivermos com conceitos publicados há duas ou três décadas.

Mas, para a nossa satisfação, apesar da citada publicação ainda tentar justificar uma ou outra idéia contrária que sucumbe em seus próprios exemplos, foi um leitor que me enviou um trecho de um artigo publicado num PDF desta mesma publicação, recente, agora do começo deste ano, onde o seu editor, grande combatente da idéia de ouvirmos diferente, afirma categoricamente:

É preciso saber que nenhum ouvido é igual ao outro, ou seja, como eu escuto é diferente de como você escuta, amigo leitor. (grifo nosso)

Recentemente, lendo um teste cego comparativo com várias caixas de preço intermediário (980 a 1800 libras), em uma respeitada publicação inglesa, o grupo de avaliadores não chegou a nenhum consenso, pelo contrário: nas conclusões finais, o responsável pelo teste teve que ter um enorme jogo de cintura para passar ao leitor o que restou daquele “literal embate de ouvidos treinados”.
Uma das caixas conseguiu ser para um avaliador: “estridente, com limitações dinâmicas sound stage frontal e graves confusos e imprecisos”. Já para o outro avaliador, ocorreu o oposto: “a caixa o agradou profundamente”. Em outra caixa deste mesmo grupo, um avaliador achou que os médios saltavam a frente, enquanto para o resto do grupo seu equilíbrio tonal era seu maior mérito.
Ou seja, nos testes cegos comparativos com um grupo de avaliadores fica claro que não existe consenso em torno de um produto, e jamais existirá. … Já utilizei esta mesma seção para falar de alguns exemplos clássicos como o da moça (a única no meio de 49 marmanjos), que ao ouvir determinado cabo digital nas freqüências mais agudas, o incomodo era tão evidente que ela reagia fisicamente protegendo os ouvidos, enquanto que para os homens aquele era o cabo ideal naquele sistema.”

Finalmente, parece que a referida publicação conseguiu entender a nossa proposta, e quem sabe agora resista à tentação de fazer novas críticas quanto à realidade de ouvirmos diferente e de que o som ao vivo não é a nossa referência totalmente perfeita.

Apesar de alguns tropeços em direção contrária em seus últimos PDF´s, a publicação parece estar no começo de uma evolução que será de grande valia a todos, afinal, quanto maior a quantidade de veículos de informação sobre o nosso hobby, melhor para todos, e isso pode significar a volta deste impresso e de seus antigos leitores que se cansaram do modelo anteriormente adotado.

Eu não acompanho os PDF´s desta publicação, até porque virou um apanhado de artigos velhos e muitos defasados, e também por outras razões que já foram muito bem expostas por nossos inúmeros leitores que se manifestam aqui no democrático espaço do Hi-Fi Planet.
Mas, nada me dá tanta alegria do que ver uma mudança como esta por parte da sua direção.
Houve quem me disse que trata-se, na verdade, de mais um artigo velho de uma antiga edição. Verdade ou não, o fato dele ser resgatado e publicado neste momento já demonstra uma mudança de rumo bastante positiva, já que até então este fato era negado pela publicação com uma persistência absurda.

Admitir que ouvimos diferente é um grande passo para que outras consequências deste descobrimento venham à tona, como, por exemplo, a definitiva compreensão de que as metodologias de avaliação de equipamentos não se sustentam mais na subjetividade.
O próprio trecho do texto acima nos mostra isso claramente.

Isso também responde de forma atualizada sobre a questão de ser ou não possível que todos nós possamos ouvir as mesmas diferenças sonoras. Talvez sim, talvez não. Vai depender da curva auditiva de cada indivíduo.
Se estas diferenças se apresentarem numa faixa de frequências onde um indivíduo possua uma restrição de sua percepção auditiva, é óbvio que estas diferenças podem passar despercebidas.
Portanto, é ilógico acreditar que podemos ouvir igualmente todas as diferenças sonoras, ou os experientes avaliadores do teste da publicação citada acima não teriam chegado a conclusões tão diferentes.

