Dica 2 – Comprimento de Cabos

Qual o comprimento ideal dos cabos para interligar os equipamentos de áudio?
Longo ou curto? Qual a melhor opção?

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Por: Eduardo Martins

As sugestões que apresentamos nesta seção de dicas são baseadas em soluções amplamente testadas e confirmadas, podendo ser aplicadas com toda segurança e a certeza de que não se tratam de “devaneios” sobre o tema.
Nosso objetivo nesta série de artigos será fornecer informações úteis e confiáveis para orientar o audiófilo a extrair o máximo de seu sistema de som, buscando separar o que é verdade do que é fantasia neste hobby, e proporcionando informações de real valor para o leitor.

Nossa segunda dica aborda uma questão bastante debatida pelos audiófilos que se preocupam, com razão, com os cabos de interligação dos equipamentos, e trata justamente do comprimento ideal dos cabos utilizados.

Para interligar nossos amplificadores, DACs, players digitais, toca-discos de vinil, pré de fono, receiver e todos os demais equipamentos que possuímos em nosso sistema, nos deparamos com uma infinidade de cabos elétricos, nos mais diversos padrões, RCA, balanceado, digital coaxial, digital óptico, DIN, etc.
Na intenção de alimentar o “mistério” do áudio high-end, muitas fantasias foram criadas em torno dos cabos elétricos, e que se convencionou chamar de cabos de áudio. O correto seria cabo elétrico, pois eles conduzem sinais elétricos (exceto o óptico que conduz luz), e não som. Portanto, todo cabo de conexão não passa de um componente que possui o elemento condutor (cobre, outro, prata, etc.), e o isolante para evitar contatos indesejados entre outras partes condutoras, inclusive do próprio cabo.

A confusão criada com os cabos utilizados em equipamentos de áudio high-end foi muito grande, e isso produziu idéias erradas na cabeça do consumidor. Basta um cabo ter conectores de ouro, possuir condutores de cobre da “alta pureza” com alguma liga qualquer, e vir embalado numa luxuosa caixa de mogno forrada com veludo, que o seu preço sobe assustadoramente e artificialmente.
Alguns cabos são mesmo vendidos com o mesmo cuidado de algumas jóias caras.
Cabos caríssimos não são necessariamente melhores que cabos mais baratos, mas certamente geram lucros bem mais interessantes aos fabricantes, revendedores e fornecedores de espaço publicitário (revista, sites e afins).
Isso vem mudando hoje, conforme os usuários vão se informando e descobrindo as pilantragens que existem por trás deste componente.

Dentre as confusões que foram criadas sobre os cabos de interligação, temos a questão do comprimento dos cabos.
Alguns fabricantes chegaram ao ponto de afirmar que seus cabos deveriam ter um comprimento longo para que os “efeitos mágicos” sobre o sinal fossem mais “evidentes”.
Li um anúncio de um cabo onde o fabricante alegava que, quanto maior fosse o comprimento do cabo, melhor o tratamento aplicado sobre o “sinal de áudio”, e é óbvio que o cabo custava uma pequena fortuna por metro.
Mas, para a nossa sorte, a verdade não é bem essa.
Nenhum cabo “trata” o sinal elétrico por ele conduzido. Essa é mais uma bobagem que encontramos até em revistas que se dizem “especializadas”, mas que não possuem sequer um especialista técnico em seu corpo editorial para filtrar essas afirmações absurdas. Para estes, o que importa é o que eles ouvem, ou o que acham que ouvem.

Todo condutor elétrico apresenta características como resistência, indutância e capacitância que determinam a sua impedância.
O que significa isso? Muito mais do que importa neste momento para nós. O importante é saber que estas são características de um cabo que podem distorcer o sinal elétrico, provocando efeitos indesejados. Os fabricantes buscam sempre que possível produzir cabos com valores bem baixos destes parâmetros.

É preciso ter em mente que o melhor cabo do mundo seria aquele que não alterasse em nada o sinal elétrico. Ou seja, o ideal seria que conseguíssemos encaixar um equipamento no outro sem a necessidade de cabos.
Essa falsa idéia que se criou de que cabos servem para ajustar um sistema de som apenas faz com que se distorça o sinal elétrico, somente isso. Cabos jamais deveriam interagir com o sinal elétrico. Eles não possuem qualquer capacidade de melhorá-los, apenas de deteriorá-los.

Mas, nós podemos fazer algo para melhorar isso, e a dica é reduzir ao máximo o comprimento dos cabos. Sim, quanto mais curto for um cabo, menor a interferência que ele provocará no sinal elétrico que conduz.

