Teste (Review) do Cambridge DAC Magic Plus

 

Introdução

Sempre fui um fã de DACs externos.
Como CD players podem ser substituídos a qualquer momento, até mesmo por um player universal ou um DVD ou BD-Player que reproduza CD, as principais qualidades apreciadas por conta da escolha do DAC podem ser mantidas com um bom DAC externo.
O transporte, que vai enviar o sinal digital para o DAC tem a sua parte de importância no resultado final, mas, pelas inúmeras experiências que já fiz, ele é o menos crítico, e até um DVD player comum de baixo custo pode servir como um transporte de qualidade para um bom DAC. Até um Oppo de 149 dólares já recebeu a mais alta classificação da revista americana Stereophile no desempenho deste papel, e já tive oportunidade de testar players ainda mais baratos com os mesmos resultados.

Por essa razão, procuro investir no melhor DAC possível, e mesmo que venha a trocar de player, consigo preservar a melhor reprodução de CDs, no meu caso.

O DAC avaliado aqui vem de uma família ganhadora de muitos prêmios, e possui uma grande legião de fãs. Ele vem substituir o modelo DAC Magic, que por enquanto ainda é fornecido por alguns distribuidores. A expectativa é que o novo modelo seja a única opção em breve.

Apresentação

O DAC Magic Plus é um DAC que pode ser usado como amplificador de fones e também como um pré-amplificador digital.
Com o acessório BT100, ele pode reproduzir músicas a partir de uma fonte através de transferência bluetooth.

O DAC da Cambridge converte qualquer sinal de sua entrada para 24bit/380kHz, e permite sinais de até 24/192 em sua entrada USB, algo pouco comum ainda hoje em vários concorrentes.

Ele apresenta um reduzido jitter, uma característica que costuma prejudicar a qualidade de sinais de DACs, CD players e outros componentes digitais, mas é algo que hoje já atinge valores tão baixos que raramente chega a incomodar.

O DAC Magic Plus possui várias conexões em seu painel traseiro, permitindo grande flexibilidade de aplicações.
São muito bem-vindas as saídas balanceadas, que normalmente apresentam melhor resultado que as RCA não balanceadas, também disponíveis no aparelho.
Temos ainda uma saída digital ótica e outra coaxial, e um par de entradas digitais sendo uma ótica e outra coaxial. Há, ainda, uma entrada USB e outra conexão externa também USB.

A fonte de alimentação é externa, do tipo de parede, cuja caixinha do transformador vai direto na tomada.

No painel frontal encontramos o botão liga/desliga, o botão seletor de entradas e outro para seleção de 3 modos de filtragem, uma característica bastante presente nos equipamentos digitais deste fabricante inglês. LEDs frontais indicam a frequência de amostragem de entrada.

Ainda no painel frontal encontramos o botão de controle de volume e a saída de fones.

O aparelho é bastante pequeno, pesando apenas 1,2 kg, mas sua construção é muito bem feita e sua aparência bem agradável.

Não foi possível avaliar a construção interna, já que não me foi autorizada a abertura do aparelho pelo seu proprietário que não queria prejudicar a garantia, mas ao final incluo uma foto da sua montagem (do fabricante) para melhor conhecimento do aparelho.

Desempenho

Ainda não aderi ao computador como fonte de áudio (mas já estou fazendo as minhas experiências nesta promissora área), e poe isso utilizei o DAC Magic Plus conectado a vários players de discos digitais, como CD player, DVD player e blu-ray player. As diferenças obtidas com cada uma das fontes utilizadas como transporte foram quase imperceptíveis, sendo que todas foram capazes de atingir o melhor resultado do DAC da Cambridge.
Em todos os players testados houve um ganho nada desprezível em relação ao DAC interno de cada um, o que justificaria plenamente o investimento de um DAC nos 3 players testados.

O DAC Magic Plus fornece um som bem detalhado, natural, rápido e muito controlado. Graves precisos, médios bem presentes, agudos bem reproduzidos, mais o generoso palco sonoro proporcionaram uma audição muito agradável e de qualidade verdadeiramente audiófila.
O som é mais para o aberto, com um pouco de ênfase nas altas frequências (agudos), mas nem um pouco de forma exagerada. Nada que prejudique a excelente qualidade de reprodução do aparelho.