Isso também nos leva à outra questão importante, sobre o elo fraco de um sistema de som.
Há quem acredite, por exemplo, que um player multi-formatos não tem como se sair bem num sistema de alto nível. Eu já vi provas ao contrário, onde um reprodutor de blu-ray tocou CD de forma mais precisa e fiel do que um caríssimo CD player dedicado.
Mas, vai demorar algum tempo para que o mercado admita isso também, pois o interesse em vender um player “vazio” por 40 mil dólares é maior do que vender um complexo player multi-formatos de 10 mil. Aqui, novamente, outros interesses estão por trás.
O elo fraco também depende doa nossos ouvidos, podendo ter um maior ou menor grau de importância.

Recentemente li outro absurdo onde o autor da avaliação de um pré-amplificador comentava que, ao montar um sistema de som, o primeiro componente que deveria receber a maior atenção era a caixa acústica, e depois a fonte digital ou analógica seguida pelo amplificador integrado, depois ele diz que num sistema mais sofisticado ele inverteria o pré-amplificador com as fontes.
É um absurdo que ainda hoje alguém possa orientar um leitor a começar o seu sistema por caixas ou players.
Diversos são os componentes de um sistema de som, cada qual com a sua importância, mas a acústica deve ser o primeiro item a compor um sistema de som. De nada adianta investir nas melhores caixas acústicas do mundo, no melhor player ou pré-amplificador já fabricado neste planeta, se o componente acústico não receber a devida atenção, para que só depois os equipamentos eletrônicos sejam incluídos.
Um sistema de som  é formado por outros componentes além destes, e a elétrica também compõe o sistema e é outro fator importantíssimo para o resultado final. Mas, o primeiro componente a receber a atenção numa sala é o tratamento acústico, depois o tratamento elétrico e só então depois os equipamentos eletrônicos (players, caixas, amplificadores, etc…). Essa é a ordem a ser seguida. Muitas vezes a visão do usuário fica limitada ao que está no seu rack, mas ele ignora que a acústica, a elétrica e os seus ouvidos têm um papel fundamental para que todo o restante funcione como se deve. É aqui que as nossas diferenças auditivas começam a ganhar importância.

O que mais assusta, é que estes efeitos já foram amplamente observados em palestras e cursos, mas as conclusões que os oradores passavam aos participantes eram totalmente equivocadas.
Tudo se baseava em metodologias que agora se mostram defasadas, equivocadas e bastante imprecisas.
Isso novamente aconteceu em função dos oradores serem aplicadores de uma subjetividade bastante suspeita, e não ter buscado o conhecimento científico necessário para confirmar as suas observações.

Um exemplo bastante comum no nosso dia a dia reflete bastante o que queremos mostrar acima.
Quantas vezes não escutamos alguém dizer que seu carro novo a 120 km/h de velocidade parece estar a 80 km/h, tamanho o silêncio e a maciez com que se movimenta?
Esta é uma  conclusão perigosamente subjetiva, pois por maior que seja a sensação de menor velocidade, um acidente ou um radar de velocidade vão mostrar o engano de forma bastante dura.

É aqui onde as metodologias subjetivas falham gravemente.
Algumas publicações tentam driblar este fato alegando que suas metodologias são na verdade um “mix” de subjetividade com objetividade. Isso não existe. Avaliações objetivas se baseiam em critérios técnicos bem definidos, e raras são as publicações com disponibilidade dos mínimos recursos necessários para conclusões tão precisas.
Eu mesmo adotei alguns parâmetros em meus últimos testes, baseados em medições objetivas, para afastar as impressões equivocadas, e garanto que isso fez uma diferença muito grande.

Já cheguei a testar um cabo avaliado por uma publicação que concluiu que o componente “não apresenta a mesma extensão nas altas frequências como os cabos mais caros, limitando assim os agudos…”.
Em meu sistema, ele não apresentou qualquer sinal de limitação nas altas frequências, e a minha formação técnica me dizia que também não haveria qualquer razão para esta limitação.
Para tirar esta dúvida, recorri aos meus instrumentos de laboratório que guardo da época em que investi em equipamentos quando estudava eletrônica, como osciloscópio, gerador de áudio, frequencímetro e outros instrumentos de marcas muito confiáveis e de elevada precisão.
As medições comprovaram as minhas suspeitas, e o tal cabo, com a suposta “limitação em altas-frequências” mostrou ser capaz de reproduzir sinais muito acima da faixa audível, inclusive dentro da faixa de elevadas frequências que ultrapassam os MHz.
Esse é o grande perigo da subjetividade, e não são discos de testes que transformam esta subjetividade em objetividade.