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Infelizmente, o mercado oferece cabos com padrões geralmente determinados, com 1 metro, 1 metro e meio, etc… Raramente encontramos, por exemplo, um cabo com apenas 30 cm ou 0,5 metro, que atenderia grande parte de nossas necessidades.
Se o seu player de CD está na prateleira de cima de seu amplificador integrado, qual o propósito de se usar um cabo de 1 metro se outro de talvez 30 cm pudesse fazer a ligação?

Cabos longos interferem mais prejudicialmente no sinal, aumentam os riscos de captação de interferências de outros cabos, de outros equipamentos ou até dos sinais de RF presentes no ar, como os das estações de rádio.
Cabos longos apenas geram problemas, e causam uma grande desorganização em nosso sistema.
Já vi sistemas onde a confusão de cabos era tão grande que era difícil até determinar de onde vinha e para onde ia o cabo, e as interferências eram tão grandes que havia toda espécie de ruídos no som.

Um exemplo que não deve ser copiado.
Um exemplo que não deve ser copiado.

Muitas vezes vejo a empolgação de alguns usuários ou avaliadores de áudio ao afirmarem, com uma frequência bem anormal, que este ou aquele dispositivo reduziu o ruído de fundo para níveis “sepulcrais”.  Cabos longos são responsáveis por boa parte dos ruídos indesejados que surgem em nosso sistema de som. Em meu sistema não há qualquer ruído de fundo, mesmo encostando os ouvidos nos altofalantes (o tweeter é um dos componente que mais evidencia o problema).

Portanto, a dica é para que seja comprado ou encomendado o cabo mais curto possível, o que é ainda mais fácil quando o acesso à parte traseira dos equipamentos é facilitado.
E se não for possível encontrar cabos tão curtos? Então a sugestão é tentar reduzí-los. E isso tem outra vantagem, muitas vezes é possível fazer dois ou três cabos de apenas um, apenas incluindo os conectores.
Para isso, meça o comprimento necessário com o próprio cabo, deixando uma pequena folga de segurança. Corte o cabo. Retire o conector da parte que foi extraída e coloque de volta no cabo original. Pronto ! Está feito o trabalho.
Lógico que isso exige algum conhecimento técnico, mas com um pouco de atenção e habilidade, mesmo um leigo consegue bons resultados. Ou, existe a opção de pedir ajuda para algum técnico ou alguma oficina que possua alguma seriedade.

Alguém pode dizer que o fabricante possui tecnologias próprias, e pode, por exemplo, ter usado solda com prata no conector. Esqueça isso. Não existe diferença sonora significativa entre uma solda feita com estanho de boa qualidade ou outra com liga de prata (até porque a quantidade de prata é muito pequena).
Na internet existem inúmeros tutorias para a fabricação de cabos e que podem ajudar nesta tarefa.

Cabos óticos curtos também são desejáveis, mas são muito mais complicados de serem encurtados. Apenas adquira o mais curto que puder.

Acabe com os cabos caídos, enrolados ou dobrados. Use cabos curtos.
Não é preciso amarrar os cabos e prendê-los. O ideal é que fiquem afastados um dos outros e naturalmente dispostos.

Esta dica também vale para cabos de ligação de caixas acústicas (menos críticos), mas lembre-se de neste caso manter os cabos dos dois canais (estéreo) com o mesmo comprimento para evitar algum desequilíbrio entre os canais.

Esta providência foi adotada em meu sistema, onde quase todos os cabos foram encurtados. Além de uma aparência mais organizada, o ganho de qualidade do som é perceptível.

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Acima, exemplo de como cabos curtos podem deixar as ligações mais “limpas” e precisas. São onze equipamentos, mas compare com a foto anterior com apenas três equipamentos.

Acredite: Reduzir o comprimento de um cabo pode ser um upgrade muito melhor do que trocá-lo por outro mais caro ou de “grife” mais “chique”.

 

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9 Comentários em Dica 2 – Comprimento de Cabos

  1. Bom dia Eduardo

    Gostei da novidade da seção de dicas, e vou ficar no aguardo de outras ideias interessantes.
    Tanto a dica 1 como a 2 foram bem interessantes, e já penso em aplica-las no meu sistema.

    Obrigado pela dedicação e o carinho que mantém este site. Imagino o trabalho que dá, e espero que lhe seja compensador.

    Grande abraço meu caro

    Josito

  2. Olá Eduardo
    Peço desculpa de estar sempre a pedir a sua opinião, mas gostaria de saber com base na sua experiência se valerá a pena a troca de cabos de interligação RCA por cabos BALANCEADOS.
    Nunca utilizei cabos balanceados no meu sistema apesar de permitir essa possibilidade e não queria fazer esse investimento, visto esses cabos sempre mais caros, não ganhando alguma coisa em termos sonoros.
    Agradeço a sua atenção.
    Aquele abraço.

