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 Título: Novo método de avaliação - Introdução
MensagemEnviado: Dom Nov 11, 2007 6:54 pm 
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Válido para os testes realizados pelo Hi-Fi Planet


Como leitor de inúmeras revistas nacionais e estrangeiras (americanas e européias - e a maioria adquirida por assinatura), tenho observado um sério problema nas avaliações de equipamentos apresentadas na forma de pontuação de valor.
Método praticamente utilizado por quase todas as publicações (raras exceções já surgiram), ele tem se mostrado obsoleto, e incapaz de levar ao leitor qualquer informação realmente precisa sobre o desempenho dos aparelhos testados.

Os maiores problemas encontrados são:

1. A avaliação é bastante subjetiva, e depende muito das condições de teste, que infelizmente não são padronizadas. A maioria das publicações não realiza qualquer ensaio técnico (que existe praticamente para qualquer outro gênero de produto), e sequer avaliam o projeto e a construção dos equipamentos.
Por essa razão, as avaliações acabam não coincidindo, e é muito comum um equipamento ser avaliado de modos diferentes por cada publicação. Podemos considerar isso um absurdo, já que o equipamento é o mesmo, e os resultados deveriam ser bastante parecidos.

2. As publicações ficam presas aos seus anunciantes, e deles dependem. Muitas vezes não podem avaliar honestamente um equipamento, pois poderiam sofrer com a perda de interesse de novos anúncios, até por conta de uma ação de retaliação dos fabricantes, comerciantes e importadores.
Por isso é muito comum vermos hoje aparelhos com características e desempenho bastante comuns, sendo avaliados com pontuações no topo da escala de avaliação. Basta folhearmos algumas revistas para constatar o grande número (cada vez mais freqüente) de notas máximas para aparelhos bastante modestos.

3. Notamos, também, que algumas avaliações mais se parecem com cópias do manual do aparelho, pois informam características, recursos e outras informações básicas, que poderiam ser encontradas no site do próprio fabricante (e muitas vezes sem tantos erros). O teste em si ocupa uma pequena parte do texto, de forma bastante superficial e pouco esclarecedora.
Isso acontece basicamente porque o avaliador não dispõe de tempo ou mesmo de interesse em fazer aquela avaliação, e muitas vezes, de fato, não a fez. O avaliador acaba elaborando um texto bastante superficial, e atribuindo uma nota de acordo com o seu interesse comercial naquela marca.

4. O sistema de pontuação é tão falho que os avaliadores acabam conhecendo equipamentos com qualidades acima daqueles que já avaliou um dia, e que na oportunidade ganharam nota máxima. Podemos perceber isso quando observamos que algumas notas acabam sendo superiores à própria faixa de pontuação.
Um outro agravante muito comum ocorre quando o avaliador descobre novos componentes que elevam a qualidade de seu sistema de uma forma global, o que faz com que todas as avaliações anteriores se percam, já que a referência passou a ser outra, e não é mais possível saber como aqueles equipamentos se comportariam nestas novas condições.

5. Por mais bem elaborada que seja uma metodologia, ela não funciona. Não há como cercar tantas variáveis que compõem um teste, e não é possível para um avaliador, que não dispõe de uma norma ou padrão universal de testes, querer elaborar seu próprio método. Os critérios a serem observados são muitos, e o avaliador teria que dispor de uma infinidade de equipamentos, instrumentos de testes, acessórios (cabos, por exemplo), salas diversas e tantas outras variáveis, inclusive pessoais, que tornariam qualquer avaliação inviável.

6. Muitas avaliações sequer apresentam provas de sua realização de fato (mesmo as fotos limitam-se àquelas oferecidas pelo fabricante, ou colhidas pela Internet), e não é possível afirmar que todas são realmente feitas. Novamente, aparece aqui o interesse pessoal do avaliador, que surge como um conflito entre os interesses comerciais da publicação, ou até de eventos que venha a criar no futuro, que dependerão diretamente da participação maciça dos fabricantes e comerciantes para o seu sucesso.

Poderíamos, ainda, relacionar inúmeros outros argumentos que colocam em xeque a validade de uma pontuação na avaliação crítica de um equipamento.

Diante disso, e buscando evoluir nesta questão, o Hi-Fi Planet, que não possui vínculos com qualquer fabricante ou comerciante, nem outros interesses comerciais, e que também se utilizava até este momento de pontuação para avaliação de equipamentos, passará a utilizar um outro método de avaliação, bem mais honesto e dinâmico.

Honesto porque não atribuirá mais pontos ao equipamento, como já fazem algumas poucas revistas estrangeiras (muito raras). E dinâmica porque a avaliação não acabará após cada teste, mas será sim atualizada e complementada no decorrer do tempo, inclusive com a participação externa de quem possa somar informações novas e confiáveis ao que já foi publicado.

Em nova oportunidade vamos divulgar a novo formato de avaliação, em detalhes, e que já se encontra em aplicação para refinamento.
Mas, basicamente, a idéia consiste em retratar o que foi observado durante os testes, deixando ao leitor o trabalho de tirar a sua própria conclusão, o que é bastante interessante e verdadeiramente útil.
Já tive oportunidade de ver equipamentos conquistarem pontuações máximas, onde o avaliador desconsiderou pontos importantes, que certamente tornariam o equipamento até mesmo inútil em algumas aplicações, seja pelos problemas já apontados aqui, seja por falta de conhecimento.

O mais importante de uma avaliação é levar ao leitor o maior número possível de informações sobre o que foi observado nos testes, deixando que o leitor vá criando a sua própria conclusão através destas informações, e nada mais, sem influência ou interferência tendenciosa do avaliador.
Muitas vezes as avaliações (seja de forma tendenciosa ou não) utilizam adjetivos fortes em seus textos, buscando transformar alguns defeitos em coisas sem importância.
Já tive a oportunidade de ver a avaliação de um equipamento que recebeu nota máxima, com a observação de que "representa uma ótima opção para qualquer consumidor", porém, o aparelho, por uma falha em suas características, talvez pudesse ser usado no máximo por 30% dos consumidores, em função de uma limitação que sequer foi explorada no texto.

Em resumo, deixando os detalhes para uma nova oportunidade, e nesta buscando apenas justificar o porquê do abandono do método atual, mesmo não repetindo aqui muitas das falhas apontadas, o objetivo dos testes será apresentar de forma mais fiel possível as características de cada equipamento, seu comportamento exato durante os testes, a sua verdadeira aplicação, além de sua situação em relação ao mercado.
O objetivo, também, é incluir uma tabela de pontos positivos e negativos, para melhor ajudar o leitor a chegar à sua própria conclusão.

Os detalhes deste novo método de avaliação serão apresentados oportunamente e, tenho certeza, em breve será também utilizado por outros veículos de informação que se preocupam com a sua responsabilidade de informar corretamente, pois influenciam pessoas e formam opiniões, e isso é muito sério.

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