Aproveitando a oportunidade, gostaria de mencionar que um cabo de áudio não é um acessório.
Como nos ensina o bom e velho dicionário, acessório trata-se daquilo que se junta ao principal, que tem importância menor, secundária e dispensável.
Assim, alguém pode imaginar um sistema de som sem cabos (que não seja wireless)?
Cabos são componentes necessários para interligar os players, amplificadores, caixas, alimentação da rede elétrica, etc., e não são componentes dispensáveis. Um DVD player de carro é um acessório.

Mas, como podemos ver, ao finalmente admitirmos que ouvimos diferente, percebemos que estamos dando um grande passo para compreendermos de fato quais são os verdadeiros objetivos que devemos perseguir para conseguirmos atingir um alto nível de fidelidade em nosso sistema de som.
Com essa confirmação, também concluímos que velhos conceitos restaram ultrapassados e inúteis nessa busca.
E, também, podemos enxergar a solução da customização de um sistema de som como sendo uma forma de corrigir estas diferenças entre o que cada um ouve.

Dentre todos os inúmeros relatos que recebi de nossos leitores que ousaram se arriscar nesta aventura de adequar o seu sistema de som aos seus ouvidos, até o momento não conheci um que tivesse se arrependido e voltado atrás. Pelo contrário, recebo relatos emocionados de leitores que disseram que a música ganhou um novo significado em suas vidas.
Essa é a nossa proposta, ajudar os consumidores a encontrarem o caminho mais econômico e seguro para obter êxito neste hobby, escapando das armadilhas do mercado.

Esta mudança de postura relatada aqui hoje é muito gratificante. Começo a acreditar que há esperança de ver o mercado evoluir, destruindo tabus e lendas que por muito tempo perduraram com muita força em nosso hobby.

Algumas vezes, já tomei conhecimento de críticas dirigidas a mim, do tipo: “ele só diz bobagens”, “não acredito em nada do que diz”, “isso que ele comentou é uma grande besteira”, etc….
Normalmente, estas críticas nascem num mesmo grupo de algumas poucas e raras pessoas, que por alguma razão nutre um incômodo muito grande por qualquer coisa que escrevo.
Essas razões são variadas (desde pessoais até comerciais), mas o que me preserva é justamente o fato de manter um espaço sem anunciantes, não ter vínculos comerciais no segmento de áudio, não vender palestras, cursos ou assessorias, e, principalmente, em ser honesto em meus comentários, sem me preocupar em ferir egos ou interesses pessoais.

Ver alguém finalmente recuando em suas críticas, admitindo a verdade e adotando uma posição mais honesta e inteligente, torna gratificante essa árdua e gratuita tarefa a qual tanto me dedico.

 

13 Comentários em A Customização de Sistemas de Som Ganha Força no Mercado

  1. Boa tarde Eduardo
    Depois de todos os seus artigos sobre adaptar o sistema de som aos nossos ouvidos parece inquestionável a solução.
    Resta portanto indicar o melhor mecanismo para o fazer.
    Depois da obtenção da curva de resposta dos nossos ouvidos como vai corrigir o sistema a essa mesma curva?
    Partindo do principio que muitos amplificadores são minimalistas não possuindo correção de frequências (bass e treble) que é o caso do meu Roksan Caspian M2, recorre-se a um equalizador externo?
    A minha cultura audiófila repudia qualquer aparelho destes na interferência do sinal audio. Será que a alternativa passa pela correção da acustica da sala de audição e a implementação de alimentação eléctrica dedicada?
    Grato pela sua atenção.