Como sempre, prefiro não comentar precisamente sobre o equilíbrio tonal ou outras características extremamente subjetivas e sujeitas a inúmeras variáveis sem controle, e que podem prejudicar a interpretação dos resultados. Prefiro citar a naturalidade do som fornecido pelo aparelho com as minhas referências também pessoais.
É preciso sempre lembrar que uma avaliação subjetiva é bastante imperfeita, pois está sujeita a inúmeros fatores que fogem totalmente de controle,  já que são resultados de “impressões” que não percebidas de forma diferente por cada indivíduo. Por isso pontuar equipamentos é um grande erro, e não mais adoto essa metodologia aqui no Hi-Fi Planet.
Assim, é muito importante avaliar o equipamento em seu sistema e com os seus ouvidos, e não acreditar cegamente num review. (veja nossos artigos Rumo à Customização)

Testei as saídas de fones de ouvido, e achei a qualidade também muito boa, mas a variação de resultados de uma saída de fones é muito grande em função das significativas diferenças que existem entre os fones do mercado.

Testado como pré-amplificador, posso afirmar que o seu desempenho foi muito bom e realmente não há necessidade de investir num pré tendo esta facilidade do DAC Magic Plus. Não esteve no mesmo patamar de resolução e palco do meu pré-amplificador (840E da Cambridge), mas eu nem poderia esperar isso pois são concepções bem diferentes.
Porém, para uso como pré-amplificador, como se propõe o aparelho, a ausência de controle remoto é inaceitável. Poucos podem fazer uso do seu funcionamento como pré, mas imaginar que nesta condição teremos que levantar da poltrona para um simples ajuste de volume é algo que pode incomodar bastante muitos usuários.

Seu desempenho geral foi muito bom, e trata-se de mais uma opção bem interessante do mercado.

QUADRO RESUMO

Pontos Fortes

– Excelente qualidade geral de áudio, com graves bem articulados, médios e agudos muito bons, com velocidade e palco sonoro excelentes
– Possui saídas balanceadas
– Pode funcionar como pré-amplificador e possui saídas de fone
– Aceita sinais de até 192 kHz na entrada USB
– Reescalonamento  interno para 24/384k bit/Hz
– Construção excelente como já é o padrão da Cambridge

Pontos Fracos

– Ausência de controle remoto para utilização como pré-amplificador digital

Recomendado

O DAC Magic Plus é muito recomendado para quem possui um CD player básico ou mediano e quer extrair uma qualidade ainda melhor de seus discos (uma comparação é recomendada).
Também recomendado para quem usa um player universal ou um DVD/BD-player e deseja conseguir um desempenho audiófilo na reprodução de seus CDs, sem investir num player dedicado para isso.
Muito recomendado para uso com computadores graças à sua alta frequência de amostragem de entrada suportada.
Para quem costuma trocar constantemente de players mas quer preservar a qualidade de reprodução de seus CDs a cada mudança.

Conclusão

O DAC Magic Plus é uma evolução do modelo anterior, e as mudanças agradam muito.
Trata-se de um DAC de excelente nível, capaz de proporcionar um desempenho realmente audiófilo.
Certamente vai manter a fama conquistada pela Cambridge com o modelo anterior.

Preço

Em média de R$ 1.250,00 em mercados virtuais.

Dimensões e peso

– 52 x 215 x 191 mm ( altura x largura x profundidade)
– 1,2 kg (só o aparelho)

Informações técnicas do fabricante

Visite a página do fabricante clicando Aqui

Manual do aparelho

Clique Aqui para baixar o manual em inglês

Fotos exclusivas do Hi-Fi Planet

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Fotos internas do fabricante

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23 Comentários em Teste (Review) do Cambridge DAC Magic Plus

  1. Caro Eduardo, quero parabenizá-lo pelo site e suas publicações, ao mesmo tempo em que gostaria de solicitar uma ajuda: possuo um amplificador 640 V2 e um cd player 640 V2, ambos Cambridge e um par de caixas AAD C-150. Estou pensando em trocar inicialmente o amplificador e ou o cd player e tenho as seguintes dúvidas: 1. Troco ambos pelos modelos 851 da Cambridge; 2. troco o amplificador pelo 851 e compro um DAC Cambridge, mantendo o cd player 640 V2; 3. troco o amplificador pelo 851 e o cd player pelo player universal BD 751 ou o 752 e uso um dac ou não, tendo assim também um aparelho para assistir vídeos. Outra dúvida: as caixas permitem bi-cablagem ou bi-amplificação, posso utilizar as saídas A e B do amplificador para alimentar as caixas, fazendo assim uma “bi-amplificação”? Grato pela atenção e continue mantendo essa linha de comentários para desmistificar o mercado de áudio. Roberto

  2. Olá Roberto,

    São escolhas difíceis, e depende muito do que você realmente procura.
    Se você quer a versatilidade para ver filmes, os modelos universais atenderiam melhor. O 751 e o 752 seriam os mais indicados, e também caso você tenhas discos de SACD, DVD-A, ou arquivos de Áudio. Eles são bem mais versáteis nesse ponto.
    Se o seu negócio é CD com qualidade, o seu sistema atual já é muito bom, mas você pode fazer um upgrade pela linha 851 e ganhar um pouquinho mais de qualidade. Com um integrado e um player da linha 851, eu particularmente dispensaria o DAC, pois o player 851C já teria um resultado excelente, além de ser um DAC também.
    A questão é o que você quer priorizar, um sistema para ouvir CD ou um sistema para reproduzir qualquer formato de áudio e vídeo.
    Se quiser ter o melhor dos dois mundos, então a solução será comprar os três, amplificador + player de CD + player universal, ainda deixando o DAC de fora desta opção.
    Outra opção incluiria o DAC se optasse pelo amplificador + player universal e ainda quisesse extrair o melhor possível para CDs. Aí então deixaria o DAC na saída digital do BD apenas para reprodução de CD.