    Jose Santa

  3. Olá Jose,

    Por favor, não peça desculpas, é um prazer poder ajudar.

    No meu sistema eu tive um ganho sensível com o uso de cabos balanceados, mas nem sempre isso acontece e não tem muito a ver com o nível de qualidade do equipamento, mas com a topologia dos circuitos internos.

    Na época comprei cabos na Connex Audio. São excelentes, e sempre se mostraram superiores a outros cabos balanceados que já testei e que muitas vezes custavam bem mais caro.
    Porém, depois que a Connex Audio ganhou fama, entrou na mesma história de outros fabricantes de produtos high-end e aumentou o preço dos seus cabos.
    Mas, ainda é uma opção bem interessante.
    https://connexaudio.com/collections/interconnects/products/connex-audio-silver-xlr-interconnect

    Abraço

    Eduardo

  4. Caro Josito,

    A minha única compensação é a satisfação de poder ajudar os amigos que acompanham este site. É poder compartilhar informações verdadeiras e úteis, de coisas que vou aprendendo, pesquisando e testando neste maravilhoso hobby.
    Financeiramente são só gastos, mas prefiro assim.
    Muitos têm me procurado para obter espaços publicitários, mas já sabemos o que acontece quando anunciantes e patrocinadores começam a interferir.
    Obrigado,
    Abraços

    Eduardo

  5. Acabei de conhecer este site justamente através de uma crítica negativa que li num fórum.
    Agora entendo porque o sujeito criticou, provavelmente por inveja pela competência do administrador deste site. Aliás, ele não teve sequer o cuidado de ler direito o que criticou.
    Tecnicamente as matérias são perfeitas, os textos são imparciais e percebemos a ausência de qualquer influência de $$$ em seus conteúdos.
    As matérias são muito bem escritas, com uma sequência lógica perfeita e conteúdo acessível. A abordagem técnica era o que faltava nos sites que eu conhecia e na falida publicação que conhecíamos.
    Que bom que finalmente temos um espaço honesto para balancear a falta de informação correta que se espalham no hiend.
    Parabéns ao autor administrador.
    Virei um leitor assíduo.
    JB

  6. Olá Brunotti,

    Na verdade, este site já existe há mais de 11 anos.
    Sei que existem alguns críticos, mas são tão poucos que até entendo que a minha conduta acaba por ferir seus interesses pessoais.
    Aliás, um desses críticos é mais um membro fantasma do próprio fórum, criado justamente para desmerecer este trabalho e favorecer interesses de ordem pessoal.

    Abraços

    Eduardo

  7. Eduardo, bom dia e parabéns pelo site e pela integridade intelectual das informações fornecidas.
    Tenho duas dúvidas no momento sobre cabos e me perdoe se não as vi respondidas em outro lugar.
    Com relação ao comprimento: meu set stereo fica deslocada para a esquerda num rack comprido, com o receiver de HT e outros aparelhos ocupando o centro. Com isto a caixa torre esquerda fica ao lado do integrado, um cabo de 1m dá e sobra. A outra caixa dista uns 2m do integrado, precisa de uma cabo de uns 2,20 para correr pelo chão. Tinha lido em algum site e perdoe-me aqui a displicencia pois só captei a informação mas não registrei na epoca onde foi, que para estas distancias o efeito comprimento seria desprezivel. Inclusive o artigo falava sobre e explicava sobre esta questão de resistividade e perdas sobre distancias, por isto o autor afirmava que nestes comprimentos (os tais abaixo de 10m se não me engano) não haveria diferenças perceptiveis. Pergunto se sua experiencia então tem demonstrado o contrario.
    Outra questão que tenho duvida refere-se a cabos de conexão para Phono (toca discos). Como saber se um determinado cabo pode ser utilizado para conectar um toca discos?
    Muito obrigado
    Edson

  8. Olá Edson,

    Realmente custas distâncias não interferem muito em cabos de comprimentos diferentes para caixas acústicas.
    Já vi casos em que mesmo longas distâncias não foram percebidas diferenças.
    A regra diz que o ideal é manter os mesmos comprimentos de cabos, principalmente em relação a alguns cabos que provocam mudanças mais sensíveis.
    Seria como pecar pelo exagero, mas realmente distâncias mais curtas não são tão críticas assim.

    Quanto ao cabo para ligação de toca-discos, em meu sistema fiz testes com modelos da QED, DNM, Supra e outros, e posso afirmar que todos atenderam muito bem. A dica é só mantê-los o mais curto possível.
    Jamais use cabos para provocarem mudanças sonoras. Isso sim é um grande erro.
    Cabos não servem para ajustar sistemas de som. Esta é um mentira alimentada pelos que muito faturam com isso.

    Abraços

    Eduardo

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