    Cumprimentos

    José Santa

  2. Olá Sr. Eduardo

    Acompanho o seu site há algum tempo, e também participei algumas vezes do fórum clube hiend.
    Na minha singela opinião, acho que o sr. deveria encerrar o fórum e se concentrar neste site, que é um dos espaços mais valiosos sobre áudio de qualidade na internet.
    Fóruns estão batidos, sempre com as mesmas discussões e perguntas repetitivas.
    Claro, que é só a minha opinião, pois o que aprendemos aqui neste site é algo que não tem preço, aliás, não tem preço mesmo, pois tudo nos é oferecido de graça, e desde já então agradeço por nos brindar com tanto conhecimento com zero de retribuição.

    Para este site ficar perfeito, poderia agregar um espaço para compra, venda e troca de equipamentos usados. Seria muito útil a toda comunidade audiófila.

    Como eu já disse, venho acompanhando o seu site há algum tempo especialmente em relação ao estudo sobre customização de sistemas de som.
    Não só leio, também pratico, e já coloquei em prática alguns de seus ensinamentos da série de artigos sobre este assunto.
    Fim uma avaliação auditiva, um tanto precária na minha opinião, e pretendo refaze-la em breve. Realmente comprovei que eu possuía desvios auditivos que, segundo o médico que fez o exame, são muito comuns e afeta todos em maior ou menor grau.
    Cheguei a conversar com ele rapidamente sobre a minha pretensão, e ele achou bem interessante a sua idéia, confirmando que realmente cada indivíduo possui a sua própria percepção auditiva. Ele disse que iria visitar e conhecer o seu site para entender melhor a sua proposta, pois achou bem interessante.

    Fiz ajustes básicos em meu sistema de som sem usar qualquer equipamento, acredita? Fiz as correções com filtros ajustáveis nas caixas acústicas que apesar de limitados, já me deram uma boa idéia do que esperar com um upgrade mais sério, talvez o Dspeaker.
    O resultado pra mim foi muito parecido com outros relatados aqui: impressionante. Depois que você se acostuma a ouvir o som como deve ser ouvido, não consegue mais voltar pra trás. Parece que fica tudo abafado, sem vida.

    Recomendo a todos os leitores do hifi-planet que entrem de cara e coragem nesta proposta, e que não vão se arrepender. Cabos? Só servem para consumir nosso dinheiro, pois não ajustam merda nenhuma, desculpe a expressão.
    Fiz curso de percepção auditiva feita pela revista mencionada em seu artigo, e afirmo que é perda de tempo. parece um teatrinho para convence-lo do que eles querem que você acredite.
    Depois dizem que os participantes do curso ficam com cara de espanto com os resultados que presenciam. O meu grupo que tinha umas 45 pessoas ficou com cara de espanto com a cara de pau do treinador em tentar mostrar coisas que não tinham nada a ver com o que presenciávamos.

    Aprendi muito mais aqui no hifi-planet, e acho que vocês deveriam fazer um curso de percepção, pois pelo menos não tem rabo preso com comerciantes.

    Em relação a sua abordagem neste novo artigo, digo que é uma comemoração antecipada, pois já teve gente falando suas bobagens sobre cabos. É impressionante como eles insistem em cabos, cabos e mais cabos. Soltaram mais uma besteira das grossas.
    Eu acho que nunca vão mudar.

    Essa constatação de que ouvimos diferente deve durar até surtarem novamente e xingarem todo mundo que pensa desta forma. Depois mudam de ideia novamente e aceitam este fato. Vai ser sempre assim. Para mim a revista ganhou o final merecido, perdeu todo o respeito com suas fotos arranjadas, textos errados, informações contraditórias e uma confusão de idéias que ninguém mais aguenta, além das historinhas de infância que parece mais os contos do mestre e do gafanhoto.
    A revista (ou seja lá o que for aquilo hoje) virou um flashback. Deveriam inovar nos colaboradores, porque tem alguns que estão difíceis de engolir e são comerciantes da área também.
    Agora inventaram de atacar de arquitetos também, com uns artigos que nada tem a ver com áudio, e ainda tentam fazer a chamada nesta direção.
    Realmente lamentável.
    Eles deveriam ler mais o hifi-planet e aprender como se faz a coisa certa.