    Você pode usar as saídas A e B para fazer bi-cablagem. Para bi-amplificação você teria que ter amplificadores independentes para cada entrada da caixa.
    Para fazer a bi-cablagem, use um cabo específico para isso, e retire o ligação que junta as entradas das caixas, no painel de ligação delas.

    Um abraço,

    Eduardo

  3. Caro Eduardo, agradeço seus comentários, a idéia original é melhorar a qualidade dos cds e aproveitar um BD Sony e o computador para ouvir outros formatos de arquivos. Como parece que meu ganho no upgrade do cd seria pequeno e veio a idéia do computador também, talvez o dac seria uma solução interessante ou há a possibilidade de liga-lo ao cd 851 ou ao BD 751 ou 752? Grato pela atenção. Roberto

  4. Roberto,

    O 851C é player, DAC e pré-amplificador.
    Se ele tivesse um amplificador interno, praticamente faria tudo sozinho… rsrsrs….
    Pode ligá-lo ao computador sem receio, pois seu DAC é muito bom.
    Já no 751BD eu recomendaria um HD Sata.

    Um abraço,

    Eduardo

  5. Eduardo
    Li com atraso esse seu review de maio, excelente como sempre.
    Tenho um equipamento de entrada e adquiri o Dac Magic 100 (mais barato que o Plus), que – a me basear nos reviews internacionais – distingue-se do Plus por não ter as opções de ajuste nem a entrada para fone. A idéia é melhorar os arquivos digitais a partir de media centers (Asus e Divco), e secundariamente o cd player de entrada da Cambridge. Foi notável a melhora do som, em especial depois que coloquei cabos QED e
    Wireworld. Porém, há algo que me incomoda, e você definiu com precisão na frase “O som é mais para o aberto, com um pouco de ênfase nas altas frequências (agudos)”. Sinto falta de um pouco mais de grave no som lapidado pelo DAC, mesmo ouvindo estéreo com o subwoofer ligado. Nessa faixa de preço você me sugeriria outro DAC? O Micromega Mydac seria uma opção? Ou o M1? Obrigado.

  6. Meu caro,

    É muito difícil definir o que vai acontecer com um novo DAC, pois não é somente ele o responsável pelo resultado final.
    Eu não trocaria de DAC, até porque você pode perder dinheiro agora, mas investiria em alguns ajustes do sistema, como o posicionamento das caixas acústicas e até mesmo a acerto das caixas com a sua substituição ou com outras providências.
    Apesar de meus comentários sobre o modelo, isso não significa que ele possui poucos graves, pois sua resposta de frequência é bastante ampla. Em DACs essa limitação praticamente é desprezível, variando apenas pelo desejo do fabricante, e de forma sutil.
    O MyDac é inferior ao modelo que você possui, o M1 ligeiramente superior, mas nada que justifique a troca.
    Tente fazer novos ajustes no sistema, me diga quais caixas você está usando e como estão instaladas.
    Acredito ser este o caminho que vai lhe dar os melhores retornos.

    Abraço

  7. Eduardo, bom dia.
    Acabei de adquirir um Dac Magic Plus e tenho a seguinte dúvida,
    no painel traseiro existe uma entrada USB audio para conectar um NOTEBOOK. A minha primeira dúvida é que tenho 03 notebooks em casa
    e nenhum tem saída USB áudio, como faço para conectar ? Dá para conectar
    usando o USB comum do PC à entrada USB do DAC ? Outra pergunta, tenho
    um Integrado ARCAM FMJ A28, o DAC está ligado nele e quase não sinto diferença escutando música utilizando o DAC ou ligando diretamente o player (Pioneer BDP140) no integrado. Será que o ARCAM já tem um DAC interno muito bom e eu não precisaria de um dac externo ??

    Fico no aguardo de uma ajuda,
    SANTISTA 001

  8. Olá Eduardo,

    Também li com com um certo atraso esses artigo (muito bom por sinal), e preciso de uma ajuda. Quero saber se vale a pena pra mim usar um DAC externo. Uso como player um Onkyo BD SP 308 ligado em um receiver Onkyo TX-SR608, tenho pesquisado sobre DACS, mas nunca acho exemplos de alguém com equipamento semelhante ao meu usando DAC, por isso não tenho nenhuma referencia. Você acha que eu teria um ganho relevante optando por um DAC externo ligado a esses equipamentos?