    Deixo aqui um grande abraço ao amigo e o convite para um dia vir comer em meu restaurante, onde as despesas serão pagas pela casa em retribuição ao seu trabalho também gratuito feito com tanto tempero para nós.
    Te envio meu telefone por e-mail, e aguardo a sua visita.

    Abraços

    Fernando Nobre
    Nobre Grill – Recife

  3. Eu ainda acho isso uma grande besteira.
    Ouvimos diferentes? OK então, quando eu ouço o som de um violino alguém pode ouvir isso como um som de peneu cantando no asfalto?
    Só um surdo para ouvir assim tão diferente.
    Acho essa proposta sem qualquer base de realidade, coisa de quem cheirou mais do que devia.

  4. Caro amigo José Santa,

    Durante muitos anos nos foi ensinado que quanto menor o número de componentes no “caminho do sinal de áudio”, mais íntegro este sinal se preservaria.
    Na verdade, e já tratei sobre isso em outro artigo, não existe o tal “caminho de sinal de áudio”, porque ele (o sinal) simplesmente não “trafega” pelos circuitos de um amplificador.
    Os sinais de menor intensidade controlam “comportas eletrônicas” que liberam sinais ainda mais fortes, numa tentativa de cópia fiel do primeiro, até que o sinal resultante seja capaz de excitar os altofalantes de uma caixa acústica.
    Vide: http://hifiplanet.com.br/blog/um-amplificador-pode-salvar-gravacoes-ruins/

    Você sabe quantos componentes eletrônicos possuíam os primeiros computadores raquíticos e quantos possuem hoje os fantásticos computadores que conhecemos.
    Não vale dizer em quantidade de peças, mas de componentes, como por exemplo transistores dentro de um circuito integrado.
    Os computadores se tornaram mais lentos e imprecisos por causa disso?

    Você tem idéia de quantos componentes haviam dentro de um televisor preto e branco de décadas atrás e quantos existem hoje num moderno TV 4K? Qual você prefere?
    Na mesma lógica, talvez tenhamos visto pular de centenas para milhões o número de componentes no “caminho do sinal de imagem” da emissora de TV até às nossas casas.

    Podemos levar a mesma comparação para celulares, automóveis, impressoras ou qualquer outro produto eletrônico que possamos imaginar, que se aperfeiçoou ao longo dos anos com a inclusão de muitos componentes eletrônicos, que fizeram parte de sofisticados circuitos eletrônicos que tiveram o objetivo de aprimorar o desempenho destes produtos.

    Porque haveria então de ser diferente em áudio?
    Você tem idéia de quantos milhões de componentes existem num DAC ou num CD player? Imagine num SACD ou num BD-Audio…

    Lembre-se… não existe um “sinal de áudio” como de forma errada muitos nos ensinam. O que temos num amplificador ou qualquer componente de áudio são sinais elétricos.
    Porque não podemos aprimorar estes sinais elétricos com técnicas de aperfeiçoamento vindas de circuitos eletrônicos recheados de componentes eletrônicos?

    É preciso lembrar ainda que os circuitos eletrônicos já são constantemente aperfeiçoados. Veja as especificações, por exemplo, dos atuais chips com a função de conversor digital/analógico existente dentro dos CD players.
    Cada vez mais eles estão mais perfeitos, silenciosos e precisos com o emprego de um circuito também cada vez mais complexo.

    Porque devemos temer então a inclusão de um processador de sinais ou um moderno equalizador em nosso sistema?
    Eu confesso que não tenho conhecimento de equalizadores de elevado nível de fidelidade (nunca pesquisei), mas conheço muitos processadores digitais que têm feito este papel muito bem.
    Eu utilizo o DSPeaker Anti-Mode Dual Core, que me fornece muito mais benefícios ao meu sistema do que qualquer perda de qualidade perceptível.
    Devem existir outras opções tão boas quanto esta, e a própria DSPeaker deve apresentar um modelo “audiófilo” em breve.

    Eu não vejo razão para não experimentarmos e avaliarmos os resultados positivos e negativos destas implementações. É o que faço hoje, e te digo que ter o meu sistema customizado hoje para o meu uso supera em benefícios qualquer possível perda introduzida pelo dispositivo, que sinceramente não conheci ainda.

    Esta é só a minha opinião. Você pode tentar, experimentar, avaliar e chegar às suas próprias conclusões, que podem muito bem ser diferentes das minhas. Mas, acho que não vai se arrepender também.

    Mais uma vez, muito obrigado pela sua participação e por acompanhar este trabalho que faço com muito carinho.

    Abraços

    Eduardo

  5. Caro Fernando Nobre,

    Agradeço o convite, mas só irei se eu puder pagar pelo meu prato.
    O Hi-Fi Planet é um hobby para mim, mas seu restaurante é o seu negócio. Não me sinto bem me beneficiando dessa forma pelo que faço.
    De qualquer forma, agradeço muito pela gentil oferta, e certamente irei prestigiar a sua casa um dia desses.

    Obrigado por me enviar o seu contato e pelo material técnico também fornecido.

    Esta questão de um espaço para negócios é bastante complicada. Infelizmente, em nosso país a desonestidade vem crescendo muito, e negociações online se tornaram algo muito arriscado.
    Eu me sentiria muito mal em saber que alguém sofreu algum prejuízo realizando uma transação neste espaço que mantenho com tanto carinho.
    Acho melhor não, mas agradeço a sua sugestão.

    Meu caro, eu também não acredito em mudanças da noite para o dia, principalmente quando há outros fatores externos envolvidos, mas cabe a nós incentivar qualquer mudança positiva para, quem sabe, motivar novas mudanças e, finalmente, até uma nova postura de comportamento.

    Obrigado pela participação.

    Grande abraço,

    Eduardo

  6. Caro Elesom,

    Normalmente eu excluo comentários pouco respeitosos como o seu, mas vou abrir uma exceção para depois não dizerem por aí que não dou espaço para o contraditório.

    Se você pegasse 3 pessoas que nasceram surdas, nunca ouviram qualquer som, colocasse elas numa sala e tocasse um sino atrás de uma cortina. Depois, dissesse para a primeira pessoa que aquele som era de uma freada de pneu no asfalto, para a segunda que aquilo era um som de violino e para a terceira que aquilo era o som de uma explosão de dinamite, e um dia colocasse estas mesmas pessoas em outro local, tocasse novamente o sino, desta vez até gravado, a primeira pessoa iria jurar que aquele era o som de uma freada de pneu, a segunda diria que se tratava de um violino, e a terceira que era mesmo o som de explosão de uma dinamite.

    Porque isso acontece?
    Porque elas tiveram como referências aquelas associações.
    Somente no mundo real elas entenderiam que aquele som não era gerado pelo motivo que imaginaram. Mas, no mundo real, ainda assim estariam ouvindo o som como ele foi originalmente gerado?

    Todos nós temos uma referência que consideramos certa, que é aquela que nossa mente gravou em função do que nossos ouvidos captaram.
    Claro que você levou a idéia para um extremo, e eu também exemplifiquei com outro extremo. Mas, no mundo real, estas diferenças podem ser desde sutis até muito substanciais. Podemos ter pessoas que ouvem um som de determinada frequência e outras que não conseguem ouvir este som.
    Mas, entre um extremo e outro, teremos pessoas que sofrerão variações de toda intensidade, e sempre acharão estar ouvindo o que na realidade não é o som gerado.

    O que você procura como audiófilo, referenciar o som musical ao som que você ouve ao vivo ou ao som real gerado?

    Experimente primeiro, depois nos diga as suas conclusões.
    Afinal, como você pode acreditar em algo que você mesmo não comprovou? Cheirando?

    Abraços

    Eduardo

  7. Costumo dizer aos meus alunos que as grandes descobertas estão na simplicidade da forma como encaramos o desconhecido.
    Este é mais um exemplo.
    É tão óbvio imaginar que cada ouvinte possui o seu acerto ideal de audição que o mais absurdo é imaginar o contrário, como fizeram os amigos do citado periódico, que para mim se arrasta na tentativa de sobreviver.