  9. Olá Santista,

    Não sou um especialista nas conexões USB em DACs. Na verdade, ainda engatinho neste assunto.
    Sugiro uma visita ao clubehiend.com.br. Tem um pessoal fera lá que conhece muito do assunto.

    O Arcam FMJ A28 não possui DAC interno. Você se referia ao DAC do Pioneer?
    Pode ser que o seu sistema, como um todo, não se beneficie de um DAC exclusivo.
    O DAC deveria ter um resultado bem superior em relação ao Pioneer. Diversas razões podem estar ocultando estas qualidades, até mesmo a falta de costume em identificar detalhes. Não é preciso um “ouvido treinado” para isso, como dizem por aí. Trata-se de um condicionamento cerebral para focar a atenção em alguns pontos que interessam.
    Nem todo benefício de um equipamento ou acessório individual é percebido num sistema. Há muitos anos chamam isso de “elo fraco” que limita o todo, o que significa na verdade que pode existir uma limitação no sistema para perceber este detalhe, mas nada que não possa ser corrigido.
    Há um grande erro hoje que se espalha em alguns veículos de “desinformação” onde o “eco fraco” é um problema que requer a substituição deste componente limitador. O problema é que, na verdade, não há uma limitação, mas um desequilíbrio que pode não estar nesse suposto elo fraco. Em breve abordarei esse tema aqui no HFP.

    Abraço

  10. Erick,

    A tendência é que sim, mas nem sempre é o que ocorre (veja a questão do colega Santista aqui).
    Um teste é bastante recomendável em seu caso.
    Um DAC, em tese, deveria melhorar algumas qualidades de seu sistema, mas isso vai depender de alguns outros fatores. No seu caso, acho melhor testar antes de comprar.

    Abraço

  11. Obrigado pelo review, Eduardo. Bem legal.

    Santista, não existe USB “especial para áudio”. USB é USB. Pode ligar no seu computador, sem problemas. Abs

  12. Ainda não tenho mas, gostaria de saber qual entrada devo ligar o Dac, para ter melhor rendimento ou tanto faz, a entrada de CD ou uma entrada auxiliar .
    Abraços

  13. Tarcisio,

    Em qual amplificador você pretende ligá-lo?
    Uma dica: teste em todas as entradas. Muitas vezes elas apresentam alguma diferença.

    Abraço

  14. Boa tarde Eduardo.
    Se esse aparelho converte qualquer sinal de sua entrada para 24bit/380KHz entendo que se a entrada for um cd de aúdio padrão( 16bit/44.1KHZ) ele converterá 16bit/44.1KHZ para 24bit/380kHz e sairá 24bit/380kHz, é isso?
    No meu caso usarei a saída RCA e consequentemente a entrada RCA do receiver, mas aqui fica minha dúvida: entrada RCA suporta 24bit/380kHz?Senão, como entraria no receiver?

  15. Olá Cláudio,

    Este sinal é do domínio digital. Na saída RCA você terá o sinal analógico convertido pelo DAC interno.

    Abraços

  16. Olá Eduardo
    Adquiri um Dac Magic Plus e estou satisfeito pela aquisição uso principalmente para ler ficheiros de audio, Spotify e Apple Music a partir do meu Mac.
    A minha duvida reside no facto de não saber se este Dac aceita qualquer pen de transmissão Bluetooth ou apenas a BT100 da Cambridge.
    Se me puder esclarecer desta duvida agradeço.
    Com os meus melhores cumprimentos.

    José Santa

  17. Boa tarde Eduardo, muito bom o seu review sobre o DAC Magic Plus, estou pensando em comprar um para fazer upsampling das fontes digitais porém não sei se a entrada digital do meu amp suporta 24bits/384KHz. O meu amp é um Yamaha AS301 possui DAC interno, pelo que vi o DAC que ele utiliza é o PCM5101A Burr-Brown da Texas Instruments segundo o datasheet dele ele opera em 16/24/32bits e até 384KHz porém não sei qual é a configuração embarcada no AS301. Se puder me ajudar eu agradeceria muito pois se este DAC interno do AS301 operar em 24Bits/96KHz então não vale a pena pegar um amplificador digital. Obrigado e parabéns pelo trabalho.
    Aguardo.

  18. Olá, João,

    Lamento, mas não sei te informar isso.
    Coloque esta dúvida lá no Clube Hi-End. Tenho certeza que o pessoal poderá orientá-lo melhor neste quesito.

    Abração

    Eduardo

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