    Isso nos faz pensar como não enxergamos esta obviedade antes.
    É fato que cada um de nós temos uma audição naturalmente ajustada para uma condição, e só conseguiremos apreciar a música em toda a sua magnitude se conseguirmos “casar” nossos ouvidos com o som real dos intérpretes e dos instrumentos.

    Isso realmente explica porque não podemos confiar em reviews realizados “de ouvido”, ou de forma subjetiva, como gostam de dizer.
    Oras, se é subjetivo, é pessoal, e não pode ser generalizado para um universo de indivíduos tão diferentes.
    Podemos ver que sequer neste pequeno e seleto grupo de supostos “avaliadores treinados” há um consenso.

    A lógica está aqui muito bem explorada pelo Sr. Eduardo, que juntou habilidosamente as peças do quebra-cabeças e matou a charada.
    E sabem como ele conseguiu isso? Acreditando no conhecimento científico e não nas crendices criadas pelo nosso mercado amador.
    Pelo que sei o Sr. Eduardo não é especialista em audição, mas buscou o conhecimento com quem o dominava. Não ficou alimentando o “lado obscuro” do áudio high-end.
    O caminho é esse. A simplicidade está em entender o que buscamos, juntar o conhecimento até então disponível, raciocinar um pouco e descobrir a solução.

    Não apliquei ainda a técnica sugerida, mas, com base em minha especialidade acadêmica, posso afirmar que não tem como ser diferente do que foi aqui apresentada.
    Parabéns ao criador da técnica pelo excelente trabalho de desenvolvimento.
    Well done, my friend !!!

    E que esta dedicação sirva de exemplo para aqueles que acreditam que podem ensinar algo com seus artigos “subjetivos”, suas palestras vazias e suas demais contribuições distorcidas que apenas confundem quem quer realmente aprender.
    Deveria haver uma lei que só permitisse a publicação de artigos e ministração de cursos por quem tivesse real conhecimento científico no tema, evitando que falsas verdades fossem amplamente divulgadas aos realmente leigos.

    Em tempo, me considero um audiófilo “maduro”, com décadas de dedicação na busca da alta-fidelidade e com um sistema de som no melhor nível high-end.
    Mas, também sofri nas mãos de alguns “curiosos especialistas” que só confundem as nossas cabeças com seus ensinamentos distorcidos.

    Parabéns ao Hi-Fi Planet e ao seu criador Eduardo, que se não fossem estes dois acho que não teríamos visto essa mudança nítida que o mercado vem sofrendo, com um amadurecimento inédito até em países mais envolvidos com o tema.

    É com muita satisfação que presto esta homenagem, deixando aqui a minha mais sincera gratidão pelo que aprendi e ainda aprendo aqui.
    E, como professor universitário, sei o quanto é difícil disseminar algum conhecimento para um público cada vez menos interessado em aprender.
    É por isso que sofremos hoje com essa triste realidade que estamos vivendo em nosso país.

    Respeitosamente,

    José Carlos Valle

  8. Caro Professor José Carlos,

    Muito obrigado pelas suas palavras tão gentis.
    Sinto-me honrado com a sua participação.

    Eduardo

  9. Olá Eduardo
    Obrigado pela sua explicação pois é feita de uma forma tão objectiva que só um burro não perceberia a sua lógica.
    Efectvamente tem toda a razão quando diz que toda a electrónica tem atingido a sofisticação que se conhece com circuitos cada vez mais complexos e não à custa de soluções minimalistas.
    Não tenho conhecimento da venda em Portugal do Anti-Mode, provávelmente só importando, irei pesquisar.
    Fico perplexo quando verifico por todos os comentários quase sem excepção aqui no site da desinformação que existe no Brasil e as tentativas da venda sem regras dos equipamentos de audio.
    Aqui em Portugal não existem palestras nem revistas de audio que confundam os seus entusiastas. Todos os profissionais do mundo do audio são quase sem excepção importadores e têm como principal função dar a conhecer aos audiófilos todas as propostas disponiveis no mercado com audiçõs personalizadas com acolhimento familiar sem qualquer tipo de pressão para aquisição de aparelhos, muito menos de determinadas marcas em detrimento de outras.
    Assim, cada um de nós pode escolher os seus equipamentos em função dos seus gostos pessoais sem influências de interesses comerciais.
    Tenho estado nas ultimas semanas a substituir os meus equipamentos de audio.
    Devo dizer que para escolher o amplificador que mais me agradava o importador cedeu-me 3 para testar em casa pelo tempo que eu nacessitava.
    Acabei por escolher um deles e devolver os outros 2 fazendo o pagamento do que ficou em casa, sem qualquer tipo de influência.
    No que diz respeito às colunas foi exactamente o mesmo, desloquei-me ao importador para adquirir o fabuloso Oppo UDP-203 4K e saí de lá não só com o Oppo mas com colunas dentro do carro para testar em casa sem qualquer compromisso e escolher as que mais me agradavam, isto sem nunca terem tido qualquer contacto comigo anteriormente.
    O audio em Portugal é tratado com muita seriedade e profissionalismo por parte dos importadores e distribuidores.
    É claro que depois trocamos impressões sobre as conclusões dessas audições mas sempre no sentido do esclarecimento e nunca a criar confusão para que o comprador fique sempre satisfeito e com mais um amigo nesta comunidade.
    Um grande e sentido abraço de agradecimento pela clarividência e postura que tem nesta matéria.
    Bem Haja

    José Santa

  10. Olá
    Conheci este blog há apenas dois dias e estou gostando muito das suas matérias.
    Sou amante da boa música e aficionado por tecnologia, e possuo um sistema de som construído com bastante carinho e muuuuiiiito dinheiro. Que hobby caro !
    Estou absorvendo muitas informações interessantes aqui, e descobrindo que muitas idéias que eu tinha sobre áudio hiend estavam equivocadas.
    Vou aplicar em breve a técnica da customização sugerida aqui, e depois volto para postar as minha experiências.
    Parabéns pelo blog e obrigado por compartilhar tanto conteúdo conosco.
    Jonas

  11. Caro José Santa,

    O áudio high-end chegou no Brasil através de poucos canais de divulgação, e assim as informações acabaram monopolizadas por alguns pequenos grupos.
    Alguns membros destes grupos viram que era possível ganhar dinheiro com este hobby que começou a ganhar alguma popularidade, e não perderam a chance de criar condições para isso.

    Qualquer pessoa tem o direito de ganhar dinheiro com qualquer trabalho, desde que seja de forma justa e honesta.
    Mas, infelizmente, nem sempre o interesse em ajudar e informar, como parece ocorrer aí em Portugal, acontece no Brasil, e os vínculos que se criam com comerciantes, patrocinadores, publicações e outros interessados é muito grande.
    Tudo passa a ser motivo para aumentar os lucros, e vale até criar desinformação para deixar o consumidor confuso em suas escolhas.

    Algumas publicações, sites e fóruns chegam a oferecer serviços como cursos, espaços para publicidade e até criam lojas próprias. Nestes casos, a imparcialidade acaba comprometida, e é isso que tem incomodado muitos hobbistas de áudio.

    O que você lê aqui é muito pouco até em relação ao que recebo de manifestações, algumas muito pesadas para serem publicadas.

    Mas, parece que isso está começando a mudar, o que será muito bom para os audiófilos brasileiros.

    Abraço

    Eduardo

  12. Olá Jonas,

    Obrigado por prestigiar este espaço.
    Espero que lhe seja bastante útil.

    Abraços

    Eduardo

  13. Conheci este site ontem e estou impressionado com a qualidade do seu conteúdo.
    Uma pena não ter conhecido antes, pois certamente teria me poupado alguns aborrecimentos que tive neste árduo caminho ao topo do pinheiro.
    As informações hoje são pouco confiáveis e muito contraditórias, onde cada um fala uma coisa e todos defendem os seus interesses ou gostos pessoais.
    A imparcialidade, o conhecimento técnico, a objetividade e a clareza dos artigos tratados aqui são excelentes.
    Acho que todos deveriam dar uma lida em pelo menos uns 20 artigos de cara que me chamaram a atenção, antes de entrarem na aventura de montar um sistema de áudio hi-end.
    Parabéns a todos.
    Mário Rudnick

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